Preços do Trigo Tendem a Melhorar
Finalmente, após quase dois anos, os preços do trigo no Brasil começam a melhorar. Na verdade, os produtores rurais nacionais obtiveram duas boas notícias neste início de agosto. Em primeiro lugar, graças a forte especulação em Chicago, motivada por notícias de que o calor na Rússia, Ucrânia e outros países do Leste Europeu, estaria provocando fortes quebras na safra do cereal, as cotações do mesmo quase dobraram em um mês. O bushel de trigo, que no dia 1º de julho valia US$ 4,84, fechou o dia 05 de agosto valendo US$ 7,85. Um ganho extraordinário de 62% no período. Paralelamente, a Rússia anunciou o fechamento de suas exportações de trigo e outros cereais, inclusive de embarques já contratados, devido ao risco de quebra forte em sua oferta. Diante disso, as importações de trigo pelo Brasil, embora auxiliadas pelo câmbio que se mantém ao redor de R$ 1,75 por dólar, acabam se tornando mais caras. Em as importações encarecendo, o produto nacional que ainda está em estoque, ganha valor. Soma-se a isso o fato de empresas gaúchas estarem organizando uma exportação do cereal, por incrível que pareça, visando escoar um produto que não vinha encontrando comercialização há alguns meses no país.
Preços do Trigo Tendem a Melhorar (II)
Assim, o produto em lotes começou a ter reação em seus preços no Paraná e Rio Grande do Sul, fato que poderá se estender no futuro próximo aos preços de balcão. Resta saber quanto tempo irá durar essa alta internacional do trigo, pois o movimento é muito especulativo. Uma boa resposta poderá vir do próximo relatório de oferta e demanda do USDA (órgão agrícola do governo dos EUA), que é esperado para este próximo dia 12/08. Afora isso, vale destacar que o Superior Tribunal de Justiça anulou a redução de 10% no futuro preço mínimo do trigo. Assim, continua vigorando a portaria nº 324, de 2009, que estabelece R$ 31,80/saco para o trigo pão tipo 1 e R$ 26,46/saco para o trigo brando tipo 1. Nesse último caso, é bom lembrar que tais preços somente servem para referência e para balizar os leilões de PEP quando o governo os realiza. Caso contrário, o produtor de trigo fica na dependência apenas do mercado o qual, durante toda esta safra passada, manteve o saco de trigo no balcão gaúcho apenas entre R$ 21,00 e R$ 22,00, com muitos momentos em que não houve comprador para o produto.
Mais Crédito e Menos Juro (?)
O aquecimento excepcional da economia neste ano de 2010 se deve a dois elementos particulares. Em primeiro lugar, o fato de que a base de comparação é muito baixa (crescimento negativo de 0,2% em 2009 no PIB nacional). Em segundo lugar, pelo fato de o governo estar disponibilizando, desde o final do ano passado, muito crédito ao mercado (o estoque de empréstimos cresceu 8% no primeiro semestre, se estabelecendo em R$ 1,53 trilhão ou 45,7% do PIB nacional). Até o final de junho passado, somente as pessoas físicas haviam recebido R$ 496,9 bilhões em crédito. As indústrias alcançaram 323,9 bilhões e outros serviços R$ 265,2 bilhões. Essa irrigação da economia gerou um consumo quase desenfreado, particularmente junto a classe C, fato que naturalmente vem gerando forte endividamento social e empresarial. Paralelamente, a oferta maior de crédito derrubou as taxas médias de juro, com a mesma se estabelecendo, em junho, no menor patamar desde 1994, quando o Plano Real foi lançado. Todavia, que taxa média é esta? Ora, a mesma continua em enormes 40,4% ao ano, após 45,6% ao ano registrado no mesmo período de 2009. Ou seja, o juro caiu, porém, o patamar praticado continua altíssimo, comprometendo o futuro de todo e qualquer devedor. Além disso, com o aumento da Selic a partir de abril passado, os juros no Brasil já começaram a subir novamente, fato que requer um cuidado ainda maior ao se tomar empréstimos no sistema financeiro nacional. Na verdade, os bancos não reduziram os juros no primeiro semestre. O que ocorreu foi a busca, por parte dos agentes econômicos, de modalidades de crédito mais baratas que, a partir de agora, começam a desaparecer do mercado.
PIB e Renda Média Nacional Melhoram
O PIB nacional cresceu, em média, 3,6% ao ano desde 2003. Na década de 1980 o mesmo havia crescido apenas 1,7% ao ano enquanto na de 1990 o crescimento médio foi de 2,6% ao ano. Embora não tenhamos conseguido acompanhar o crescimento médio do mundo entre 2003 e 2009, que foi de 3,7%, o Brasil conseguiu melhorar em muito sua performance econômica. Isso significa que conseguimos, graças a estabilidade econômica, aproveitarmos bem o período de bonança econômica mundial ocorrido entre 2003 e 2008, quando o crescimento foi global. Com isso, a renda média do brasileiro aumentou, tendo chegado a US$ 10.325,00 pelo critério de Paridade de Poder de Compra, em 2008. A mesma, segundo o FMI, seria a maior da história nacional, com possibilidades de aumentar novamente em 2010. O problema neste raciocínio é que estamos diante de uma média, que esconde a concentração de renda e as desigualdades, que continuam enormes no país, apesar dos esforços já realizados. Além disso, a melhoria na renda e no PIB não necessariamente significa melhor desenvolvimento do país, pois não basta gerar mais riqueza se não conseguimos transformá-la em melhor qualidade de vida da população via serviços públicos e infraestrutura adequados. Enfim, o grande desafio a partir de agora é conseguir manter o ímpeto do crescimento econômico para os próximos anos, sem gerar inflação e num momento em que o mundo se transforma, promovendo uma readequação na oferta de crédito produtivo, sem falar numa reestruturação dos Estados.