Economia real não autoriza euforias
Os números da crise econômica mundial, até agora já computados, não deixam dúvidas quanto a sua gravidade. Igualmente indicam que 2009 realmente é o ano da aterrissagem no fundo do poço e 2010 tende a ser o momento da decolagem, mesmo que lenta. Segundo dados divulgados pelo presidente do Banco Central brasileiro, Sr. Henrique Meirelles, até o momento o mundo já perdeu US$ 28 trilhões desde outubro passado, enquanto o comércio mundial caiu 11% e o PIB médio mundial está projetado em menos 1,3% para 2009.
Nestas condições, todo cuidado é pouco e não está permitido euforias, pois não há nenhuma justificativa concreta, com base na economia real, que autorize a imaginar que o movimento altista da Bovespa, por exemplo, (assim como a forte valorização do Real em contrapartida) tenha sustentação por longo ou mesmo médio prazo.
Salvo se assistirmos a um retorno do processo especulativo exagerado, como foi o caso dos anos anteriores ao estouro da crise, o qual é causador justamente de distúrbios econômicos.
Investimento estrangeiro diminui
Reflexo da crise econômica mundial, os investimentos externos diretos (capital produtivo) deverão diminuir fortemente em 2009 na América Latina e no Caribe, atingindo a todos os países.
Estes recursos, que são muito apreciados pelos países, pois alavancam suas economias sem gerar especulações financeiras desagradáveis, complementam a capacidade de investimentos em infraestrutura que os países subdesenvolvidos e emergentes necessitam.
A entrada dos mesmos na região está sendo estimada menor entre 35% e 45% neste ano, segundo a Cepal (Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe). Em 2008 os investimentos externos na região chegaram a US$ 128,3 bilhões, ou 13% acima do registrado em 2007.
Somente a América do Sul recebeu 89,8 bilhões e o Brasil US$ 45,06 bilhões (aumento de 30% sobre 2007). Isso dá a dimensão do prejuízo regional nesta rubrica diante do tamanho do recuo previsto para 2009.
A título de informação, os maiores investidores em 2008 foram a Espanha, com 9% do total, e os EUA, com 24% do total. Exatamente dois dos principais países atingidos pela atual crise econômica.
Preço do miho tende a melhorar
O preço do milho no balcão que, no Rio Grande do Sul e mesmo no país, já estava em ascensão, deverá melhorar ainda mais nas próximas semanas. Isso se deve as estimativas de perdas importantes na safrinha do Paraná, devido as fortes geadas desta primeira semana de junho.
Segundo levantamentos iniciais, no oeste paranaense as perdas podem chegar a até 50%. No Paraná, como um todo, fala-se em perdas de 14% nesse momento, após as perdas de 35% na safra de verão, devido a estiagem.
Os preços médios no Rio Grande do Sul, que no início de abril eram de R$ 16,79/saco, passaram a R$ 17,92 no início de maio e, neste início de junho, já estão em R$ 18,59/saco. Ou seja, em dois meses, ponto a ponto, o preço se elevou 10,7%.
Bom para os produtores do grão, todavia, ruim para os criadores e produtores de leite já que o custo de produção sobe.
Ganhos da soja superam Wall Street
Nestes primeiros cinco meses do ano e dois primeiros dias de junho a soja em Chicago subiu mais do que os rendimentos médios obtidos na Bolsa de Valores de Nova York, a conhecida Wall Street.
Enquanto o bushel de soja, em Chicago, se valorizou 24,6% no período, as ações negociadas em Nova York acumularam apenas 1,2% no mesmo espaço de tempo. Esse movimento confirma que as altas em Chicago são especulativas, com o capital financeiro que ainda sobrevive à crise deixando de lado as ações, com pouco rendimento, e buscando mais uma vez as commodities.
No mesmo período, a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) registrou um ganho acumulado no ano de 43,8%, puxada exatamente pelo mesmo movimento especulativo de capitais, desta feita em busca do nosso juro anual de 10,25% (Selic).
Todavia, a soja, no mercado físico gaúcho, em função de um Real novamente sobrevalorizado e da entrada da nova safra, ganhou apenas 7,5% no período, com o preço médio estadual, no balcão, fechando a primeira semana de junho em R$ 47,06/saco.
Mesmo assim, um ótimo preço se considerarmos o comportamento histórico dos mesmos.
Parmalat não supera crise
A enorme crise que derrubou a multinacional italiana do leite, a conhecida Parmalat, em meados dos anos 2000, apesar dos esforços, parece não ter sido superada. Tanto é verdade que a Danone francesa está negociando a compra das unidades da matriz, em Parma (Itália).
Aqui no Brasil a Nestlé, hoje instalada também em Palmeira das Missões, estaria interessada na unidade de Carazinho da Parmalat. Ou seja, apesar das dificuldades de mercado, especialmente para o produtor, o leite continua sendo um produto de futuro no mercado nacional e mesmo mundial.
Após a readequação do setor, a partir do término da crise mundial, existem boas condições deste mercado crescer mais em demanda.