Brasil aumenta Reservas Internacionais
Aproveitando-se, mais uma vez, da sobrevalorização do Real, desencadeada nos últimos dois meses, o governo brasileiro, através do Banco Central, acertadamente vem adquirindo dólares no mercado e aumentando suas reservas cambiais. Esta medida, que igualmente tem seus limites, para o caso brasileiro ainda é saudável já que precisamos de um volume bem maior de reservas para termos ainda mais tranquilidade quando de crises como a que se está vivendo mundialmente. Nesse momento, tais reservas alcançam US$ 212,5 bilhões.
Lembramos que, no momento em que a crise eclodiu no ano passado, nossas reservas estavam ao redor de US$ 208 bilhões. A importância em se constituir reservas está, pelo menos, em dois aspectos:
1º) quanto maior o volume de reservas cambiais melhor o país enfrenta a volatilidade do câmbio e particularmente do dólar, a qual deve permanecer;
2º) a compra de dólares ajuda a conter, mesmo com dificuldades, a sobrevalorização do Real.
Além disso, o sistema fortalece a opção pelo câmbio flutuante, medida tomada acertadamente pelo Brasil quando da “famosa” desvalorização do Real em janeiro de 1999. Por outro lado, é bom destacar que a formação das reservas é possível, igualmente, porque um volume importante de dólares está novamente aportando no Brasil.
Isso porque os juros internacionais permanecem baixos (o Banco Central dos EUA manteve o juro básico norte-americano entre zero e 0,25% ao ano em sua reunião de agosto), fato que leva o capital internacional a buscar locais mais atrativos e que apresentem estabilidade política e econômica, caso do Brasil há pelo menos 10 anos.
Sinais de recuperação econômica (?)
Novos sinais da economia mundial e brasileira, quando analisados isoladamente, dão conta de que a crise já teria chegado ao fundo do poço e que alguns movimentos começam a se confirmar no sentido de dele sair. Todavia, ainda é preciso muita cautela quanto a se tomar conclusões definitivas.
No front externo, por exemplo, os EUA divulgaram que a produtividade do trabalho cresceu 6,4%, em taxa anualizada, sobre o trimestre anterior. A alta anterior havia sido de 0,3%. Em comparação ao segundo trimestre do ano passado o ganho é de 1,8%. Isso foi possível porque os custos trabalhistas recuaram 5,8% no segundo trimestre de 2009.
Assim, não significa necessariamente que o ganho em produtividade seja um reflexo específico da retomada econômica a qual, por sinal, continua patinando naquele país.
Sinais de recuperação econômica (?) (II)
No Brasil, o setor varejista informa que a inadimplência recuou 13,73% em julho, quando comparada ao mesmo período de 2008. Todavia, quando compara a junho de 2009 (mês anterior), a inadimplência subiu 15,25%, embora no acumulado do ano registre queda de 7,25% quando comparada com igual período do ano anterior.
Na verdade, os consumidores estão mais previdentes com suas compras, pois muitos já estão sem fôlego para continuar gastando.
Por outro lado, o aumento mensal da inadimplência leva os empresários a ficarem mais atentos na concessão de crédito.
Sinais de recuperação econômica (?) (III)
Para se ter uma ideia de como a razão deve prevalecer no atual momento de crise, antes de cairmos em tentação eufórica diante dos primeiros resultados menos ruins, importante se faz destacar que o IBGE acaba de apontar que o crescimento do comércio varejista brasileiro, no primeiro semestre de 2009, foi o pior desde 2004.
Todavia, a taxa de 4,4%, embora diminuta para os padrões recentes, traz consigo a informação de que junho apresentou um início de recuperação que pode ser uma tendência para o restante do ano.
Se assim for, o segundo semestre de 2009 será bem melhor, consolidando uma saída da crise, mesmo que lenta.
Sinais de recuperação econômica (?) (IV)
Já no Rio Grande do Sul as exportações industriais em julho, que são responsáveis por 82% de tudo que o Estado vende ao exterior, registraram um recuo de 18% em relação ao mesmo período de 2008.
No Brasil, a situação é pior, já que o percentual de recuo é de 32% nas vendas externas de produtos industriais. Esse quadro não permite, portanto, dizer que teríamos iniciado um movimento de recuperação econômica geral e sólido.
Ou seja, nessa rubrica, no máximo chegamos ao fundo do poço e dele começamos a tentar sair. Muito continua dependendo do fôlego do mercado interno, o qual é sustentado pelos gastos públicos que, por sua vez, estão gerando um problema de endividamento preocupante.
Poderemos dizer que saímos da crise quando o setor privado, o mercado, começar a caminhar pelas próprias pernas, sem a muleta do dinheiro público.
Uma condição, aliás, que vale para a economia mundial igualmente!