BALANÇA COMERCIAL MENOR
O comportamento da balança comercial nestes primeiros cinco meses de 2009 confirma que o Brasil terá um superávit menor. O motivo está na crise econômica mundial, que continua, e nos consequentes preços internacionais mais baixos.
Até o final da terceira semana de maio (24/05), todavia, o superávit acumulado era de US$ 8,47 bilhões, surpreendendo o mercado já que no mesmo período do ano passado o superávit chegou a US$ 6,72 bilhões.
Ocorre que a melhor performance, no ano passado, se deu particularmente a partir de junho, graças a preços em forte elevação (entre maio e setembro do ano passado o superávit comercial aumentou 129,1%, contra apenas 26,2% entre setembro e dezembro, momento em que a crise mundial se cristalizou).
Além disso, no ano passado, nesse período considerado (janeiro até a terceira semana de maio) houve três dias úteis a menos em 2009, devido aos feriados. Assim, a preocupação de um menor superávit na balança comercial deste ano se justifica já que a média diária do saldo de maio é de US$ 116,7 milhões, contra US$ 185,6 milhões obtidos em abril (até agora o pior mês foi janeiro quando se registrou um déficit comercial médio de US$ 25,1 milhões diários).
Por outro lado, as principais commodities exportadas pelo Brasil, que agora começam a ingressar na contabilidade exportadora, estão com preços mais baixos em 2009. É o caso da soja, por exemplo.
Projeta-se um aumento de 2% no volume exportado de todo o complexo (39,9 milhões de toneladas, sendo 25 milhões de toneladas em grãos; 13 milhões em farelo e 1,9 milhão em óleo de soja), em relação a 2008, porém, um recuo de 12,5% em valor, com o mesmo chegando a um total de US$ 14,8 bilhões contra US$ 16,9 bilhões no ano passado.
Entretanto, as projeções finais para o saldo comercial já estão melhores para esse ano na medida em que se espera, agora, um superávit entre US$ 16 e US$ 18 bilhões, contra uma expectativa inicial que era de US$ 14,5 bilhões.
A título de comparação, o saldo final de 2008 ficou em US$ 24,77 bilhões (valor ainda sujeito à revisão).
REAL CONTINUA SE VALORIZANDO
Após ter alcançado R$ 2,44 por dólar, no início de março passado, a moeda brasileira entrou em processo de revalorização, chegando nesta sexta-feira (29/05), na abertura do pregão, a R$ 1,98.
E isso que o Banco Central brasileiro vem, há dias, intervindo no mercado cambial comprando dólares e tentando segurá-lo acima do piso R$ 2,00. Mesmo assim, tal valor já demonstra uma nova sobrevalorização do Real na medida em que a paridade do poder de compra, tomando por base janeiro de 1999 (momento em que o Brasil entrou no sistema de câmbio flutuante), deveria ficar ao redor de R$ 2,16.
Tal comportamento dificulta as exportações e impulsiona as importações, sendo mais um combustível para que tenhamos um superávit comercial menor em 2009 (veja comentário anterior a respeito). Por sua vez, esta revalorização do Real acompanha um processo mundial de revalorização das principais moedas do mundo, em comparação ao dólar, confirmando a tendência de que os EUA, para sair da crise, poderiam se utilizar do mecanismo de desvalorizar o dólar.
Ou seja, o movimento de fortalecimento do Real não está ocorrendo, mais uma vez, pela regularidade de nossa economia, embora isso também ajude, mas sim por decisões externas ao Brasil.
DÓLAR EM BAIXA COMMODITIES EM ALTA
Repetindo o cenário que já vimos particularmente entre 2005 e meados de 2008, o qual foi um dos elementos da crise mundial, a queda do dólar no mercado internacional faz com que haja uma compensação no mercado de commodities, com os preços das mesmas aumentando novamente.
O petróleo, por exemplo, que chegou a bater ao redor de US$ 30,00/barril no início do ano, já estava sendo cotado a US$ 66,00/barril no final deste mês de maio. A soja, que chegou em dezembro passado a US$ 7,83/bushel na Bolsa de Chicago, atingiu ao redor de US$ 11,80 nesse final de maio.
O milho pulou de US$ 2,93/bushel para US$ 4,28 no mesmo período. Já o trigo passou de US$ 4,57/bushel para US$ 6,30, enquanto o óleo de soja subiu de 28,25 centavos de dólar por libra-peso para mais de 39 centavos em alguns dias deste mês de maio.
O farelo saltou de US$ 240,50/tonelada curta no início de dezembro passado para US$ 390,00 nesse final de maio. Ou seja, mais uma vez fica nítido que o aumento nos preços das commodities mundiais está intimamente ligado à desvalorização do dólar no mercado internacional.
Nessas condições, poderemos assistir mais uma vez movimentos especulativos de toda a ordem, sem nenhuma relação direta com a oferta e demanda dos produtos, inclusive no que tange aos insumos agrícolas, particularmente os fertilizantes.
Assim, se o momento é de aproveitar os preços da soja e realizar média de comercialização, igualmente é o momento de, talvez, se antecipar na compra dos insumos para a futura safra de verão.
CRISE: SINAIS CONTRADITÓRIOS
Nesse momento, indicadores econômicos mundiais nos dão sinais contraditórios sobre se realmente a crise chegou ou não ao fundo do poço. Enquanto nos EUA o índice de confiança do consumidor avançou para 54,9 pontos em maio, contra tão somente 40,8 pontos em abril, a contração de seu PIB, no primeiro trimestre de 2009, ficou em 5,7% (dados preliminares).
No Japão, enquanto a produção industrial subiu 5,2% em abril, em comparação a março (mesmo assim ela está 31,2% abaixo do registrado em abril de 2008), a taxa de desemprego avançou para 5% em abril, atingindo seu maior nível nos últimos três anos.
Ou seja, a economia mundial cai mais lentamente, porém, ainda não parou de recuar. Mas isso pode estar indicando que, finalmente, o fundo do poço da crise está sendo atingido.
Agora é esperar para ver em quanto tempo a nova decolagem da economia se dará e em que velocidade.