Relatório de plantio nos EUA - soja
O mercado da soja esperava com expectativa o relatório definitivo de plantio da nova safra dos EUA. O mesmo saiu nesse último dia 30 de junho e trouxe algumas pequenas surpresas, embora nada que o mercado já não antecipasse.
Em primeiro lugar, a área semeada com soja foi realmente revista para cima, crescendo 2% em relação ao ano anterior (lembramos que a intenção de plantio, em março, apontava um incremento de apenas 0,5% nessa área).
Assim, a mesma é de 31,4 milhões de hectares. Por sua vez, a área a ser colhida com a oleaginosa sofreu um incremento de 3%, devendo alcançar 31 milhões de hectares. Portanto, estamos diante de uma área recorde nos EUA a qual, em caso de clima normal até a colheita, poderá gerar igualmente uma safra recorde, projetada entre 87 e 88 milhões de toneladas de soja.
Nestas condições, as cotações em Chicago reforçaram a tendência que sinalizamos no comentário da semana passada. Os preços no presente se mantiveram elevados, porém, para os meses futuros há forte recuo, com um aumento na diferença entre, por exemplo, o cotado entre julho e novembro (momento da colheita nos EUA).
Tal diferença chega agora ao redor de US$ 2,50 por bushel. Isso, diante de um Real que voltou a se valorizar, aponta para preços menores para o produtor brasileiro no final do segundo semestre, podendo tal tendência continuar para 2010.
Tudo agora fica na mão do clima nos EUA o qual, por enquanto, está normal.
Relatório de plantio nos EUA - milho e trigo
O mesmo relatório do USDA, divulgado no dia 30 de junho, indicou igualmente a área semeada de milho, trigo e algodão, além de outras culturas. No caso do milho, a área semeada chega a 35,2 milhões de hectares, surpreendendo o mercado, pois confirma um crescimento de 1% sobre o ano anterior, quando todos esperavam área menor.
Esta área de 2009 é a segunda maior área desde 1946, perdendo apenas para o ano de 2007. Quanto a área a ser colhida, o relatório projeta 32,4 milhões de hectares, ou seja, 2% acima do colhido em 2008. Nessas condições, em clima normal, o volume da colheita de milho nos EUA poderá chegar a algo entre 310 e 320 milhões de toneladas.
Esse fato derrubou as cotações do cereal em Chicago, mesmo nos primeiros meses cotados. Quanto ao trigo, o relatório reduziu a área semeada nos EUA em 5%, trazendo-a para 24,2 milhões de hectares. Esse recuo na área naturalmente traz uma projeção de forte redução na produção local do cereal.
A mesma deverá registrar cerca de 10 milhões de toneladas a menos do que o colhido no ano passado. Mesmo assim, as cotações do trigo em Chicago encontram dificuldades para subir para além do que já alcançaram, havendo mesmo recuos nesse início de julho (estamos em momento de colheita do trigo de inverno nos EUA).
Enfim, fica o registro igualmente de que a área semeada com algodão naquele país foi reduzida em 4%, ficando em 3,66 milhões de hectares.
A inadimplência prevista
Se por um lado é positiva a atitude do governo em prorrogar a redução dos impostos incidentes sobre determinados setores da economia nacional, caso dos automóveis, eletrodomésticos, construção civil etc..., visando manter o consumo e, com isso, evitar uma queda maior no PIB deste ano no Brasil, por outro lado se confirma o risco de tal movimento acelerar a inadimplência do consumidor nacional, gerando um bloqueio futuro da economia.
Esse alerta que se vinha dando desde o ano passado, começa a se verificar na prática. O alto consumo de automóveis no final do ano passado, na esteira do convite oficial para que o brasileiro consumisse, esbarrou num processo consumista sem responsabilidade.
Ou seja, muitos saíram a consumir sem ter as condições para bancar as dívidas feitas. Aliás, algo que continua a ocorrer ainda hoje. No setor automobilístico, o mês de maio passado registrou 5,4% de calote nos empréstimos feitos para a compra de carros (parcelas com atraso de pelo menos 90 dias).
Foi o maior percentual da série histórica! Em outros setores a situação chega a ser ainda mais grave!
Assim, estamos impedindo um recuo ainda maior na economia no momento, à custa de forte inadimplência que compromete o futuro.
Argentina: o populismo sob cobrança
Demorou mas chegou o momento do desastrado governo argentino, calcado num populismo retrógrado, pagar a conta. As eleições parlamentares do final de junho levaram a uma derrota importante do casal Kirchner que, ao estilo Chavez e outros, deseja(va) se perpetuar no poder do vizinho país.
O caos que a condução político-econômica dos Kirchner conduziu a Argentina, com inflação em disparada, falta de crédito, confiscos sobre a produção, desabastecimento de produtos tradicionais como a carne, leite e mesmo gasolina, somado ao descontrole da saúde pública diante da gripe A, terminaram por trazer à razão a maioria do eleitorado.
Como a história sempre nos ensinou, diante do populismo, o povo ganha alguma coisa no presente, porém, hipoteca seu bem-estar futuro, ganhando como herança uma conta difícil de ser paga.
A tendência atual é de que uma nova geração de argentinos será “sacrificada” num momento em que a maioria dos países, dentre eles o Brasil, melhora sua posição no cenário mundial.
Isso porque soubemos conservar e ampliar os ganhos que o Plano Real nos trouxe, após 15 anos de estabilização econômica.