Soja: Chicago confirma baixa
A tendência baixista para as cotações da soja em Chicago se confirmou nessa primeira quinzena de julho. As cotações do bushel (27,21 quilos), que chegaram a se aproximar de US$ 13,00 no início de junho, atingem, em meados de julho, o valor de US$ 10,34 (posição agosto), com indicativo de cair para um patamar entre US$ 9,50 e US$ 10,00 por bushel na segunda quinzena desse mês e mesmo nos meses futuros.
Isso irá depender naturalmente de dois movimentos. Primeiro, o comportamento do clima nos EUA, agora que já se sabe que a área de soja foi aumentada em 2% e a área a ser colhida cresceria em 3% em relação ao ano anterior, para atingir 31 milhões de hectares naquele país (com isso se projeta uma colheita recorde de 88,7 milhões de toneladas).
Segundo, do retorno dos capitais especulativos ao mercado das commodities, após novo recuo dos mesmos nestas últimas semanas. O próprio governo dos EUA, através do USDA, em seu relatório do dia 10 de julho, apontou um patamar médio de preços para a oleaginosa, no novo ano comercial 2009-10, entre US$ 8,30 e US$ 10,30 por bushel.
Por outro lado, no Brasil a entrada de dólares voltou a ficar interessante, com a balança comercial conseguindo se manter em níveis positivos e a entrada de investimentos externos diretos dentro do previsto. Assim, a taxa cambial voltou a se aproximar de R$ 1,90 por dólar em meados de julho, fato que traz sobre os preços em reais, para a soja, uma pressão baixista até importante.
O piso de R$ 40,00 por saco no balcão passa a ser um parâmetro a romper nas próximas semanas, se o quadro não mudar. Nesse contexto, poderemos ter um segundo semestre com preços médios menores, fato que deixará a lamentar os produtores que não fizeram a aconselhada média de comercialização quando os preços estavam muito interessantes, entre março e maio passados.
Emprego continua difícil no Brasil
Confirmando que 2009 seria um ano difícil e com remotas possibilidades da economia brasileira sair da crise, provocada pelo movimento mundial recessivo, o emprego industrial voltou a recuar em maio. A redução foi de 0,5%, tendo sido geral na indústria.
O recuo chegou a 6% quando comparado a maio de 2008. Assim, em 2009 o emprego na indústria brasileira registra retração de 4,7% (primeiros cinco meses do ano) e de 1,1% em 12 meses. Segundo o IBGE, maio apresentou o pior cenário em mais de oito anos, havendo poucos sinais de recuperação para 2009.
E isso que o governo brasileiro buscou estimular o consumo oferecendo fortes reduções de impostos em diferentes setores, além de maior acesso ao crédito oficial. Nesse contexto, onde mesmo os EUA reconhecem que não deverão voltar ao nível de consumo que possuíam antes da crise, o Brasil, por mais que venha enfrentando bem a mesma, não fica imune de muitos de seus efeitos.
Em tudo correndo bem, confirma-se a tendência de que as coisas poderão iniciar um processo de melhoria estrutural apenas em 2010. Isso reforça a necessidade, por nós alertada há meses, de que precisamos continuar muito atentos ao nosso consumo, aos nossos gastos em geral, racionalizando ao máximo as despesas.
O dólar e a balança comercial superavitária
Um dos lados positivos do Brasil diante da crise, e que vem auxiliando a sustentar um quadro um pouco melhor do que junto aos principais países por ela atingidos, é sua balança comercial.
Até o dia 12 de julho a mesma registra um superávit de US$ 15,2 bilhões, com exportações em US$ 74,7 bilhões e importações de US$ 59,5 bilhões. Todavia, mesmo aí os reflexos da crise se mostram contundentes.
Em relação ao mesmo período do ano passado, o saldo é 18,8% superior em 2009, o que é bom no imediato. Porém, o mesmo é resultado de importações que recuaram 29,2% na média diária de 2009, em relação a 2008, enquanto as exportações perderam 22,7% no mesmo período.
Ou seja, importamos e exportamos menos, confirmando que o mercado freou, mesmo diante de um câmbio médio muito mais próximo da normalidade do que o verificado no mesmo período do ano passado. Em continuando tal tendência, o superávit final de 2009 será largamente superior aos US$ 18 bilhões projetados.
O mesmo poderá facilmente chegar próximo a US$ 30 bilhões, desafogando a pressão sobre as contas públicas brasileiras, porém, pressionando para uma contínua sobrevalorização do Real, justificando os receios de que o mesmo termine o ano ao redor de R$ 1,80 por dólar.
Isso, mesmo com o Banco Central novamente comprando dólares, a ponto de nossas reservas internacionais estarem hoje muito próximas a US$ 210 bilhões, um novo recorde histórico.
Os EUA continuam sob pressão
Apesar do último pacote econômico, o governo Obama continua sob pressão da crise e longe de resolver seus problemas. O principal, nesse momento, confirma as preocupações aqui adiantadas em colunas passadas.
O déficit público, que não é só norte-americano, realizado para sustentar um mínimo de movimento na economia, tem crescido assustadoramente e irá penalizar a sociedade no pós-crise.
Ou alimentará uma sequência de crises, após a atual ser deixada um pouco para trás. Pela primeira vez em sua história, o governo estadunidense anuncia que seu déficit fiscal atingiu a US$ 1,0 trilhão e que poderá chegar a US$ 1,84 trilhão no final do ano fiscal de 2009.
Esse valor é mais do que o PIB anual brasileiro e corresponde a 13% do PIB dos EUA. Mesmo que seja importante, no curto prazo, os governos atuarem, buscando aquecer uma economia mundial fortemente combalida, o aumento dos déficits públicos está deixando um enorme problema estrutural para o futuro.
O mesmo, além de outras duras medidas, irá forçar, no futuro, um aumento de impostos e/ou menos investimentos estatais em setores essenciais, caso não haja um enxugamento no custo do Estado.
A não ser que se opte pela emissão de moeda e o retorno de uma importante inflação.