BOLSA DE VALORES DEVE SER MELHOR NESTE ANOApós ter registrado um ganho superior a 82% em 2009, a Bovespa, em 2010, foi uma total decepção aos aplicadores. Seu ganho acumulado foi pouco superior a 1%. Assim, o aplicador acabou tendo um rendimento real negativo já que o IGPM do ano passado ficou em 11,32% e o IPCA deve ter ficado ao redor de 5,5% anuais (o valor definitivo ainda não havia sido divulgado quando escrevemos esta coluna). Todavia, para 2011 a tendência é de recuperação nos ganhos, diante da perspectiva da entrada maciça de dólares no país.
Alguns analistas adiantam que o IBOVESPA, que nessa primeira semana de , possa avançar para níveis entre 80.000 a 86.000 pontos no final deste novo ano. Isso representaria um ganho aproximado de 30% no acumulado do ano. Contra esta perspectiva, lembramos que para 2010 igualmente os analistas do setor esperavam um ganho muito mais robusto, com o índice chegando a 80.000 pontos, o que não aconteceu.
Por outro lado, o governo brasileiro está aumentando sua ação visando conter a sobre valorização do Real e reduzir a entrada de dólares no país. O estabelecimento de um compulsório bancário sobre operações cambiais, anunciado nesta semana, e a possibilidade de um aumento de 0,5 ponto percentual na taxa Selic ao final da reunião do Copom, no dia 19/01, jogam contra a recuperação da Bolsa.
BALANÇA COMERCIAL SURPREENDE NO FINAL Contrariando as projeções realizadas até outubro, o saldo da balança comercial brasileira, mesmo com um real sobrevalorizado, acabou ficando bem maior em 2010. Assim, diante de exportações que somaram US$ 201,916 bilhões e importações totais de US$ 181,638 bilhões, o saldo final ficou em US$ 20,278 bilhões, quando o mercado projetava algo ao redor de US$ 16 bilhões. As exportações cresceram 32%, enquanto as importações aumentaram 42,2% em relação a 2009. Todavia, mesmo melhorando a performance no final do ano, o saldo comercial recuou 19,8% no ano passado.
Para 2011, em continuando a sobrevalorização do Real (e nada indica que haverá grandes mudanças neste sentido), o mercado projeta um saldo comercial de apenas US$ 8 bilhões. O melhor mês de exportação brasileiro foi justamente dezembro, com US$ 20,9 bilhões. Já nas importações, o mês de maiores compras no exterior foi setembro, com US$ 17,7 bilhões. Vale destacar ainda que a China vem assumindo cada vez mais importância nas trocas comerciais com o Brasil.
Em 2010 o país asiático foi o que mais trocou produtos com nosso país. Exportamos US$ 30,8 bilhões, o que representa um aumento de 46% sobre 2009. No ano passado, as exportações brasileiras para a China representaram 15,2% do total exportado pelo Brasil, contra 13,7% um ano antes.
NOVAS MEDIDAS CONTRA A SOBREVALORIZAÇÃO DO REALA sobrevalorização do Real continua assombrando o governo brasileiro e nossos exportadores. Nesta primeira semana de janeiro de 2011 chegamos a ver nossa moeda cotada a R$ 1,64. E, por enquanto, as medidas oficiais para conter tal situação não têm surtido efeito. Uma delas, a compra de dólares pelo Banco Central, com o conseqüente aumento das reservas internacionais do país, fracassou em 2010. Efetivamente, no ano passado o BACEN comprou US$ 41,4 bilhões no mercado, elevando as reservas para US$ 288,6 bilhões.
Todavia, o Real, que havia começado o ano a R$ 1,74, terminou 2010 a R$1,66. Paralelamente, o aumento do IOF sobre aplicações financeiras, agora já em 6%, igualmente pouco resolveu. Segundo o Banco Central brasileiro, desde 2003 o Real acumula alta de 108% em relação ao dólar estadunidense. Agora, nesse início de 2011, o governo volta a agir anunciando a aplicação de um depósito compulsório equivalente a 60% das posições que os bancos mantêm em dólares, sempre que superem os US$ 3 bilhões e o valor patrimonial de referência da instituição. É uma maneira de tentar enxugar dólares do mercado e, com isso, segurar o Real pelo menos ao redor de R$ 1,70. Pelo sim ou pelo não, o fato é que esta queda de braço entre o BACEN e o mercado cambial dará ainda muito que falar em 2011.
No fundo, o problema está no fato de que os EUA continuam atuando no sentido de deixar sua moeda perder valor diante das principais moedas mundias. Contra isso, o governo brasileiro tem pouco a fazer!