Demografia Positiva
As últimas projeções divulgadas sobre a evolução da população brasileira são bem mais positivas do que se podia esperar. Segundo o IPEA, com base em dados do Pnad/IBGE, o Brasil atingirá o máximo de sua população em 2030. E esse número ficará bem aquém do que se prenunciava em 1970/80. O estudo aponta um total de 206,8 milhões de pessoas no país naquela data. Além disso, o mesmo indica que em 2040 a população nacional já será menor, ficando em 204,7 milhões de pessoas. Considerando que hoje estamos com aproximadamente 192 milhões de brasileiros, nos próximos 20 anos teremos ainda um acréscimo de 14,8 milhões de indivíduos. Apesar da redução populacional se tornar um risco, caso ela seja maior do que o chamado patamar de reposição (ou seja, o país perde mais habitantes do que nascem), o controle da natalidade é um dado positivo para o país. Menos habitantes permite que a renda média melhore e, sobretudo, permite que os gastos públicos em busca de um real desenvolvimento sejam mais qualificados, sem necessariamente aumentarem em volume. Obviamente, isso tudo requer organização e estrutura estatal para tanto, pois o desenvolvimento socioeconômico não se alcança pelo número de habitantes e sim pela capacidade que a sociedade tem em destinar sua riqueza em favor da melhoria da qualidade de vida do conjunto da sociedade. Ora, menos pessoas permite melhor direcionar esta riqueza, desde que os governos sejam capazes.
Demografia Positiva (II)
Mas nem tudo é positivo neste processo. Para se alcançar tal estimativa, notase que o Brasil reduziu em muito sua taxa de fecundidade. Em 2009, a média nacional era de 1,8 filho por mulher, enquanto o patamar de reposição é de 2 filhos. Ou seja, precisamos reequilibrar esta relação sob pena de, no futuro, nosso problema não ser mais a superpopulação e sim o “desaparecimento” da nação brasileira. Por outro lado, no mais curto prazo, um problema urgente a ser resolvido está na aposentadoria das pessoas. Os números acima indicam que a população nacional está, proporcionalmente, envelhecendo rapidamente. Isso requer uma revisão na idade mínima para aposentadoria, como a França e outros países acabam de fazer. Para tanto, uma reforma previdenciária terá que ser feita rapidamente. Enquanto a mesma não vem, seremos obrigados a trabalhar com subterfúgios tipo o “fator previdenciário” que, em hipótese nenhuma, em tal contexto, deve ser eliminado, sob pena de quebrar definitivamente o sistema. Mesmo que se tenha, recentemente, eleito alguns deputados e senadores em cima do discurso populista e simplista da eliminação de tal “fator”.
A Vez da Irlanda
Pois o propalado “tigre celta” dos anos de 1990, assim como seus homônimos da Ásia, em termos econômicos, mudou de categoria e não passa hoje de um pequeno gato em desespero. De uma crise anunciada ainda no início do ano, quando a Irlanda passou a fazer parte dos PIIGS (grupo de países europeus em situação de falência estatal), à total cristalização de tal crise, não se passaram mais de seis meses. Assim, na esteira da Grécia e de outros países mundo afora, a Irlanda igualmente sucumbe às medidas tomadas para enfrentar a crise econômico-financeira mundial que eclodiu em agosto de 2007. Já combalidos por gastos estatais elevados, os irlandeses foram obrigados a injetar na economia, para salvar seu sistema financeiro, algo em torno de 25 bilhões de euros nos últimos dois anos. E mais 4 a 9 bilhões de euros ainda deverão ser gastos, segundo as últimas projeções. No total, a Irlanda estaria consumindo cerca de 50 bilhões de euros para salvar seu sistema financeiro. O resultado disso tudo é que o déficit público irá bater em 32% do PIB em 2010, contra 14,3% em 2009. A dívida pública subirá para 99% do PIB, contra 64% em 2009. Em outras palavras, a Irlanda igualmente quebrou. Pior: entre o auge econômico dos anos de 1990 e a atual crise não se passaram mais de 15 anos! O que mostra a rapidez com que um país pode afundar se não souber controlar suas finanças públicas. E o agravante é que a recuperação da solvabilidade pode se dar (quando ocorre!) apenas no longo prazo. A conta, como sempre, está sendo paga pela população local: redução dos salários do funcionalismo público; redução nos créditos subsidiados às moradias; menores indenizações de desemprego; aumento das alíquotas de imposto de renda; impostos maiores sobre os combustíveis e outros produtos etc...Este é mais um exemplo que justifica nossos alertas quanto à condução da atual política do setor público brasileiro. Esperamos que o presidente que venha a ser eleito tenha a capacidade de enxergar o problema e efetivamente combatê-lo, deixando o populismo destruidor para trás, passada a campanha eleitoral.