O biocombustível no Brasil
No Congresso Brasileiro da Sociedade de Economia, Administração e Sociologia Rural (SOBER), realizado em Porto Alegre nesta última semana de julho, dentre os diversos temas de pesquisa apresentados, um novamente chama a atenção. Trabalhos realizados por universidades do Nordeste confirmam que a produção de biodiesel não vem sendo viável, nem mesmo com a mamona.
A tal ponto que 70% dos produtores rurais entrevistados na região pernambucana de Garanhuns se dizem decepcionados com a experiência e não demonstram nenhum interesse em continuar a produzir a cultura. A decepção é tanta que os mesmos colocam que não têm interesse em desenvolver nenhuma atividade rural que vise a produção de óleo combustível.
Na prática, isso se observa em todo o Brasil e não somente com a mamona. Mesmo quem produz soja e outras oleaginosas, confirmando uma tendência por nós observada há mais tempo, não encontra estímulo para produzir para o biodiesel. Particularmente agora que o preço do petróleo, no mercado mundial, oscila entre US$ 60,00 e US$ 70,00 o barril, tornando-o bastante competitivo em relação há um ano atrás.
Aliás, o biodiesel somente encontra mercado nesse momento porque o governo obriga a mistura ao óleo diesel mineral e a Petrobrás se vê obrigada a bancar a operação.
O biocombustível no Brasil (II)
Assim, por já estar consolidada e comprovada, a produção de biocombustível à base de etanol (álcool de cana de açúcar) é que parece realmente ter um futuro promissor. Tanto é verdade que outros estudos demonstram que a hegemonia brasileira no mercado mundial de etanol ainda deverá se manter por mais 10 anos, pelo menos.
Além disso, existe um forte mercado consumidor de etanol no Brasil. Somente em junho o consumo nacional cresceu 26%, apontando um consumo total para o ano de 2009 de 16,1 bilhões de litros de álcool combustível hidratado. Afinal, os carros flex representam hoje 90% das vendas totais de veículos no país e 35% da frota nacional de veículos (ao final de 2009 o Brasil deverá ter 8,15 milhões de automóveis flex, ou seja, um aumento de 25% sobre 2008).
No total, a demanda estimada de etanol combustível no mercado interno brasileiro é estimada em 20,6 bilhões de litros para 2009, devendo passar a 22,7 bilhões em 2010, graças a expansão do álcool hidratado (14% de aumento em 2009), já que o álcool anidro, que mistura 25% com a gasolina, se mantém em um consumo de 500 milhões de litros mensais.
PAC continua não decolando
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo governo federal, continua sem decolar e esbarrando na burocracia do próprio governo.
Estudo recentemente divulgado indica que apenas 17,3% dos recursos previstos foram efetivamente aplicados até agora. Em 2009, a situação é ainda pior, já que apenas 6,8% destes recursos foram disponibilizados.
E, por motivos políticos em especial, o governo já está preparando o PAC2, para ser lançado em 2010. Ora se nem mesmo o primeiro caminha a contento, tecnicamente não há necessidade de lançar um segundo Programa.
Este seria inclusive oferecido a investidores estrangeiros, na expectativa de que caminhe melhor do que o primeiro. O problema, na base, é sempre o mesmo: quando o interesse primeiro é político e não estrutural, apesar dos discursos, o projeto não caminha. Especialmente se encontra diante de si um emaranhado de ineficiência gerencial e burocracia desmesurada. No governo anterior, para quem não está lembrado, tivemos igualmente o plano
Avança Brasil, que também ficou pelo caminho pelos mesmos motivos. Ou seja, o Brasil tem necessidade de tais programas, porém, os mesmos precisam deixar de ser trampolim político e passar efetivamente a mirar o desenvolvimento estrutural do país.
O Brasil no caminho dos investimentos diretos
Os investimentos externos diretos (capital produtivo) são especialmente interessantes para um país, pois geram riqueza e pouca especulação. Geram produção e empregos, fato que favorece ao crescimento econômico.
Pois bem, diante do tamanho da crise econômico-financeira mundial, a Conferência de Desenvolvimento e Comércio da ONU (Unctad) prevê um recuo de 50% nestes investimentos em 2009, mundo afora. A expectativa é que o nível dos mesmos se recupere apenas em 2011, para atingir novamente US$ 1,4 trilhão como em 2008.
Mesmo assim, graças ao seu mercado interno e a estabilidade econômica e política, construída nestes últimos 15 anos particularmente, o Brasil, hoje, é o quarto país no mundo na preferência das transnacionais investidoras, atrás da China, EUA e Índia.
Para 2009 nosso país espera receber pelo menos US$ 30 bilhões em investimentos externos diretos.