Preços agropecuários realmente melhores (I)
O mês de abril é o período em que a safra de verão ganha maiores proporções no Rio Grande do Sul. Isso porque a soja está em plena colheita, o milho já foi colhido em boa parte, o feijão primeira safra igualmente, e o arroz caminha para o encerramento da colheita. Com isso, é chegado o momento da comercialização da produção, particularmente para os produtores que não costumam vender antecipadamente a sua produção. Cabe, portanto, uma verificação se, no momento da colheita e venda dos produtos, os preços efetivamente estão melhores do que os praticados no ano anterior, nessa mesma época. Tomando como referência a média estadual (base Emater), nota-se que a soja fechou esta semana com preço médio de R$ 43,97/saco, contra R$ 33,21 um ano antes. Ou seja, mesmo com preços mais fracos no momento, ainda assim o produto está com pouco mais de 10 reais acima dos valores médios praticados em abril de 2010. O milho igualmente apresenta uma performance significativa, com a média atual ficando em R$ 24,50/saco, contra R$ 15,14 um ano antes. Ou seja, o cereal registra um ganho de 61,8% em 12 meses. Em contrapartida, o arroz despencou, penalizando os produtores gaúchos. Atualmente, sua média é de R$ 19,92/saco de 50 quilos, contra R$ 26,75 um ano antes. Ou seja, tem-se aí uma perda de 25,5%. O feijão praticamente estabilizou no período. A média atual está em R$ 69,91/saco, contra R$ 62,38 em abril de 2010. O ganho ponto à ponto é de 12,1%.
Preços agropecuários realmente melhores (II)
O sorgo, cereal que acompanha o milho na formação de seus preços, igualmente subiu, batendo hoje em R$ 18,30/saco, após R$ 11,70 um ano antes. Enfim, até mesmo o trigo melhorou nesse momento, com a média de preços no balcão chegando, hoje, a R$ 24,58/saco no mercado gaúcho, contra R$ 21,67 um ano antes. O ganho é de 13,4% no período. Ou seja, pelo lado dos principais produtos agrícolas, apenas o arroz está destoando. Já na pecuária, todos os principais produtos registram elevação de preços nos últimos 12 meses. O quilo vivo do boi gordo, por exemplo, que em abril de 2010 fechou a primeira semana de abril na média de R$ 2,43, atualmente está em R$ 3,14, acusando um ganho de 29,2% no período. A vaca gorda e o suíno igualmente apresentam resultados melhores, embora neste último caso tenha havido um recuo até sensível dos preços em relação ao final do ano passado. Assim, o quilo vivo da vaca gorda atinge, hoje, R$ 2,77, contra R$ 2,15 um ano antes. Já o suíno tem o seu quilo vivo valendo, em média, R$ 2,25, após R$ 2,03 um ano antes. O cordeiro para abate, mesmo tendo registrado um forte recuo nos seus preços atuais (R$ 2,25/quilo vivo), ainda ganha 2,3% sobre igual momento do ano passado. Por sua vez, o litro de leite alcança, agora, R$ 0,65, contra R$ 0,59 em abril do ano anterior. Isso equivale a um ganho de 10,2% no período. Enfim, o quilo vivo do frango subiu de R$ 1,50 para R$ 1,92 entre abril/10 e abril/11. Isso equivale a um ganho de 28% no período.
Risco Brasil diminui ainda mais
No momento em que o governo brasileiro se vê às voltas com uma enorme entrada de dólares no país, puxados pelos juros elevados e a estabilidade política e econômica existente, uma notícia veio preocupar o Banco Central. A agência de avaliação de risco Fitch Ratings acaba de elevar a nota soberana de crédito do Brasil, passando-a para BBB. Outrora festejada pelo governo e economistas nacionais, pois reflete a confiança externa em nossa economia, agora a mesma causa calafrios. Isso porque tal notícia tende a atrair mais dólares para o Brasil, forçando maior sobrevalorização do Real. A tal ponto que no dia 07/04 o câmbio bateu em R$ 1,58, flertando com a maior cotação que o Real já recebeu desde nossa adoção do câmbio flutuante, em janeiro de 1999, a qual foi de R$ 1,56 em 31/07/2008. Para complicar a situação, o mercado sabe que, pelo fato da inflação interna não ceder na velocidade desejada (pelo contrário, a crise dos combustíveis pode ainda fazê-la subir um pouco mais nas próximas semanas), novos aumentos na taxa Selic deverão ocorrer. Isso atrairia ainda mais dólares para o Brasil. Tal situação está sendo muito difícil para os exportadores e uma benesse para os importadores, já que Real sobrevalorizado estimula importações e desestimula exportações. O exemplo concreto de tal realidade pode ser visto no preço da soja. Tomando-se como referência apenas a modificação cambial, se nesse mês de abril estivéssemos com o câmbio médio praticado em abril do ano passado (R$ 1,76), o saco de soja no balcão gaúcho, ao invés de R$ 43,97 na média estadual, estaria ao redor de R$ 48,00. Não há dúvida que o governo terá que adotar novas e diretas medidas para tentar conter a sobrevalorização do Real. O problema é que tal realidade não depende somente do Brasil, já que o dólar continua perdendo força no mundo por decisão do próprio EUA.