Soja: mercado continua apontando queda
Infelizmente para os produtores brasileiros, o mercado mundial da soja continua indicando recuo nos preços para a próxima safra. Nesse momento (24/09) a cotação de Chicago, para maio de 2010, está em US$ 9,26/bushel, ainda com possibilidades de recuo diante de uma safra recorde que começa a ser colhida nos EUA (88,3 milhões de toneladas).
Esse quadro se agrava diante da nova valorização do Real, agora já tendo atingido, em algumas oportunidades, a R$ 1,78 (o mesmo só não se mantém nesses patamares porque o Banco Central brasileiro tem comprado dólares). Nesse sentido, já há operadores no mercado cambial prevendo que o câmbio possa encerrar 2009 em apenas R$ 1,60.
Diante desse quadro, e revendo nossos cálculos, a tendência para o preço da soja no Rio Grande do Sul, em termos médios, estaria agora indicando R$ 32,00/saco no momento da colheita. Uma perda de três a quatro reais em relação ao projetado há aproximadamente um mês atrás.
Para confirmar tal tendência, vale destacar que nesta semana o mercado nacional da soja, para alguns Estados, apontou, para a safra nova, o seguinte quadro: no Paraná preço de US$ 21,20/saco para março (ao câmbio de hoje isso representa R$ 37,75/saco); no Mato Grosso, o preço futuro varia entre US$ 16,30 em Rondonópolis e US$ 14,00 em Sinop (o equivalente hoje a R$ 29,00 e R$ 24,90/saco respectivamente); no Mato Grosso do Sul o referencial de preço é de US$ 17,30 ou R$ 30,80/saco; e na Bahia e no Maranhão a safra nova, para abril, é negociada entre US$ 16,30 (R$ 29,00) e US$ 16,16/saco (R$ 28,77) respectivamente.
Obviamente, estamos diante de um mercado volátil, o qual pode mudar muito até o momento da colheita, porém, não há dúvida de que estamos diante de uma realidade de mercado totalmente diferente nesse momento, a qual busca a média histórica.
Nesse sentido, lembramos que a média de Chicago (37 anos) é de US$ 6,59/bushel enquanto a média do mercado gaúcho (24 anos) é de US$ 12,18/saco (esse valor, ao câmbio atual, significa R$ 21,92/saco).
Cresce o mercado nacional de etanol
Mesmo diante de preços cerca de 50% menores para o barril de petróleo (mercado mundial operava ao redor de US$ 70,00 nesse final de semana), o comércio de etanol oriundo da cana-de-açúcar se mantém em alta no Brasil. Somente em agosto o Brasil consumiu 2 bilhões de litros, sendo 24,5% em álcool anidro e 75,5% em álcool hidratado.
No acumulado da atual safra (abril/agosto), as entregas para o mercado interno superam a 9,8 bilhões de litros, o que significa um aumento de 24,4% sobre as vendas de etanol hidratado e recuo de 0,73% no etanol anidro, conforme a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (UNICA).
Já nas exportações o cenário é diferente, refletindo a crise econômica mundial. O volume acumulado no mesmo período é de 1,79 bilhão de litros ou 25,7% menor do que o exportado no ano anterior na mesma época. Desse total, o álcool anidro acusa recuo de 67,4% enquanto o álcool hidratado indica aumento de 24,75% no volume exportado.
No mercado interno, a performance do etanol se deve ao crescimento nas compras de carro bicombustível (flex-fuel), os quais ultrapassaram a 94% das vendas totais de veículos em agosto. Afinal, em mais de 82% do mercado brasileiro os preços praticados na bomba ficaram abaixo de 65% do preço da gasolina, tornando o etanol competitivo.
Essa tendência, em não havendo redução na safra nacional de cana-de-açúcar, deverá continuar. Assim, se confirma cada vez mais que o biocombustível de futuro no Brasil é realmente o etanol.
O restante, tal como o biodiesel oriundo de óleos vegetais, tem espaço somente sob forma de nichos de mercado e, particularmente, porque o governo federal, por lei, está obrigando a mistura de até 5% no diesel de petróleo.
Grau de investimento
O Brasil alcançou mais um nível de investimento, desta vez pela agência de classificação de risco Moody´s, que mede a capacidade de um país em honrar seus pagamentos. Embora a crise mundial tenha posto tais agências em uma situação delicada, na medida em que caíram em certo descrédito, tal anúncio auxilia no reforço da imagem de estabilidade econômica do país.
Isso deverá, com o tempo, atrair mais dólares para o Brasil, particularmente especulativos, fato que deverá elevar as cotações das ações na Bovespa e derrubar o valor do dólar. No primeiro caso, todavia, antes provavelmente se terá um novo recuo na medida em que nossa Bolsa registra um crescimento acima de 60% no ano, contra menos de 20% junto as Bolsas das nações mais desenvolvidas.
No segundo caso, o quadro já se desenha há alguns meses, podendo se agravar para o final do ano, mesmo com intervenções compradoras de dólar por parte do Banco Central brasileiro. Parte do mercado cambial já cogita um câmbio a R$ 1,60 no final de 2009, contra R$ 1,80 que vinha sendo indicado até o mês de agosto. Obviamente, certeza não há, porém, o mercado aponta uma tendência que exige precaução de todos num momento em que estamos começando a sair (?) da crise econômica.
Afinal, diante do quadro exposto, vemos que os elementos causadores da crise mundial continuam presentes na economia.