O PREÇO DO PETRÓLEO
Puxadas por uma especulação desenfreada, que seria responsável por até 40% do aumento verificado nos preços mundiais do petróleo, as cotações do chamado “ouro negro” não param de subir tendo, nessa semana, atingido até US$ 135,00/barril em alguns momentos. Até onde esses preços poderão subir? Essa pergunta encontra resposta nos próprios fatores econômicos atuais, a começar pelo dólar. Enquanto a moeda dos EUA estiver desvalorizada, as commodities mundiais, inclusive o petróleo, terão terreno propício para se manterem com preços elevados. Todavia, a situação atual vem aumentando a inflação mundial, mesmo o mundo estando mais preparado para enfrentar tais preços do petróleo, por exemplo. Isso porque mais poços de petróleo vêm sendo descobertos e novas tecnologias de combustíveis estão sendo testadas. É o caso do etanol, já consagrado, e a tentativa do biodiesel. Ora, pressão inflacionária exige medidas restritivas sobre a economia. Assim, um freio na economia mundial, associado ao próprio comportamento do mercado da energia, acabará por causar um forte recuo nos preços do petróleo. Isso requer muita atenção de nossa parte, pois pode inviabilizar economicamente o já difícil processo de produção dos biocombustíveis, particularmente o biodiesel à base de óleo vegetal. Sem falar que o etanol vem sendo cogitado a substituir o diesel de petróleo junto aos caminhões e ônibus, a partir de um processo tecnológico a ser aplicado nos motores de alta compressão. Em isso ocorrendo, teremos mais um elemento desfavorável ao biodiesel, além dos existentes no quesito competitividade, rentabilidade e meio ambiente.
O PREÇO DO PETRÓLEO (II)
Em primeiro lugar porque a produtividade da cana-de-açúcar, no Brasil, cresceu significativamente, passando em 30 anos de 1.200 para cerca de 8.000 litros de álcool por hectare, com tendência a chegar a 12.000 litros em 2012. Enquanto isso, a produtividade da soja, canola e girassol, matérias-primas para o biodiesel, cresceu bem menos. Em segundo lugar, as usinas produtoras de etanol passariam a usar o próprio combustível para girarem. Afinal, o custo do etanol na usina é de R$ 0,75/litro, fato que elevaria o custo do seu uso direto para algo em torno de R$ 1,05/litro (considerando um consumo de até 50% das necessidades). Ora, o preço do litro de diesel, para essas usinas, gira ao redor de R$ 1,70. Tal raciocínio ganha força também junto à indústria de caminhões e ônibus, podendo gerar grandes mudanças nessa área num futuro próximo.

