SALÁRIO MÍNIMO A CORRIGIR
Desde que o governo anterior definiu o salário mínimo para 2011 em R$ 540,00, a partir deste mês de janeiro, mais uma vez a polêmica se instalou. Os trabalhadores desejando um valor maior e o governo, neste caso, defendendo a necessidade de mantê-lo neste nível estabelecido. Em síntese e tecnicamente a questão é o seguinte: 1) o governo federal e os sindicatos estabeleceram uma fórmula de reajuste do mínimo, a qual leva em consideração a inflação do período anterior e o crescimento do PIB de dois anos antes; 2) o governo federal, após aumentos significativos no mínimo, até mesmo acima do que a fórmula indicava, criou um rombo nas suas contas públicas, a começar pela previdência, e agora não pode mais alimentá-lo; 3) para este ano, em função de que o PIB nacional foi negativo em 0,6% em 2009, a correção, pela fórmula, deve levar em conta apenas a inflação de 2010; 4) o governo, necessitando arrochar a economia em 2011, levou em consideração o acordado e calculou antecipadamente o reajuste, a partir de uma projeção de inflação final, em 5,88%; 5) nestas condições, sob pressão dos sindicatos e do jogo de interesses políticos na partilha do poder central, o mínimo pode ser revisto para até R$ 580,00 mensais; 6) ora, o orçamento federal não previu tal aumento e a economia nacional, hoje, não o suporta, fato que mesmo o ministro desenvolvimentista Mantega o confirma; 7) assim, considerando que o INPC (índice que serve para reajustar os salários de diferentes categorias) foi de 6,47% em 2010, e pela fórmula acordada anos antes, o salário mínimo, por justiça, pode no máximo chegar a R$ 543,00 mensais (não é por nada que o governo já aceita aumentá-lo um pouco, para que o Congresso o aprove); 8) todo o aumento acima deste último valor levará a sérios problemas as já combalidas contas públicas, tendo chegado o momento de acabarmos com a brincadeira populista e partir para um gerenciamento sério das contas nacionais, pois o país está no limite.
CONTAS PÚBLICAS: O ALERTA JÁ É ULTIMATO
Tomando emprestado expressões de Thomas Friedman, escritas no jornal The New York Times na virada do ano, colocamos aqui um sentimento que se encaixa perfeitamente ao Brasil que a presidente Dilma herdou para gerenciar, no que diz respeito a sua economia. “Estamos entrando em uma era em que ser um líder vai significar tirar as coisas das pessoas, pois esta é a única forma que vamos conseguir arrumar nossa casa em termos fiscais antes da brutalidade do mercado fazê-lo por nós.” É preciso que as pessoas e particularmente os governantes “...cortem onde é preciso cortar para que possamos investir onde é preciso”. Só vamos manter o nível de vida que hoje alcançamos e melhorá-lo ao ponto de se chegar ao real desenvolvimento se aprendermos a considerar que “...o tempo que temos para fazer os ajustes está acabando. Precisamos avançar. Não estamos atacando as questões das formas fundamentais necessárias, seja no déficit, na educação, no investimento em jovens e no investimento em geral, na saúde, na geração de poupança e outros tantos problemas que temos. Estamos fazendo migalhas, nestes últimos anos encobertas por messianismo populista. Estamos brincando e sobrevivendo, apenas. E precisamos ter muita clareza de onde isso nos leva. É hora de começar a ter as conversas maduras e honestas necessárias para lidar efetivamente com as novas realidades econômicas que estamos enfrentando como nação. Simplesmente não podemos continuar empurrando com a barriga.”
CRESCIMENTO INDUSTRIAL
A indústria brasileira espera manter um ritmo de crescimento importante em 2011, mesmo sem as vantagens estatais de 2009/10 e mesmo diante de uma política econômica mais restritiva. No Rio Grande do Sul, por exemplo, onde a indústria voltou a crescer em novembro (2,3%), acumulando 9,1% de crescimento nos 11 primeiros meses do ano, segundo o Índice de Desenvolvimento Industrial, a expectativa é de que o investimento aumente em 28% neste novo ano, chegando a R$ 3,6 bilhões. Sem dúvida, uma informação positiva, se confirmada na prática. E esse é o maior problema! As condições nacionais, no que diz respeito a infraestrutura geral e à formação de pessoal, não estão reunidas para que tal aconteça neste novo cenário econômico em que se inicia 2011. Nesse sentido, o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, e seu secretário executivo,até então diretor da APEX, veem com correção o que precisa ser feito. Sem uma reforma tributária profunda no país, atingindo especialmente a estrutura de cobrança do ICMS, não se irá longe. Além disso, três outros pontos precisam ser bem encaminhados: câmbio (algo que está na pauta oficial neste momento), política industrial e negociações internacionais. O novo ministro ainda adianta a importância de desonerar a inovação, pois é através desta que se terá mais competitividade igualmente. As ideias são boas, a questão é colocá-las eficientemente em prática, evitando que se caia na vala do jogo político interesseiro e mesquinho.