OS JUROS E O CUSTO DO ESTADO
O Brasil precisa que os juros básicos sejam reduzidos e, com isso, os juros comerciais igualmente recuem. Em época de crise como agora, a política de reduzir os juros visando estimular a economia é um instrumento eficaz.
Todavia, a redução da taxa básica brasileira, a Selic, embora tenha ocorrido de forma até consistente neste início de 2009, pressionada pela crise, não tem muito espaço para manobra. Isso porque o governo, para manter a atual estrutura estatal funcionando, se obriga a vender títulos públicos indexados, em boa parte, à Selic.
A venda de títulos públicos gera a dívida interna, que hoje ultrapassa R$ 1,3 trilhão, ou seja, equivale a US$ 591 bilhões ao câmbio atual. A título de comparação, a dívida externa brasileira hoje monta em cerca de US$ 200 bilhões.
Ora, reduzir em demasia o juro básico, por mais que a conjuntura econômica (inflação, entrada de dólares e juros internacionais) o permita, esbarra no risco de inviabilizar parcialmente a rolagem da dívida interna, com novas vendas de títulos públicos. Tudo isso porque não se consegue reduzir o custo do Estado, via reformas consequentes.
Assim, a recuperação da economia brasileira, num período de crise mundial sem precedentes nas últimas décadas, não pode usufruir, em sua plenitude, da arma da redução dos juros porque não somos capazes de enxugar o Estado, tornando-o eficiente e competitivo.
OS JUROS E O CUSTO DO ESTADO (II)
Boa parte desta impossibilidade passa pela incompetência e comprometimento paroquial de boa parte dos componentes do Congresso Nacional.
A tal ponto que somente nestes três primeiros meses de 2009 os gastos com pessoal aumentaram 25,36% junto ao governo federal, em relação ao primeiro trimestre de 2008. Algo sem justificativa!
Portanto, estamos diante de uma gestão pública federal perdulária, vergonhosa. Somente no Senado Federal, por exemplo, existem mais de dois diretores para cada senador, cujas funções ninguém sabe ao certo.
Além disso, o Senado, que possui 81 senadores, conta com mais de 9.000 servidores entre estatutários, contratados e terceirizados. Por sua vez, o Palácio do Planalto, onde despacha o Presidente da República, tem 67 diretores com 1.750 pessoas a eles subordinadas, e mais de 100 chefes, além de subchefes, subsecretários, subcoordenadores e secretários adjuntos.
A área de comunicação, que em 2003 (quando o atual presidente assumiu seu primeiro mandato) era constituída de duas diretorias, hoje abriga 12 diretorias (cf. O Estado de São Paulo).
Desta forma, apesar de esforços setoriais do governo visando enfrentar a crise, tipo apoio ao setor automobilístico e da construção civil, o grande problema continua sendo o inchaço do Estado e sua incapacidade de gerar um retorno econômico estrutural que realmente beneficie a sociedade brasileira no longo prazo.
BALANÇA COMERCIAL ESTÁVEL
Passado o primeiro trimestre de 2009, onde a crise mundial parece ter atingido o seu ápice, os resultados de nossa balança comercial, considerando ainda os primeiros três dias úteis de abril, mostram uma estabilidade em relação ao mesmo período do ano anterior.
O saldo acumulado chega a US$ 3,6 bilhões, valor idêntico ao registrado no mesmo período de 2008. Todavia, os efeitos da crise no comércio externo são evidentes ao se analisar os valores exportados e importados.
Nesse primeiro período de 2009 (de janeiro à primeira semana de abril) exportamos US$ 32,93 bilhões contra US$ 41,32 bilhões no ano anterior, na mesma época. Isso representa um recuo de 20,3%. Já as importações alcançaram US$ 29,33 bilhões em 2009, contra US$ 37,72 bilhões em 2008, cristalizando um recuo de 22,2%.
Apesar da estabilidade atual em termos de saldo, a tendência continua sendo de um superávit final bem menor em 2009 (ao redor de US$ 14 bilhões) em relação ao ano passado, que foi de US$ 24,7 bilhões.
O ALERTA MUNDIAL PARA A ÁGUA
Na segunda quinzena de março passado realizou-se em Istambul (Turquia) o Fórum Mundial da Água. Apesar de o mesmo ter terminado em fracasso quanto ao encaminhamento de soluções para enfrentar a escassez de água que começa a abalar o Planeta, o Fórum trouxe alguns números que preocupam pela gravidade e urgência a respeito do assunto.
Dentre os mesmos, tem-se que em 2030, cerca de 47% da população mundial estará vivendo em regiões expostas à falta de água. A agricultura continua sendo o setor que mais consome o precioso líquido, com 70% do total mundial do volume consumido, chegando mesmo a 90% em certas regiões em desenvolvimento.
Já ao redor de 2015 cerca de 2,4 bilhões de pessoas no mundo não disporão de um serviço mínimo de tratamento da água. Enfim, a população mundial cresce cerca de 80 milhões de pessoas por ano, fato que aumenta a necessidade de água em 64 bilhões de metros cúbicos de água a cada ano.
Cada vez mais teremos “guerra” pela água se não soubermos administrar o seu uso.