CRISE MUNDIAL: RÁPIDA HISTÓRIA
Com base nas principais ideias que circulam mundialmente a respeito da atual crise econômico-financeira mundial (Jacques Delors, Paul Krugman, Ignacy Sachs e outros) venho a esse espaço sintetizar o estado atual da crise e propor algumas ações. O que a crise econômica mundial nos ensina?
Que a economia não funciona unicamente sob o controle do Estado e tampouco na lógica do Estado mínimo (desregulamentada). Em outras palavras, que é preciso uma simbiose entre o mercado e o Estado.
A pergunta chave que cabe, nesse contexto, é: qual Estado para qual modelo de desenvolvimento? Tomando como referência o último século, a primeira resposta foi dada pela humanidade a partir da crise de 1929. O resultado obtido foi o socialismo (reforço da economia planificada), o nazismo, e o New Deal de Roosevelt.
A segunda resposta surge no final da 2ª Guerra Mundial (1945). O resultado foi um Estado pró-ativo no campo econômico e social (Keynes); o pleno emprego como objetivo; e valorização do planejamento (pilares de sustentação do Estado-Providência ou do Bem-Estar Social).
Como conseqüência tem-se a crise do socialismo; o retorno ao liberalismo econômico (neoliberalismo); menos presença do Estado na economia; menos planejamento e regulação (desregulação) do mercado. O sistema financeiro abusa do processo e, após um ciclo de ouro (2002-meados de 2007), leva a economia mundial a uma nova crise global.
A terceira resposta surge a partir de meados de 2007. O resultado, por enquanto, se encontra na ideia de retorno à regulamentação do setor financeiro; o comando do mundo passando do G7 ao G20; um Estado mais atuante na economia, estimulando o mercado a funcionar melhor (Estado organizador); o reforço na ação das entidades supranacionais (FMI, BIRD e OMC), faltando uma redefinição de como elas devem operar; e o fim do capitalismo de “cassino” (?).
CRISE MUNDIAL: O QUE FAZER?
No imediato, o mundo precisa encaminhar três soluções. Em primeiro lugar, impedir a insolvabilidade dos bancos (esse risco existe, é grave e está longe de ser resolvido).
Em segundo lugar, resolver o problema da falta de liquidez (que ainda é muito grave, devendo perdurar todo o ano de 2009).
Em terceiro lugar, impedir que a produção recue de forma muito importante, porém, sem transferir o problema, gerando inadimplência junto aos consumidores (sem produção não há geração de riqueza, sem riqueza não há empregos, sem empregos não há consumo e entra-se num círculo vicioso).
Para praticar tais soluções, o mundo precisa trabalhar em conjunto, com objetividade (coordenação de políticas macroeconômicas – por isso a esperança nos resultados da reunião do G20 ocorrida em 2 de abril passado).
Isso porque é um engano achar que o pior da crise passou e que o mundo começa uma recuperação. O que se tem é que “as coisas estão piorando mais lentamente”.
Ou seja, as coisas ainda estão piorando; algumas boas notícias não convencem (a melhoria repentina dos balanços bancários sugere manipulação dos mesmos...); pode haver outros desdobramentos inevitáveis (o mercado imobiliário está se desmontando; o endividamento é crescente, o risco de inadimplência é evidente, as perdas de cartões de crédito disparam, e ninguém sabe exatamente como tudo isso vem afetando o Japão, a Europa do Leste e particularmente a China, que possui um sério problema de ativos dolarizados...); mesmo quando acabe, a crise não terá ficado para trás (o processo deve continuar por todo 2009 e avançar 2010, deixando rastros nos anos seguintes).
Vamos sair da crise? Sim, porém, a coisa vai demorar e muitos não conseguirão superá-la (ficarão pelo caminho). Será preciso muita persistência.
CRISE MUNDIAL: COMO FICA A NOSSA REGIÃO NESSE CONTEXTO?
Sofre diretamente os problemas da crise maior. Problemas esses agravados por mais uma safra de verão apenas mediana. Esse fato nos obriga a tomar consciência de que, somando os efeitos da seca de 2005, a crise mundial de agora, e esta última safra de verão, a região sofre um atraso de pelo menos 10 anos.
Isso dificilmente será recuperado, porém, com uma reestruturação e compreensão do novo contexto, poderemos refazer a região sobre novas bases e melhor prepará-la para os novos tempos que virão (não se pode esquecer que as crises são cíclicas).
Auxilia-nos em muito o fato de que o país está economicamente melhor preparado para enfrentar problemas de tamanha envergadura.
Porém, ainda não aprendemos a fazer o dever de casa: poupar quando possível. Nesse sentido, precisamos racionalizar custos e investimentos, fazer poupança sempre, e trabalharmos valorizando igualmente o que nossas regiões têm a oferecer, mantendo-nos globalizados sempre.
Outra condição é não vendermos ilusões e trabalharmos com a realidade, mesmo que ela seja difícil no momento. Temos que perseverar, reestruturando os negócios e as funções, pois a economia irá decolar novamente e de forma interessante para quem sobreviver à crise.
Obrigatoriamente, precisamos pensar mais coletivamente daqui em diante.