COPOM CONFIRMA ALTA NOS JUROS
O Conselho de Política Monetária, em sua reunião dos dias 15 e 16/04, confirmou a alta da taxa SELIC. A mesma já vinha sendo antecipada, pois a inflação brasileira começava a pressionar novamente, já tendo ultrapassado a meta anual pré-estabelecida. Ou seja, por unanimidade o COPOM cumpriu com sua função que é guardar pela estabilidade da economia nacional, mesmo diante de pressões de setores do empresariado, centrais sindicais e dos desenvolvimentistas (que defendem mais crescimento da economia mesmo que seja à custa de maior inflação). O que surpreendeu parcialmente foi o tamanho da elevação (0,50%), colocando a SELIC anual em 11,75%. Tal aumento significa que efetivamente a pressão inflacionária no Brasil é mais importante do que se possa imaginar. Os reflexos de tal movimento, além de controlar os preços internos (os efeitos de tal medida surgirão daqui a seis meses), virão sob a forma de um crescimento econômico menor para 2008 (algo já projetado) e uma valorização ainda maior do Real, pois diante de juros mais elevados, no momento em que o chamado Primeiro Mundo reduz os seus, haverá maior entrada de dólares no país. Nesta lógica, no mesmo dia do anúncio da nova taxa de juros, sem viés, o Real bateu um novo recorde nestes últimos oito anos, fechando o dia em R$ 1,66 por dólar. A tendência é da SELIC superar os 12% no final de 2008. O aquecimento da economia interna, provocado pelo governo através da maior liberação de crédito, diante de uma capacidade produtiva praticamente no limite, associado ao aumento dos preços mundiais das commodities cobra agora o seu preço.
O FREIO CHINÊS
Diante do aumento dos preços internacionais, os custos de produção na China igualmente subiram, com a inflação naquele país batendo em 8% no primeiro trimestre de 2008. Com isso, o governo chinês deverá acelerar os procedimentos para frear sua economia neste ano, algo já tentado em 2007. Um dos principais fatores está na alta dos alimentos, puxada pela explosão dos preços mundiais, a qual está sendo sustentada pela especulação e não exatamente pela dedicação de áreas agricultáveis para a fabricação de biocombustíveis, como querem alguns. Neste contexto, a tendência no médio prazo continua sendo dos preços mundiais despencarem, pois o mundo já evidencia sinais de esgotamento na absorção de produtos tão valorizados. A ponto do FMI alertar que o mundo está à beira da instabilidade social e de confrontos.

