Brasil: Saldo Comercial Menor
Passados os primeiros oito dias de agosto, a balança comercial acumula, neste ano de 2010, exportações de US$ 111, 28 bilhões e importações de US$ 101,1 bilhões. Com isso, o saldo comercial brasileiro até o momento chega a US$ 10,18 bilhões. O mesmo é US$ 7,75 bilhões abaixo do registrado no mesmo período de 2009, ou seja, menor em 42,7%. Nesse período, as exportações cresceram 27,4%, graças ao aumento dos preços mundiais dos produtos que exportamos, porém, as importações aumentaram em 45,2%. O comportamento cambial explica boa parte disso, na medida em que o Real se mantém sobrevalorizado ao redor de R$ 1,77 no momento, favorecendo importar em detrimento a exportar. Mas também o movimento se explica pelo fato de que nossos principais compradores, os países ricos, continuarem enfrentando sérios problemas com a crise econômica, enquanto a economia brasileira se mantém aquecida, estimulando o consumo e as compras externas. A tendência para o final do ano pode ser de piora na medida em que a China vem freando o seu crescimento econômico, fato que pode atingir as vendas externas brasileiras. Nestas condições, o superávit final de nossa balança comercial, no ano de 2010, tende a se estabelecer ao redor de US$ 16 bilhões (projeção revisada) após US$ 25,29 bilhões em 2009.
O Impacto das Decisões de Governo
Diante da pergunta “como retirar da pobreza dezenas de milhões de brasileiros?” o economista Paulo Guedes (Revista Época, 26/07/10) desenvolveu uma análise que corrobora nossos alertas neste espaço. Enquanto alguns países, como a China, optaram pelo caminho da integração competitiva à economia mundial, com ênfase na criação de empregos no setor privado, pela alavanca das exportações, rejeitando encargos sociais e trabalhistas que incidem sobre a mão-de-obra, países como o Brasil fizeram o caminho contrário. Assim, enquanto a China optou pela estratégia de inclusão social pelos mercados globais, fato que resultou em superávit fiscal do governo, viabilizando a compra de reservas internacionais para sustentar uma taxa de câmbio favorável às exportações, bem como uma política monetária de juros baixos, o Brasil atribuiu ao governo o papel crítico na dinâmica de crescimento econômico. Isso empurrou os gastos públicos de pouco mais de 20% do PIB em meados dos anos de 1980, para quase 40% em 2010. O expansionismo fiscal vem exigindo permanente contenção monetária, gerando juros altos e Real caro em relação a outras moedas, fato que elimina empregos (a atual geração de empregos se deve particularmente à recuperação do que se perdeu com a crise de 2007/2009).
O Impacto das Decisões de Governo (II)
Mas a realidade nacional, na sua essência, é ainda muito pior. Por não conseguir realizar as reformas, tipo a trabalhista, onde a oposição dos sindicatos é enorme, o excesso de encargos e a legislação trabalhista obsoleta que são mantidos, funcionam como uma alavanca da exclusão social e econômica. 50 milhões de brasileiros são assim excluídos dos mercados formais de trabalho, condenados à marginalização e impedidos de contribuir para a Previdência Social. Isso hipoteca completamente o desenvolvimento do país. Desta forma, não é de surpreender as deformações na Previdência Social e a necessidade sistêmica do assistencialismo nos orçamentos públicos, muito além da hipertrofia nas despesas financeiras e do empreguismo crônico. Hoje, 100 milhões de brasileiros (mais da metade da população nacional) vivem com o dinheiro público, segundo Raul Velloso. Entre a criação de privilégios no passado e de dependência para o futuro, metade da população recebe hoje recursos repassados pelo governo. Com isso, “o orçamento público tornou-se uma gigantesca folha de pagamento”. E quando esta bolha estourar?