BRIC - Uma Associação de Países
A partir de uma expressão cunhada em 2001, quando de um relatório feito por Jim O’Neill, economista do banco Goldman Sachs, o mundo passou a adotar a sigla BRIC para designar as quatro principais economias emergentes da atualidade: Brasil, Rússia, Índia e China.
Agora, nesse mês de junho de 2009, os dirigentes destes quatro países finalmente se reúnem, na Rússia, e decidem consolidar uma associação de esforços visando maior poder de negociação junto às instâncias multilaterais do planeta.
Portanto, estamos diante de um esforço de organização em torno de alguns interesses comuns entre esses quatro países. Não se trata de bloco econômico! Longe disso!
Todavia, não deixa de ser um passo importante em vistas de consolidar uma nova posição geopolítica mundial, a partir da crise econômico-financeira que o mundo vive. Isso, inclusive, consolida a ideia de que o G7, ou G8 quando daquele participa a Rússia, esteja deixando a cena mundial em favor do G20, constituído justamente em razão da crise e no qual o BRIC participa.
Entretanto, as diferenças econômicas, sociais, políticas e de interesses ainda são muito grandes entre os quatro países que acabam de formalizar essa nova associação. Isso significa que o caminhar da mesma pode se resumir efetivamente, e apenas, em firmar posição conjunta quando de negociações multilaterais que possam interessar ao grupo como um todo. Talvez, com algum otimismo, poderemos ter melhorias comerciais entre os quatro países.
O tempo e a capacidade política de seus governantes é que ditará a direção do novo grupo que surge.
O lado estrutural da crise
Muito já se falou da atual crise econômico-financeira. Muito ainda se falará. Mesmo que ela venha a ser superada, seus estragos irão longe no tempo. Chamamos isso de efeitos estruturais. Um deles, que se apresenta concretamente no Brasil, está no fato de que, para enfrentar a crise, muita gente deixou de poupar para a aposentadoria a fim de poder viver o momento.
Ou seja, foram obrigadas ou decidiram hipotecar o futuro em favor do presente. Isso custará caro, a elas e ao Estado brasileiro. Estudo realizado em 15 países informa que no Brasil 94% das pessoas se dizem despreparadas para viver bem na aposentadoria. A média global é de elevados 87%.
Os que se dizem bem preparados chegam apenas a 6% em nosso país, contra 13% de média global. Em função da crise, 16% dos brasileiros pararam de poupar para a aposentadoria, contra 11% na média global, sendo que 23% da população brasileira deixam de poupar em função de seu nível de endividamento, contra 18% na média global.
Ora, sem poupança não há desenvolvimento! A crise, portanto, veio agregar mais um componente estrutural na difícil luta nacional para sairmos do subdesenvolvimento. O Estado brasileiro, para sustentar futuramente tais pessoas, irá pagar muito caro, tirando das novas gerações aquilo que elas precisarão.
Isso para sustentar a geração mais velha e despreparada. E o círculo vicioso do atraso socioeconômico se perpetua.
Crise: nova reação dos EUA
O governo dos EUA acaba de anunciar uma reforma no seu sistema econômico a qual, se for realmente levada até o fim, pode se constituir em um movimento histórico. Trata-se de consolidar instrumentos que possam enfrentar e vencer a atual crise econômico-financeira.
Dentre as medidas está o aumento do poder do Banco Central daquele país (FED) e a já esperada proposta de maior regulação do sistema financeiro. Se as mesmas forem aprovadas pelo Congresso estadunidense e seguidas pelas principais economias do mundo, cada uma dentro de suas especificidades, talvez o mundo saia melhor da crise em que se colocou.
Dentre as melhorias está a possibilidade de não sofrer mais crises provocadas por abusos bursáteis movidos por especulações financeiras, deixando para o setor produtivo mais espaço para gerar efetivamente o crescimento e o desenvolvimento econômico.
Dois outros detalhes que a reação estadunidense evidencia:
1) boa parte das medidas, adotadas agora pelos EUA, o Brasil já havia feito no final dos anos de 1990, após o lançamento do Plano Real, as quais foram mantidas e até melhoradas pelo atual governo, fato que nos permitiu melhor enfrentar a crise;
2) o livre mercado continuará sendo o motor da economia mundial, porém, com um olhar mais atento por parte do Estado, desde que este seja organizado o suficiente para tanto.
Solidariedade
Minha solidariedade aos atuais e futuros jornalistas deste país. Por mais que pessoas possam ser capacitadas, em suas áreas, para escrever para jornais, ou sustentarem espaços específicos em rádio e televisão, as mesmas não passam de colunistas esporádicos.
Fazer um jornal, rádio, televisão ou outra atividade que venha informar, e mesmo formar, o cidadão, com isenção, conhecimento de assunto e idoneidade, requer formação, estudo, preparo. O Supremo Tribunal Federal, ao decidir que não é necessária a formação superior em comunicação, erra e erra muito.
As justificativas não convencem e tal decisão somente favorece as empresas jornalísticas que poderão, agora, valorizar, em termos salariais, ainda menos essa importante profissão.
Além de colocar a fazer seus noticiosos qualquer pessoa. Somente com a ação investigativa dos verdadeiros jornalistas é que conhecemos a realidade do mundo e, por exemplo, os escândalos que grassam nesse Brasil nos últimos tempos.
Tratar a profissão de jornalista desta maneira não deixa de ser igualmente um escândalo.