O SUCESSO DO G20
O ponto forte da reunião do G20 em Londres, no dia 02/04, foi a objetividade. O mercado precisava de algo assim, pois não se podia mais ficar com afirmações vagas. O fato de a reunião ter definido valores e datas para o cumprimento de metas anticrise deu novo ânimo ao mundo.
Resultado disso, as bolsas de valores subiram mundo afora (a Bovespa ganhou 4,19% no mesmo dia, com seu índice fechando no melhor nível dos últimos seis meses).
O petróleo ganhou 9%, chegando a US$ 52,00/barril em Nova York, enquanto a soja, milho e trigo em Chicago igualmente subiram de preço. O segundo aspecto importante da reunião foi o consenso entre os países.
Havia receio de que não ocorresse um acordo entre os 20 países mais ricos e principais emergentes do mundo, dentre eles o Brasil, nessa reunião, o que seria um desastre. Mas diante do tamanho da crise, os países souberam construir propostas que mostraram uma coesão de propósitos, pelo menos por enquanto.
Isso reforça que o mundo, a partir de agora, deverá tomar as principais decisões econômicas em torno de um G20, limitando o papel do conhecido G7. E, nesse grupo, o Brasil faz parte, graças a sua persistência em se organizar e estabilizar sua economia desde 1994, quando se colocou em prática o Plano Real. Enfim, as medidas concretas anunciadas não foram surpresa.
O SUCESSO DO G20 (II)
Em primeiro lugar, ficou reforçado o papel das instituições supranacionais FMI e Banco Mundial. As mesmas receberão uma injeção de recursos, visando aplicar na combalida economia mundial, da ordem de US$ 1,0 trilhão.
Inclusive o Brasil irá participar com dinheiro na formação desse trilhão. Em segundo lugar, os países concordaram em aprofundar o esforço fiscal interno visando investir um total de US$ 5 trilhões na economia mundial até o final de 2010.
Em terceiro lugar, houve um consenso para que ocorram novas reduções nos juros em busca do reaquecimento econômico, fato que permite imaginar uma nova redução da Selic, mesmo que pequena, para o final de abril, quando da próxima reunião do Copom.
Enfim, e talvez o mais importante no longo prazo, um novo sistema de regulação do mercado financeiro, atacando os chamados paraísos fiscais e os fundos de alto risco, será implantado. Isso não significa estatizar o mercado e sim construir regras que o façam funcionar de forma a impedir novos abusos especulativos, causadores de crises como a que estamos vivendo.
Dito isso, é importante ter claro que esse conjunto de medidas leva certo tempo para ser posto em prática e surtir efeitos concretos.
Assim, o ano de 2009 e parte de 2010, pelo menos, continuará sendo de aperto e dificuldades, porém, a partir dos resultados do G20 já se pode imaginar que alcançamos o fundo do poço da crise e iniciamos uma reação para dele sair.
Resta esperar que a prática confirme o que foi posto no papel em Londres.
O CUSTO DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
Quando o presidente Lula, no final de 2008, sancionou a nova legislação ambiental, acabou sancionando um disparate. Embora a necessidade de uma proteção ambiental eficiente e o constante respeito à ecologia, não podemos extrapolar decisões que comprometam a economia nacional e setorial como tal Lei o fará.
Segundo pesquisa da Embrapa, se a mesma não for corrigida, os produtores rurais brasileiros somente poderão aproveitar, para a produção agrícola, 23% do território nacional.
Com isso, segundo o Ministério da Agricultura, mais de um milhão de produtores nacionais ficarão inviabilizados, dentre eles milhares de pequenos e médios agricultores, inclusive no Noroeste gaúcho.
Em termos econômicos, o custo do decreto representa 7,6% do PIB brasileiro, ou seja, R$ 220 bilhões no mínimo. Em termos práticos, isso representaria uma vez e meia o prejuízo que a seca provocou no Rio Grande do Sul em 2005.
Ocorre que a lei seria constante e, portanto, todos os anos se deixaria de gerar, na agricultura, tamanha riqueza. Além disso, o Brasil perderia espaço no mercado internacional como fornecedor de alimentos, enfraquecendo definitivamente um setor que representa hoje um terço da riqueza nacional, que é o agronegócio.
Os países concorrentes e particularmente os países ricos, que subsidiam suas produções agropecuárias e já usaram ao extremo seu meio ambiente, sustentados por ONGs interesseiras e seus apoiadores nacionais, que nos levam a um atraso tecnológico e econômico, serão os maiores beneficiados de tal decisão intempestiva avalizada pelo executivo federal.
PIB BRASILEIRO
O Banco Central brasileiro também se rende às evidências, mesmo que ainda bastante conservador, e reduz a projeção de crescimento do PIB nacional para 2009, passando-a de 3,2% para 1,2%.
Lembramos que o setor privado nacional e órgãos internacionais já apontam para uma estagnação em nossa economia em 2009, com um crescimento próximo a zero.