Soja: Atualidade do Mercado
Do início de julho para cá as cotações da soja, em Chicago, viveram um período de fortes oscilações. O bushel do produto (27,21 quilos) saiu de US$ 9,53 em 1º de julho para US$ 10,59 no dia 06/08 (seu ponto máximo nesse período de quase dois meses). Posteriormente, o mesmo recuou para níveis entre US$ 10,00 e US$ 10,15 até o dia 26/08. Embora o recuo das últimas semanas, ainda um excelente preço se considerarmos que a média histórica naquela Bolsa (38 anos) é de US$ 6,59/bushel. O motivo central deste comportamento foi o retorno do capital especulativo às compras de contratos da oleaginosa em Chicago, alimentado pelo comportamento climático nos EUA (a nova safra local será colhida a partir de setembro com maior intensidade) e pela seca que se abateu sobre a produção de trigo na Rússia e Ucrânia em julho/agosto. Com isso, os preços médios no balcão gaúcho saíram de R$ 33,86/saco no início de julho para R$ 38,14 em meados de agosto, fechando esta semana em R$ 37,54/saco. Como o câmbio pouco tem se alterado, oscilando entre R$ 1,75 e R$ 1,80 no período, a tendência deste mercado é ficar na dependência da colheita dos EUA e do comportamento do capital especulativo. A julgar pelo último relatório do USDA, divulgado em 12/08, os EUA deverão colher sua maior safra de soja da história, ultrapassando as 93 milhões de toneladas. Isso comprova que não houve, pelo menos até o momento, problemas climáticos importantes nas lavouras daquele país. Por sua vez, os estoques finais mundiais de soja, para 2010/11, estão agora projetados em 64,7 milhões de toneladas, após 63,5 milhões um ano antes e 44 milhões de toneladas em 2008/09. Com isso, é possível que Chicago não encontre sustentação nas atuais cotações entre setembro e dezembro próximos, podendo recuar para níveis entre US$ 9,00 e US$ 10,00/bushel. Isso
significa a possibilidade concreta de preços nacionais novamente em recuo no
período, salvo se o prêmio nos portos continuar aumentando.
Milho: Atualidade do Mercado
As cotações internacionais do cereal igualmente oscilaram positivamente entre 1º de julho e este final de agosto. O bushel do cereal (25,4 quilos) saiu de US$ 3,65 para US$ 4,21 no período, recuando nesta última semana para níveis entre US$ 4,05 e US$ 4,15. Também aqui, a julgar pela média histórica (31 anos), os preços atuais estão muito bons, pois a mesma é de apenas US$ 2,72/bushel. Esse comportamento também é influência do capital especulativo, ligado à seca nas lavouras de trigo da Rússia e Ucrânia, já que o milho pode ser mais requisitado para as rações animais na medida em que a produção de trigo diminui no mundo. E isso, mesmo com os EUA indicando uma colheita local ao redor de 339 milhões de toneladas, a qual já está iniciando. Assim, os estoques finais mundiais de milho, para o ano 2010/11, estão agora projetados em 139,2 milhões de toneladas, após igualmente 139 milhões em 2009/10 e 147,5 milhões em 2008/09. Todavia, o mercado interno brasileiro não se baliza tanto por Chicago. Nossas exportações do cereal giram ao redor de 8 milhões de toneladas apenas, para uma colheita que oscila entre 50 e 55 milhões de toneladas nos últimos anos. E muito das vendas externas depende do comportamento cambial, o qual não está favorável à exportação. Entretanto, o consumo interno, para ração animal, tem crescido em 2010, graças a recuperação das carnes. Assim, nesse período de quase dois meses, o preço médio do milho gaúcho, no balcão, variou de R$ 15,95 para R$ 16,97/saco entre o início de julho e meados de agosto, terminando esta última semana em R$ 17,53/saco. Ou seja, em quase 60 dias obteve um ganho de R$ 1,58/saco. A tendência, aqui no sul do país, onde a safrinha quase inexiste, é destes preços se manterem relativamente firmes, tendo no preço da internalização do produto do Centro-Oeste o limite de alta. Salvo se as exportações finais do ano não se confirmarem e os estoques nacionais se mostrarem mais elevados do que o esperado.
Trigo: Atualidade do Mercado
Este cereal tem sido o elemento mais negativo do mercado dos principais grãos nacionais. Após quase dois anos em compasso de espera, com momentos sem mesmo encontrar comprador no Rio Grande do Sul, os preços começaram a subir. Tal movimento se deu particularmente devido as fortes altas em Chicago, puxadas pelas notícias de uma oferta mundial menor a partir das secas na Rússia e Ucrânia. Com isso, o movimento especulativo ganhou força e o produto disparou de US$ 4,84/bushel (27,21 quilos) em 1º de julho para US$ 7,85 no dia 05/08. Após, o mercado se corrigiu e Chicago recuou para níveis entre US$ 6,50 e US$ 6,90/bushel nesta última semana de agosto. Mesmo assim, cotações muito elevadas já que a média histórica em Chicago (31 anos) é de US$ 3,79/bushel. Como o Brasil é um tomador de preços no mercado mundial do cereal, na medida em que é um dos dois maiores importadores de trigo, o efeito destas altas em Chicago se refletiu de forma a aumentar os preços do trigo no mercado físico junto aos principais fornecedores (Argentina, Uruguai, EUA e Canadá). Desta forma, encarecendo o preço do produto importado, apesar da estabilidade cambial, o produto nacional passou a ser mais procurado, tendo seu preço melhorado. Assim, o saco de trigo no balcão gaúcho, que havia chegado a somente R$ 20,58 em meados de julho, voltou a patamares um pouco melhores, fechando esta última semana de agosto em R$ 21,41. Mesmo assim um péssimo preço, pois distante do preço mínimo básico estabelecido para o Rio Grande do Sul, nesse momento, em R$ 22,19/saco, após R$ 24,66 até junho passado. Já a tonelada de trigo, no sistema de lotes, passou de R$ 395,00 em 1º de julho para R$ 435,00 em 26/08 (R$ 26,10/saco) no mercado gaúcho. No Paraná, onde a qualidade média é melhor, o preço pulou de R$ 410,00 para R$ 470,00/tonelada no período. Essa melhoria, todavia, deve ser temperada, pois a partir de setembro a nova safra brasileira de trigo entra no mercado, via o Paraná, e podemos assistir a um novo recuo dos preços locais, particularmente se Chicago se estabilizar. Assim, tudo indica que a comercialização do trigo nacional continuará dependente do governo e seus leilões de PEP.