Selic no limite
A nova redução da taxa Selic (o juro básico brasileiro), em 0,5 ponto percentual, levando o juro anual para 8,75%, entra na lógica oficial de buscar a manutenção de um giro econômico minimamente aceitável diante da crise econômico-financeira mundial, que se prolonga como era previsto.
Nesse momento, estamos com os menores juros nominal e real da história da Selic. Considerada a inflação projetada para 2009, esse juro real ficaria agora ao redor de 4,25% ao ano. Em termos nominais, a Selic caiu cinco pontos percentuais desde o dia 11 de setembro de 2008, ou seja, em menos de um ano.
Tudo isso está sendo possível por dois motivos básicos: a) nossa taxa de juros realmente estava muito elevada, havendo espaço para recuos mesmo sem a presença da crise, já que a inflação está sob controle e em recuo nesse ano de 2009; b) com a crise, os países desenvolvidos reduziram suas taxas básicas para níveis entre 0% e 1% ao ano, fato que facilita a redução de juros nos países emergentes, sem comprometer a entrada de divisas.
Embora a redução atual estivesse dentro das previsões do mercado, a mesma foi ousada já que muitos esperavam um recuo de 0,25 ponto percentual. Esta ousadia pode estar indicando que, daqui em diante e até o final do ano, pouca coisa haverá de ocorrer com a Selic.
Ou seja, a redução de nosso juro básico chega ao limite, podendo haver um pequeno espaço ainda para um recuo até 8,5% anuais.
Ainda sobre o emprego
Os impactos da crise mundial sobre a economia brasileira continuam visíveis e indicam realmente que 2009 terminará negativamente. Muitas análises têm procurado destacar a retomada do emprego como um sinal de recuperação de nossa economia.
Na verdade, o que precisa ser analisado é que o desemprego ainda existe em diversos setores, não passando dia sem o anúncio de novos contingentes de pessoal demitidos. Isso porque as empresas em geral ainda estão se adaptando ao novo contexto econômico que se desenha, o qual não reproduzirá mais o período pré-crise.
Por outro lado, a geração de empregos com carteira assinada, quando ocorre, é extremamente lenta. O resultado do primeiro semestre deste ano confirma isso. O Brasil gerou apenas 299.506 empregos (descontadas as demissões) com carteira assinada no primeiro semestre de 2009, contra 1.361.388 empregos no primeiro semestre do ano anterior.
No mês de junho apenas, a geração de empregos em 2009 ficou em 119.495 postos, contra 309.442 postos em junho de 2008. Além disso, a geração de emprego em junho recuou 9,2% em relação a maio. No Rio Grande do Sul, particularmente, a situação ainda é pior, com junho registrando 1.394 demissões a mais do que contratações.
A curiosidade agora é para ver o comportamento do emprego no segundo semestre, quando será possível comparar com o segundo semestre de 2008, momento em que o forte da crise mundial eclodiu e as demissões passaram a ocorrer em massa, principalmente de outubro em diante.
Má gestão, para não dizer outra coisa
Em qualquer empresa privada séria, ou qualquer governo sério, um caso como o que a Nação brasileira ficou sabendo nesta semana, dentre tantos que aparecem nos últimos anos, levaria à demissão sumária dos envolvidos.
Nem que fosse por incompetência gerencial. No Brasil, o máximo que se está verificando é porque tal coisa está ocorrendo. E não estamos aqui falando dos escândalos do Congresso Nacional e particularmente do Senado Federal, a partir da pessoa do ex-presidente da República, Sr. José Sarney. Trata-se de algo igualmente fora de propósito voltado à seara econômica.
Pois o governo brasileiro, mesmo depois de sua extinção há 18 meses, continua a pagar CPMF (ou seja, a utilizar o nosso dinheiro para pagar) que permanece incorporada aos custos de contratos do governo federal com a iniciativa privada (cf. O Globo).
A prática seria generalizada na administração pública e o prejuízo montaria a milhões de reais. Apenas aqui no Rio Grande do Sul, a obra da usina de Candiota III, no município de Candiota, gerou uma despesa de R$ 3,38 milhões paga indevidamente por conta da CPMF que já não existia. Obviamente, o governo federal, do Ministro da Fazenda ao Presidente da República, irá nos informar que nada sabia e que está averiguando.
Até quando o povo brasileiro irá aguentar sustentar a incompetência (para não dizer outra palavra) no gerenciamento da “coisa” pública? E ainda almejamos, um dia, chegar ao desenvolvimento!
Enquanto não limparmos de uma vez por todas o Estado dos desmandos e incompetências, com amplas e profundas reformas, somando-se ao bom uso da democracia e das instituições, a resposta tende a ser “nunca”!
Exportação de soja: Mato Grosso lidera
De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, das 19,3 milhões de toneladas de soja exportadas pelo Brasil, no primeiro semestre deste ano, 7,54 milhões saíram do Mato Grosso.
Esse volume equivale à quase metade de toda a produção local (a maior do país) estimada em cerca de 17,96 milhões toneladas na safra 2008-09. Em exportação de soja, o Paraná vem em segundo, no semestre, tendo exportado 3,6 milhões de toneladas.
O Rio Grande do Sul despachou outras 3,04 milhões, Goiás 1,56 milhão, Mato Grosso do Sul 640.000, São Paulo 606.000 e Bahia 578.000 toneladas. No período considerado, Mato Grosso é o segundo maior exportador, perdendo apenas para São Paulo em termos gerais do agronegócio.
O Estado do Centro-Oeste foi o único, dentre os grandes, a crescer em suas vendas do agronegócio, obtendo uma taxa acima de 20%.
O Brasil, como um todo, registrou taxa negativa de 6,93%.