UM PROJETO INDUSTRIAL
Pressionado pelas fortes baixas do dólar e a conseqüente perda de superávit comercial que se evidenciou nesse ano, associado ainda ao grau de investimento conquistado parcialmente em abril (nem todas as agências de risco nos deram tal classificação), pelo qual mais dólares deverão ingressar no país, o governo brasileiro finalmente anunciou seu projeto industrial. A essência do processo está na confirmação de que o governo não pensa em mexer no câmbio, e nem deve, mantendo-o flutuante. A partir daí faz o que realmente deveria ter sido feito há mais tempo: criar medidas compensatórias, particularmente aos exportadores. Com isso, os US$ 266,4 bilhões destinados ao plano até 2010, incluem igualmente desonerações tributárias. Todavia, de novo mesmo há pouca coisa. Isso porque 79% dos recursos anunciados já estavam previstos no orçamento do BNDES. Mesmo assim, é um passo importante na tentativa de manter um crescimento econômico um pouco melhor, especialmente agora em que o mundo enfrenta uma freada em sua economia. Na área específica das exportações, por exemplo, o projeto facilita a prática das pequenas e médias empresas ao estender o Fundo de Garantia à Exportação para empresas com exportação anual de até R$ 1,0 milhão. A questão agora será a execução do plano. O mesmo não pode esbarrar na burocracia nacional, a qual tem atrasado esse país de maneira histórica. O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) vem conhecendo esse problema, por exemplo. Assim, estamos diante de um passo positivo para melhorar a performance de nossa economia, porém, a prática é que nos dirá até onde esse passo poderá nos levar.
OS ESTRAGOS POPULISTAS
A crise na Argentina continua! Na Bolívia, o presidente Morales se vê obrigado a anunciar um referendo para o dia 10/08 pelo qual os bolivianos decidirão se desejam mantê-lo no poder, juntamente com os governadores dos departamentos. Isso porque as províncias mais ricas, dentre elas Santa Cruz de la Sierra, se rebelam contra a política nacionalista do governo central. Ou seja, esses países, assim como a Venezuela (que ainda se sustenta graças aos elevados preços do petróleo), perderam completamente o controle da economia, gerando instabilidade no momento em que o mundo e os investimentos buscam o contrário. O custo social é tremendo e a população mais pobre, a quem se desejava favorecer, é a que novamente irá pagar a conta. Na Argentina já se cogita o retorno do corralito (confisco bancário) visando conter a inflação.

