RECESSÃO SE AGRAVA NOS EUA
Longe de terminar, a crise econômico-financeira mundial continua a nos trazer informações preocupantes, as quais confirmam que estamos diante de um processo de longo prazo. As recentes reações positivas ocorridas relevam mais de “soluços” de curto prazo do que propriamente uma reação estrutural mundial.
Nesse sentido, o anúncio de que os EUA registraram um recuo de 6,1% em seu PIB anualizado, no primeiro trimestre de 2009, após 6,3% negativos no último trimestre de 2008, provocou novos alertas mundiais.
Além disso, o investimento global naquele país, no mesmo trimestre, registrou sua pior cifra desde 1975, último momento em que os EUA haviam vivido três trimestres sucessivos de recuo econômico.
A queda do investimento foi de 37,9% em ritmo anual, sendo -44% no setor de informática e -38% no setor imobiliário. Algo nunca visto desde 1947, quando se passou a modelizar o cálculo do PIB. Diante disso, o fato do consumo das famílias ter crescido 2,2% em ritmo anual nos EUA acabou ficando sem grande efeito, pois pode não passar de mais um “soluço”.
Tanto é verdade que o desemprego chegou a 5 milhões de pessoas, no início de maio, numa contagem iniciada em dezembro de 2007, quando a atual crise se cristalizou. E tal quadro deverá piorar nos próximos meses segundo o próprio porta-voz da Casa Branca.
Ao mesmo tempo, o setor automobilístico local continua patinando, com a Chrysler declarando concordata e a GM muito próximo de fazê-lo igualmente.
A tal ponto que suas ações recuaram fortemente em Wall Street. A crise irá terminar, porém, ainda estamos longe dela sair.
RECESSÃO GENERALIZADA NA ZONA EURO
Na Europa o quadro não é diferente! A chamada zona euro, que conta hoje com 16 países, assiste a um agravamento em sua situação econômica. Para 2009 o FMI prevê um recuo de 4,2% no PIB da região, sendo -5,6% na Alemanha, -3% na França e Espanha.
O governo alemão, que até dias atrás apostava num recuo do PIB de 2,25% em 2009 fala agora em queda de 6%. A Espanha registra um recuo real de 2,9% no primeiro trimestre anualizado.
A Irlanda, que vinha sendo bajulada com o cognome de “tigre celta” antes da crise, prevê um recuo na geração de sua riqueza na altura de 8,3% para 2009, contra estimativas iniciais de -3,9%.
Na Itália o PIB, nesse ano, deverá cair a menos 4%, enquanto a Bélgica também acaba de entrar oficialmente em recessão ao registrar uma queda de 1,6% em seu PIB do primeiro trimestre de 2009.
Além disso, aos poucos nota-se que o fôlego dos Estados para conter a crise começa a diminuir, fato que agrava a tendência. Nos EUA, por exemplo, o déficit do orçamento 2009/10 chega a US$ 1,7 trilhão, ou seja, 12% do PIB.
Nesse contexto, acreditar que os países emergentes, como o Brasil, estariam deixando a crise para trás cai no terreno no exagero, onde geralmente a ilusão supera o realismo.
POUPANÇA COM IMPOSTO
O governo começa a confirmar a tendência que já se esperava há algumas semanas. Irá mesmo mexer na poupança. Igualmente estará executando algo que já vinha sendo cogitado há alguns anos: taxar a caderneta de poupança.
Ou seja, para evitar ficar sem os recursos dos fundos de investimento, que ajudam a financiar a dívida pública, pois são fortes compradores de títulos públicos, o governo estaria optando por cobrar imposto de renda dos poupadores que possuem valores acima de R$ 50.000,00 (segundo o governo menos de 4% dos poupadores têm mais de R$ 20.000,00 em poupança).
Com isso, freia o deslocamento dos recursos dos fundos, escaldados pela redução da taxa Selic, a qual vem reduzindo seus ganhos, e aumenta sua arrecadação para financiar o custo do Estado.
A decisão poderia ser muito mais interessante para os poupadores e a economia em geral se simplesmente conseguíssemos reduzir o tamanho do Estado, tornando-o mais eficiente. Porém, toda vez que se tenta reformar o Estado brasileiro interesses particulares, de fortes lobbies, sobretudo estatais, se opõem às mudanças.
E assim, a cada dia que passa, a população vê aumentada a conta que tem de pagar, mesmo em momento importante de redução de juros.
BIODIESEL CONTINUA INVIÁVEL
Mesmo diante de um barril de petróleo a quase US$ 150,00 no mercado mundial, a fabricação de biodiesel no Brasil não era competitiva.
Agora, com um barril ao redor de US$ 50,00 e os preços do óleo de soja chegando novamente a níveis elevados (39,39 centavos de dólar por libra-peso no fechamento de Chicago do dia 12/05), o custo de produção do litro de biodiesel já bate em R$ 2,20, dependendo da estrutura industrial e sua localização. E nem mesmo a revalorização do Real tem ajudado.
Assim, o mercado do biodiesel, como sempre foi desde o seu início, somente existe porque o consumo passou a ser obrigatório a partir das percentagens de mistura definidas em lei, já que economicamente tal alternativa ao petróleo continua inviável.