PIB: a freada será maior
Os últimos dados do IBGE, relativos ao Produto Interno Bruto brasileiro, nos trazem possibilidade de inúmeros esclarecimentos a respeito da saúde de nossa economia. Em primeiro lugar, o PIB de 2009 foi revisado para baixo. O número final ficou em -0,6%, contra -0,2% até aqui anunciado. Ou seja, o impacto da crise mundial sobre a economia brasileira foi ainda maior do que se imaginava. Principalmente porque o PIB de 2008 havia sido corrigido para cima, ficando em 5,2%. Em segundo lugar, fechado os cálculos do terceiro trimestre de 2010, tem-se que a economia nacional cresceu 6,7% entre julho e setembro, quando comparada com o mesmo período de 2009. E mais, no acumulado de 12 meses, terminado em setembro/10, nosso PIB ficou em 7,5% de crescimento, sobre o mesmo período dos 12 meses anteriores. Além disso, no acumulado de 2010, nos nove primeiros meses, o PIB alcança 8,4%. Ou seja, nesse ritmo, a economia brasileira poderá fechar o ano com um PIB ainda mais elevado do que o projetado. Especula-se agora em algo ao redor de 8%. Portanto, o aquecimento da economia brasileira é maior do que se imagina, puxado pelo crédito público. Com isso, o impacto da freada iniciada neste final de ano, para 2011, será ainda maior, pois se projeta um crescimento de “apenas” 4,5% para o próximo ano. Desta forma, precisamos nos preparar para uma situação necessária, porém, que tende a ser ainda mais desagradável do que inicialmente se projetava. Enfim, tal freada já começou a surgir nos atuais números anunciados. O PIB do terceiro trimestre, por exemplo, cresceu apenas 0,5% em comparação ao 1,8% do segundo trimestre. Este, por sinal, já havia recuado, pois o primeiro trimestre do ano finalizou com 2,3% de crescimento na geração de riquezas no país. Nesta circunstância, mesmo com as medidas recentemente tomadas de contenção do crédito, não há como evitar um aumento na taxa de juro Selic em 2011. Principalmente porque, na sua primeira declaração após ser escolhido para a presidência do Banco Central, Alexandre Tombini surpreende ao defender a ideia de que o Brasil deve reduzir sua meta inflacionária. Ou seja, trazê-la abaixo de 4,5% ao ano, medida pelo IPCA.
Soja: preços continuam firmes
A partir da manutenção de cotações elevadas na Bolsa de Chicago, ao redor de US$ 13,00/bushel para maio, e da estabilização do câmbio ao redor de R$ 1,70 por dólar, os preços da soja no balcão gaúcho registram valores médios, neste início de dezembro, de R$ 43,84/saco. No ano passado, nesta mesma época, o valor do produto era de R$ 41,64/saco. O ganho é ainda mais interessante se recordarmos que em abril passado, momento de nossa última colheita, o saco de soja era negociado a apenas R$ 33,00. Dito isso, é importante estarmos atentos, pois o mercado se mantém muito volátil. As alterações para baixo nas cotações poderão ocorrer até a nossa futura colheita, já que a produção geral não registra recuos importantes. Isso, bem entendido, se não houver perdas significativas no sul do Brasil e na Argentina devidas ao fenômeno climático La Niña. Assim, a realização de média de comercialização, aproveitando-se de preços elevados ofertados nesse momento, para abril de 2011, continua sendo a melhor estratégia para os produtores rurais. Particularmente porque, utilizando-se de todos os principais fatores que compõem a formação do preço de balcão gaúcho, a tendência de preço para abril próximo é de algo entre R$ 42,00 e R$ 43,50/saco. Ainda no primeiro semestre deste ano, as mesmas projeções indicavam valores entre 8 e 10 reais a menos. Nesse contexto, para a economia gaúcha em geral e a economia regional em particular, diante de um cenário de desaquecimento do PIB nacional, será de extrema importância que o clima nos ajude e que tenhamos safra normal, pois os preços médios apontam, por enquanto, para uma substancial melhoria em relação a última safra.
Soja: Brasil deve exportar mais
Recentes projeções de analistas privados nacionais (Safras & Mercado) dão conta de que o Brasil, em 2011, poderá alcançar um total exportado de US$ 20 bilhões com o “complexo soja” (grão, farelo e óleo). Esse valor será o resultado de um volume vendido de 45,6 milhões de toneladas, dividido em 30,2 milhões em grãos de soja, 14 milhões em farelo de soja e 1,4 milhão de toneladas em óleo de soja. A melhoria dos preços internacionais da soja e seus derivados também ajuda a projetar tais números. No entanto, independente disso, a evolução brasileira nas vendas externas do “complexo soja” é enorme nos últimos anos. Há 10 anos (2001), o total negociado com o exterior somou US$ 5,3 bilhões, para um volume de 28,6 milhões de toneladas, sendo 15,7 milhões em grãos de soja, 11,3 milhões em farelo e 1,65 milhão de toneladas em óleo. Nota-se que, enquanto o volume exportado do “complexo” cresceu 59,4%, o valor recebido aumentou 277,4%, graças a uma mudança para cima na estrutura média dos preços internacionais da oleaginosa e seus derivados. Nota-se igualmente que o Brasil se consolida como forte exportador de grãos de soja nesse período, com crescimento de 92,4% no volume vendido ao exterior. Ao mesmo tempo, o volume das exportações de farelo cresceria 23,9%, enquanto as vendas de óleo recuariam de 15,2%.