Mercado agrícola muito variável
O mercado agropecuário gaúcho chega, nesta primeira semana de outubro, com preços médios muito variáveis, dependendo do tipo de atividade desenvolvida pelo produtor. Em relação ao mesmo período do ano passado, um grupo de produtos enfrenta dificuldades, pois seus preços recuaram. Esse grupo de produtos compreende exatamente quatro das principais atividades do país. Em termos médios, no balcão gaúcho, os produtos em dificuldades são: o arroz, que está valendo hoje R$ 26,45/saco de 50 quilos ao produtor, contra R$ 28,04 um ano antes; a soja, que vale R$ 37,33/saco de 60 quilos, contra R$ 40,75 no início de outubro de 2009, e o trigo, que se estabilizou totalmente em baixa, valendo agora R$ 21,64/saco, contra R$ 21,80 um ano antes. O quarto produto é o leite, cujo litro pago ao produtor, recuou para R$ 0,57 agora, contra R$ 0,59 um ano antes. Já um grupo bem maior de produtos apresenta sensível melhora, particularmente ocorrida neste segundo semestre. O feijão preto ganhou 24,4% no ano, valendo neste início de outubro R$ 79,83/saco ao produtor, com tendência a subir mais, segundo o quadro de oferta e demanda nacional. O milho ganha agora 19,7%, batendo em R$ 20,16/saco. O sorgo, na esteira do milho, chega a R$ 15,10/saco, representando um ganho de 9% no ano. O boi gordo e a vaca gorda consolidam suas retomadas, com o quilo vivo aumentando 12% nesses últimos 12 meses aqui considerados. O quilo do suíno vivo, no mesmo período, avançou 21,3%, se estabelecendo agora na média estadual de R$ 2,22. O cordeiro viu seu preço quase dobrar, passando o quilo vivo de R$ 2,30 para R$ 4,06 neste início de outubro. Enfim, o quilo do frango vivo, finalmente melhorou, alcançando R$ 1,90 junto aos integrados (ganho de 31% num ano).
PIB melhora, mas problemas continuam
O FMI revisou para cima suas estimativas de PIB para o mundo e alguns países selecionados. Em termos mundiais, a geração de riqueza em 2010 será maior em 4,8%, sobre 2009. Todavia, tal avanço estará concentrado particularmente nos países emergentes. A China deverá consolidar 10,5% de crescimento, enquanto o Brasil ficaria com 7,5%. Enquanto isso, o conjunto dos países desenvolvidos registraria apenas 2,7%, sendo que os EUA registra, inclusive, uma piora em sua projeção, com a mesma passando de 3,3% ao ano feita em julho, para 2,6% agora em outubro. O fato é que a essência do problema causador da crise ainda persiste: o capital financeiro especulativo continua agindo fortemente; um sistema de regulação sobre o mesmo está demorado a ser posto em prática; boa parte desta recuperação anunciada se dá graças ao dinheiro público, que estimulou o consumo; gastos estes que aumentaram o déficit público dos países em geral, os quais tentam iniciar um movimento de reformas estatais, porém, com enormes dificuldades; alguns destes países, como o Brasil, continuam gastando muito e não apresentam planos concretos de reformas estruturais em suas economias; e novas bolhas especulativas estão se desenvolvendo, algumas delas na própria esteira dos movimentos de recuperação temporária da economia mundial. Sem falar que o crescimento anunciado parte de uma base baixíssima, na maioria dos casos negativa, registrada em 2009. Portanto, há muito ainda por se fazer e todo o cuidado é pouco, pois recaídas são possíveis no futuro próximo. Nesse sentido, o FMI aponta que o setor bancário continua fraco; o crescimento mundial ainda está lento; os déficits fiscais estão elevados em grande parte dos países; e o capital privado está longe de voltar para valer à economia mundial, deixando-a ainda muito na dependência do auxílio público, hoje também em esgotamento de reservas para tais ações de socorro.
Um exemplo do custo do estado brasileiro
No caso específico do Brasil, o custo-país é um dos elementos que travam sensivelmente qualquer possibilidade de uma recuperação econômica sustentável. Tanto é verdade que o próprio governo está se encarregando de frear o crescimento, estimando para 2011 um PIB ao redor de 4,5% após 7,5% que se espera em 2010. A burocracia, a corrupção, o peso do Estado em geral, e outras mazelas, têm tirado, ano após ano, nossa capacidade de avançar de forma consistente. Um estudo, divulgado neste início de outubro pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT), e ainda pouco divulgado no país, dá a dimensão de nossos problemas e de nossa incapacidade estatal em bem gerenciar o Brasil. Pasmem que, 22 anos após a Constituição de 1988, nada mais nada menos do que 249.124 normas tributárias foram editadas (quase seis por hora), sendo que 18.409 estão em vigor. As empresas e os cidadãos brasileiros têm que ficar perdidos diante de tamanho disparate legislativo. Hoje as empresas gastam R$ 42 bilhões por ano para manterem pessoal, sistemas e equipamentos para acompanhar as mudanças nas leis. Hoje, as empresas devem cumprir 3.422 normas, ou 38.429 artigos, 89.540 parágrafos, 286.296 incisos e 37.660 alíneas. Isso equivale a 5,9 quilômetros de normas, se estivessem impressas em papel A4. Ou alteramos tudo isso, buscando um sistema de eficiência, ou jamais seremos um país desenvolvido. Particularmente, porque muitos fazem questão de manter tal estado de coisas, pois ganham com as distorções nacionais.