Preços Agrícolas Ainda Ruins
Os preços recebidos pelos produtores rurais gaúchos, até meados de julho do corrente ano, continuavam ruins se comparados com os praticados nos dois anos anteriores. Detendo-se apenas no caso da soja, mesmo com a pequena recuperação de seus preços nas últimas semanas, quando a média do Estado chegou a R$ 34,81/saco no balcão, devido ao retorno da forte especulação em Chicago e a um importante aumento no prêmio pago pelo mercado físico no porto de Rio Grande, a situação geral pouco se alterou daquilo que se vinha observando desde o início do ano. No ano passado, na mesma época a oleaginosa valia R$ 43,85/saco. Ou seja, a perda nominal hoje está em 20,6%. Em relação a meados de julho de 2008 a perda é ainda maior, já que na oportunidade o saco de soja no balcão valia, na média do Estado, R$ 49,38. Apenas em relação a julho de 2007 é que os atuais preços se mostram mais interessantes, já que há três anos o saco valia apenas R$ 26,78 no balcão gaúcho. Todavia, se considerarmos a inflação no período, o valor da oleaginosa em julho de 2007 corresponde hoje a R$ 31,21/saco. Assim, o ganho real do preço atual, em relação há três anos, é de apenas R$ 3,60/saco. Já em relação há dois anos atrás tem-se uma perda real significativa de R$ 19,44/saco, pois o valor da soja, atualizado para hoje, seria de R$ 54,25/saco. Enfim, em relação a junho de 2009 a perda real chega a R$ 11,16/saco já que o preço atualizado seria de R$ 45,97/saco.
Preços Agrícolas Ainda Ruins (II)
Como os preços dos insumos, embora em recuo em alguns momentos no período considerado, sempre estiveram proporcionalmente mais elevados, as perdas finais dos produtores foram grandes nestes últimos anos. E nem mesmo a melhor safra em volume acabou compensando a situação, embora obviamente tenha ajudado a não deixar pior as coisas. Senão vejamos: aos preços médios de junho de 2009, no balcão, a colheita estadual teria rendido um total bruto nominal de R$ 5,9 bilhões para uma produção estadual de 8,15 milhões de toneladas. Em 2010, mesmo com uma produção 22,7% superior (10 milhões de toneladas) a renda bruta estadual, a preços de balcão neste meados de julho, soma R$ 5,8 bilhões. Ou seja, o Estado gaúcho gerou R$ 100 milhões a menos na atual safra de soja em função da forte queda nos preços do produto. Os produtores, diante de tal realidade e de um endividamento crescente, estão procurando segurar ao máximo sua safra visando preços melhores no restante do ano. Isso explica porque a circulação de dinheiro em nosso comércio tem, por enquanto, frustrado boa parte das expectativas.
As Grandes Empresas Também “Morrem”
Os diferentes problemas que levam uma empresa a quebrar, a começar pela gestão, não é privilégio apenas das chamadas “pequenas”. As grandes companhias, inclusive as transnacionais, igualmente desaparecem. No Brasil temos o caso recente da Chocolates Garoto, “absorvida” pela Nestlé; da Sadia, adquirida pela Perdigão; do Itaú em relação ao Unibanco; do desaparecimento da Varig e assim por diante. Em termos mundiais, os exemplos são enormes e constantes. Dois deles, talvez pouco conhecidos, apontamos nesse espaço. O primeiro diz respeito ao desaparecimento da Union Carbide. Essa empresa, desde o desastre de Bhopal (Índia), quando gases tóxicos escaparam de suas instalações e mataram 14.000 pessoas, em dezembro de 1984, nunca mais se recuperou. Mesmo que tenha conseguido escapar relativamente bem das ações judiciais, o grupo ficou totalmente desestabilizado. O valor de suas ações caiu violentamente na Bolsa e sua imagem ficou manchada para sempre. Em 1985 sua concorrente norte-americana GAF tentou comprá-la via uma ação agressiva de compra de seus papéis em Bolsa. Para responder, Union Carbide se vê obrigada a reagir. Com isso, seu endividamento cresceu muito a obrigando a vender a melhor parte de seus bens. A empresa consegue manter apenas alguns ramos de produção química e seu faturamento cai para US$ 5 bilhões anuais no final dos anos de 1980. O quinto grupo químico dos EUA afunda cada vez mais até que em 2001 a empresa “fusiona” com a Dow Chemical e seu nome desaparece do mercado.
As Grandes Empresas Também “Morrem” (II)
O segundo caso trata do desaparecimento do Escritório de Auditorias e Consultorias Arthur Andersen. O mesmo foi tragado pela crise de um de seus principais clientes, o corretor de energia Enron, em outubro de 2001. Nessa data, Enron publica, para surpresa geral, uma perda colossal de 700 milhões de euros. Ora, Arthur Andersen auditava suas contas e nada informou a respeito. Ao contrário, tudo parecia estar normal. O Escritório em questão, na época, empregava 85.000 pessoas e tinha um faturamento de US$ 9,3 bilhões anuais. Sua sede, em Houston, tentou destruir os documentos relativos a Enron, visando ajudar o cliente a escapar do controle judiciário. Todavia, em março de 2002 a justiça dos EUA se ocupou dos dados do Escritório e em três meses o declarou culpado por obstruir a justiça. Nunca mais o mesmo conseguiu ressuscitar, deixando sua parte de mercado para ser dividida entre seus concorrentes Ernst & Young, Deloitte, PricewaterhouseCoopers, KPMG e outros (cf. Le Monde).
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