COPA DO MUNDO DÁ PREJUÍZO, E MUITO!
Apesar das loas em favor da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, todos os estudos econômicos realizados nos diferentes países que sediaram a competição, pelo menos nas últimas décadas, indicam um monumental prejuízo econômico-financeiro ao anfitrião. Todavia, no Brasil, o apoio à Copa chegou a fazer parte do discurso de posse da nova presidente do país. Os ganhos políticos e de marketing, desde que a Copa seja bem organizada, jamais superam as perdas econômicas e a forte concentração de renda que a mesma induz. O excelente livro Soccernomics (analisa o futebol pelo seu lado econômico), dos autores ingleses Simon Kuper e Stefan Szymanski (editado em 2010), por nós conhecido desde seu lançamento e que mais recentemente começou a ser citado pela imprensa nacional, diz a respeito de o Brasil sediar a Copa do Mundo: “Os brasileiros não deveriam ser tão cegos quanto os sul-africanos foram. Eles precisam saber exatamente o que o torneio fará pelo seu país e o que não fará. Antes de tudo, os brasileiros deveriam ter em mente que, independentemente do que o governo diz, a Copa do Mundo não os tornará mais ricos como um todo (embora a Copa possa ser uma bela oportunidade para quem por acaso é dono de uma empresa construtora de estádios).”
COPA DO MUNDO DÁ PREJUÍZO, E MUITO! (II)
“Nós previmos com confiança que o contribuinte brasileiro gastará mais com a Copa do Mundo do que dizem as estimativas iniciais. (....) E quando terminar a Copa, em julho de 2014, o Brasil verá que não ganhou muito mais do que uma temporada turística normal, que todos os anos ocorre no país. O torneio também não fará muita coisa pela imagem do Brasil e pelo investimento externo no país. (...) No final das contas, a melhor razão para sediar uma Copa do Mundo é porque realizar um evento como esse é divertido. Se o presidente Lula quisesse ser honesto quanto a isso, ele diria: `Vai custar dinheiro, sobrará menos para escolas, hospitais e assim por diante, mas todos adoramos futebol e será um mês divertido, portanto vale a pena.` Então os brasileiros poderiam ter um debate esclarecido sobre os verdadeiros prós e contras de sediar a Copa. Mas os brasileiros estão sendo bombardeados com falsidades econômicas. É bastante razoável querer sediar a maior festa do mundo. O erro é achar que isso fará do Brasil um país mais rico. (...) Na verdade, a Copa do Mundo será uma transferência de riqueza do Brasil como um todo para um grupo de interesse no país.” E, infelizmente, podemos acrescentar: a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro, será ainda pior nesse sentido.
COPA DO MUNDO DÁ PREJUÍZO, E MUITO! (III)
Um único dado, de tantos que existem, mostra a certeza do título acima. Na África do Sul, para ficarmos com a última Copa do Mundo, o Estádio do Cabo, na cidade do Cabo, se tornou um verdadeiro “elefante branco”, assim como os demais naquele país. O mesmo teria custado 440 milhões de euros (algo em torno de R$ 990 milhões ao câmbio de hoje), tendo um custo de 6.500 euros por lugar disponível (equivalente a R$ 14.625,00). E não há como rentabilizá-lo no futuro! Algo que os chineses já sabiam com seus estádios feitos para a Olimpíada, tipo o Ninho de Pássaro. Em Johannesburgo, o Soccer City recebe até rodagem de filmes ou de publicidades, festas de casamento e mesmo pompas fúnebres visando diminuir seu prejuízo (cf. Le Monde). E isso que o mesmo é considerado o estádio nacional por excelência! No Brasil, a situação de prejuízo já está cristalizada quatro anos antes da Copa. É só ver as exigências para a construção apenas dos estádios das cidades-sedes dos jogos. O Maracanã, por exemplo, que já fez duas grandes reformas desde 2004, consumindo R$ 300 milhões nas mesmas, terá que gastar quase R$ 1 bilhão para as novas reformas exigidas pela FIFA. Nunca se pagará! Enquanto isso, o governo destina para os atingidos pelas recentes enchentes no Rio de Janeiro e São Paulo, onde as mortes se contam às centenas, apenas pouco mais de R$ 700 milhões. E ainda nem se calculou, no caso dos custos para a Copa do Mundo, a monumental corrupção que se aproveitará de todo este disparate. Não se trata de ser contrário ao esporte, trata-se de pensar e agir racionalmente como devemos fazer esporte. E, para sermos bons desportistas não precisamos gastar o que não temos, comprometendo áreas infinitamente mais necessárias como a educação, a saúde, a segurança, a habitação e a infraestrutura para todos os brasileiros, particularmente os do interior do país, que continuarão vendo a Copa pela televisão, caso tiverem energia elétrica.