O PROJETO GAÚCHO
Há alguns dias o governo gaúcho lançou também o seu plano de desenvolvimento, batizado de Agenda Positiva. Assim como na esfera nacional, o Estado gaúcho procura incrementar investimentos que possam alavancar um maior desenvolvimento ao Estado. Ao total são 12 programas orçados em R$ 4,7 bilhões até 2010. Assim, após um longo período de marasmo na esfera de investimentos conseqüentes, o Rio Grande do Sul tenta reagir. Assim como no caso federal, aqui também a questão central é tornar concretas as propostas que estão no papel. Dito isso, um elemento importante na proposta gaúcha é associar os investimentos a ajustes nos gastos públicos, extremamente necessários para desengessar o Estado. E as áreas escolhidas são importantes: infra-estrutura, particularmente em estradas; saúde; segurança; apoio aos municípios mais carentes; saneamento básico; irrigação; inovações tecnológicas; rastreabilidade da produção primária; reorganização do serviço público; ajustes fiscais; articulação de ações econômicas entre o Estado e os municípios. Se a proposta não virar ação eleitoreira e for concretizada com seriedade, o Rio Grande do Sul poderá estar dando, finalmente, um passo importante para um novo e melhor estágio econômico. É uma pena que perdemos anos, no passado recente, paralisados por questiúnculas ideológicas e ações medíocres, sem efetivamente atacarmos os problemas centrais que esse Estado possui. Obviamente sempre se pode fazer mais e melhor, porém, a proposta é interessante e tem estofo para incrementar efetivamente a economia num horizonte de longo prazo.
O MILHÃO DA MONTADORA
Em falando de ações conseqüentes, o Rio Grande do Sul igualmente está festejando o fato da GM ter alcançado seu “milhão de automóveis” produzidos em Gravataí. Mesmo que boa parte desse sucesso acabe indo para a transnacional automotiva, na lógica capitalista, o ganho para o Estado é inegável. Hoje, pelo seu efeito multiplicador, o setor automotivo representa até 6% do PIB gaúcho. Sem falar no ganho tecnológico! E ainda há a possibilidade de duplicação desse resultado pela ampliação da indústria. O setor poderia estar gerando muito mais se não tivéssemos, errônea e ideologicamente, perdido a Ford. A tal ponto que todos os governos, a partir de então, tentam atrair outra montadora de automóveis para o Estado, porém, sem sucesso. O modelo econômico que aí está pode não ser o melhor, porém, trocar o certo pelo duvidoso, como foi feito, incorre em prejuízos ainda maiores no longo prazo. O Rio Grande do Sul em geral e a região de Guaíba em particular que o digam!

