Balança comercial confirma dificuldades externas
Apesar do superávit comercial ser maior, nestes primeiros sete meses de 2009, em relação ao ano passado (US$ 16,91 bilhões contra US$ 14,63 bilhões), o comportamento de nossa balança comercial confirma as dificuldades da economia mundial. Essa realidade implica em dizer que a economia brasileira está se sustentando, bem ou mal, graças ao mercado interno que, diante de uma demanda reprimida, responde favoravelmente aos incentivos do governo (baixa de juros, redução de impostos, aumento do crédito público).
Para se ter uma ideia do comportamento de nosso comércio exterior entre janeiro e julho desse ano, os dados oficiais indicam um superávit, em julho, de US$ 2,928 bilhões. O mesmo é 36,7% menor do que o obtido em junho passado e 12% abaixo do realizado em junho de 2008.
Além disso, as exportações recuaram 23,8% na média diária negociada, enquanto as importações caíram 29,9% no período. Em termos de comércio em 12 meses (agosto/08 a julho/09), o saldo comercial é menor, ficando em US$ 27,1 bilhões, contra US$ 30,7 bilhões em igual período do ano anterior (agosto/07 a julho/08).
Nesse caso, as exportações recuam 7,3%, enquanto as importações perdem 6,4%. Outro dado revelador é que, apesar do trabalho oficial em diversificar nossos mercados compradores, nos primeiros sete meses deste ano 41,4% de nossas exportações se concentraram em apenas cinco países (China, com US$ 12,4 bilhões; EUA, com US$ 8,6 bilhões; Argentina, com US$ 6,0 bilhões; Países Baixos, com US$ 4,6 bilhões; e Alemanha, com US$ 3,2 bilhões). Exceção feita à China, todos eles fortemente atingidos pela crise mundial.
Itaipu e o Brasil
Mais uma vez, por conta de uma suposta geopolítica em favor de países mais pobres (leia-se, nesse caso, populistas e com viés anti-liberal) o Brasil compromete as contas nacionais e penaliza sua população. Já havia sido assim com a Bolívia e com a Argentina, para citar alguns casos, e ocorre agora com o Paraguai.
Nosso governo acaba de triplicar o valor a ser pago ao Paraguai pela energia excedentária de Itaipu (o Paraguai, que não entrou com nenhum centavo para a construção da usina, tem direito a 50% da energia nela gerada, porém, somente consome 5% da mesma, tendo fechado um acordo com o Brasil de revender o restante para nosso país a um preço previamente estipulado quando da inauguração da usina nos anos de 1970.
Com isso, até 2023, estaria paga a parte que lhe cabia na construção de Itaipu e os preços da energia seriam revistos.). Com a possibilidade de antecipação na alteração dos preços da energia (o Congresso Nacional ainda deve se pronunciar a respeito), o governo brasileiro ajuda um governo populista que prometeu o que não podia cumprir, além de sustentar um presidente (Sr. Lugo) que viu sua aceitação cair estrepitosamente em poucos meses, particularmente após os seus deslizes éticos enquanto Bispo, devidamente escondidos durante a campanha para as eleições presidenciais.
No Brasil, mesmo que o governo diga que o consumidor de energia e o contribuinte não pagarão a conta, é bom lembrar uma simples equação que geralmente pouco se fala: o Tesouro Nacional, então, terá que arcar com as despesas adicionais de Itaipu e, quando isso ocorre, toda a Nação brasileira paga a conta, direta ou indiretamente, particularmente via menos investimentos, saúde, educação, segurança etc.
Podemos concordar com as necessidades do Paraguai, porém, a forma como negociamos a situação foi novamente um desastre de política externa.
Nova Estatal para o Pré-Sal
O governo brasileiro acaba de anunciar que estão em estudo novas regras para a exploração do petróleo descoberto no pré-sal brasileiro. As mesmas se encaminham para a criação de uma nova estatal, específica para o caso. Fala-se de se constituir uma empresa enxuta, com poucos funcionários, no estilo norueguês.
Ora, se realmente a Petrobrás fosse o que se quer deixar transparecer, não haveria necessidade de se criar uma nova estatal para o caso. Já temos a maior transnacional brasileira na área e uma das maiores do mundo.
Em segundo lugar, estamos escamoteando os cidadãos brasileiros que apostaram na política de fortalecimento da Petrobrás via venda de ações, estimulada pelo próprio governo federal. Hoje 60% de suas ações estão em mãos privadas, fato que assusta o governo, pois perdeu o controle da situação por absoluta incompetência.
Com isso, quem esperava uma valorização de sua poupança ao investir em ações da Petrobrás, a partir da exploração do pré-sal, descobre que a estatal ficará com apenas 30% da exploração do mesmo. Enfim, acreditar que a nova estatal não será um cabide de emprego oficial, num contexto público como o que vivemos atualmente, até prova em contrário é delírio de ingenuidade.
Novas regras são necessárias, porém, nada que não se pudesse fazer através da própria Petrobrás, particularmente quanto às boas ideias de se criar, com o dinheiro do pré-sal, um Fundo de Desenvolvimento Social e um Fundo de Equilíbrio Cambial.