Até onde vai o juro no Brasil?
O Copom acaba de reduzir, inclusive provocando certa surpresa, a taxa Selic em mais um ponto percentual, fazendo-a chegar a 9,25% ao ano. Tal ação é cheia de significados. O primeiro é que, pela primeira vez na história desse juro básico, criado em meados dos anos de 1990, o mesmo cai abaixo de 10%.
O segundo, e mais importante, indica que o governo está realmente imbuído de estimular a economia nacional, comprovando que a atual recessão assustou muita gente. Sabe-se que o Banco Central relutava em reduzir tanto assim a taxa, mesmo com a inflação nacional em baixa no momento.
O terceiro é que, diante de uma projeção de inflação nacional em torno da meta pré-estabelecida (4,5% ao ano, pelo IPCA), nosso juro real cai significativamente, estando agora indicado, para o final de 2009, em tão somente 4,75%. Lembramos que há pouco mais de dois anos, tal juro era superior a 10%.
Enfim, diante desta evolução, se houver uma repercussão conveniente na economia real, os juros de mercado irão baixar, permitindo uma melhoria nos negócios nacionais. Todavia, a evolução da Selic indica que o movimento de baixa está chegando ao fim. Ou seja, salvo uma surpresa maior ou uma piora considerável em nossos indicadores econômicos, dificilmente teremos baixas significativas nas próximas reuniões do Copom.
Isso porque os países do primeiro mundo, preocupados com uma possível retomada da inflação, já estão planejando o aumento de seus juros básicos.
Como o capital internacional que circula pelo mundo é atraído também pelos juros, a concorrência mundial deverá aumentar, em busca dos mesmos, quando os juros melhorarem no Primeiro Mundo, limitando a margem de manobra brasileira.
O pós-crise exige medidas estruturais
Mesmo com a atual crise econômico-financeira estando longe de terminar o mundo já se prepara para o chamado pós-crise. Isso porque sabe-se que as crises são cíclicas e um dia, assim como chegam, vão embora. O problema, evidentemente é o estrago que as mesmas deixam em cada passagem.
Estragos esses que levam muitas pessoas e empresas, e as vezes países, a uma plena insolvência. Nesse meados de 2009 já é chegado o momento de países, como o Brasil, assumirem uma postura pró-ativa em relação ao futuro pós-crise.
Estamos passando pela mesma com maturidade, apesar dos percalços, porém, para ganharmos espaço no novo mundo que virá (nada será igual depois desta crise, pelo menos em termos da economia) precisamos finalmente realizar mudanças estruturais na gestão do país, que ultrapassam largamente as medidas emergenciais tomadas (redução setorial de impostos, PAC, redução de juros às pressas...).
Uma das principais medidas estruturais é a já famosa reforma do Estado brasileiro. A mesma, que vem sendo discutida pelo menos desde 1995, é condição sine qua non para esse país dar um real salto de desenvolvimento no pós-crise e acompanhar os demais países que estão sabendo se organizar para tanto.
O governo, pelo menos o executivo, a julgar pelas declarações oficiais, parece estar ciente disso. A questão é tornar a vontade em realidade. Com uma reforma estatal poderemos facilmente reduzir a carga tributária, que hoje beira os 40% do PIB anual, melhorando a eficiência estatal.
Se a sociedade brasileira e nossos congressistas não evoluírem para isso, nada teremos aprendido com a atual crise e continuaremos sendo apenas um “país do futuro”, porém, sem que esse futuro chegue.
Nossos filhos e netos cobrarão por tamanha incompetência, pois estamos deixando passar uma das melhores ocasiões, desde que estabilizamos a economia a partir de 1994, para completarmos essa obra de reestruturação econômica do país, visando sua passagem para o desenvolvimento definitivo.
Relatório do USDA foi neutro
O relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgado nesse último dia 10-06, pode ser considerado neutro para o mercado, exceção feita ao trigo. Para a soja, o mesmo confirmou a mesma área de plantio naquele país, ou seja, com apenas 0,5% de aumento sobre o ano anterior.
A produção continuou sendo prevista em 87 milhões de toneladas, havendo uma pequena redução na projeção dos estoques finais, agora indicados em 5,7 milhões de toneladas ao final de 2009-10. Os preços médios indicados pelo órgão norte-americano ficariam entre US$ 9,00 e US$ 11,00 por bushel. Ou seja, bem abaixo do que o mercado está praticando nesse momento (ao redor de US$ 12,50 por bushel).
Para o milho, a redução de área continua não sendo significativa, com a produção projetada permanecendo um pouco superior a 303 milhões de toneladas. Para o trigo, todavia, a produção dos EUA foi reduzida em cerca de 10 milhões de toneladas, porém, os estoques seriam melhores, particularmente no contexto mundial.
Ou seja, considera-se que o consumo e o comércio mundial de trigo serão menos sustentados em 2009-10, a ponto de uma menor produção, tanto nos EUA quanto no mundo, manter estoques finais em elevação. Tudo indica que estamos diante de uma contradição que futuramente deverá ser corrigida.
Dito isso, o relatório mais importante de junho será o do dia 30, quando teremos, finalmente, a área definitiva que foi semeada com soja, milho, trigo, algodão e outros produtos nos EUA.
Parte do mercado mundial ainda acredita que área de soja venha a ser corrigida para cima, fato que, se confirmado, poderá derrubar as cotações da oleaginosa em Chicago a partir de julho.