OS JUROS
Na política monetária de um país, os juros são um instrumento importante. Através do Banco Central, os mesmos assumem diferentes funções. Dentre elas podemos destacar o controle da inflação e a atração de capitais externos, além de ser um instrumento de valorização dos títulos públicos vendidos pelo Estado para cobrir sua dívida ou captar recursos necessários à economia. Nesse momento, através do COPOM, o Banco Central brasileiro vem usando os juros para, corretamente, conter o ímpeto inflacionário que acomete o país. Inflação essa alimentada pela fartura de crédito disponibilizada à população, particularmente a partir de 2007, e pela elevação dos preços das commodities internacionais. Assim, nessa semana, a taxa básica de juros brasileira, conhecida como SELIC, recebeu um acréscimo de 0,5 ponto percentual, subindo para 12,25% anuais. Efetivamente não se pode deixar a inflação crescer (a mesma está projetada para 5,4% nesse ano, quando a meta imposta é de 4,5%) sob pena de perdermos o controle sobre a estabilização da economia e desestruturarmos tudo o que se conseguiu nesse campo desde 1994, quando lançamos o exitoso Plano Real. O exemplo que a Argentina está nos dando nesse momento mostra claramente o risco de tal aventura populista. Dessa forma, enquanto os preços mundiais não cederem e nossa capacidade produtiva não se ampliar, o remédio menos amargo ainda continuará sendo aumentar o juro básico quando necessário. E isso deverá continuar acontecendo nas próximas reuniões do COPOM. É preferível crescer menos momentaneamente, porém, estável, do que desestruturar a economia, com seus enormes custos sociais, por longo prazo.
"RECESSÃO" MUNDIAL
A realidade de juros mais altos no Brasil significa menor liquidez disponível ou pelo menos uma liquidez mais cara. Isso obviamente deverá frear a economia, particularmente a partir do último trimestre do ano, quando os efeitos das atuais medidas monetárias começarem a surtir resultados. Tal movimento "recessivo" é mundial em 2008. A União Européia, por exemplo, decidiu manter sua taxa em 4% ao ano enquanto os EUA, que vinham reduzindo a mesma para tirar o país da crise em que se envolveu (estouro da bolha imobiliária), já começam a apontar a possibilidade de voltar a elevar sua taxa básica anual, hoje em 2%, a fim de conter o ímpeto inflacionário. Na zona euro, por exemplo, a inflação está estimada em 3,2% para este ano, o que seria um recorde desde o lançamento da nova moeda, em 2000. O limite aceitável pelo Banco Central Europeu é uma inflação de 2% anuais.
O RETORNO DA TENDÊNCIA (I)
O impacto da elevação especulativa dos preços mundiais, puxados pela queda do dólar na economia internacional, ao atingir o mundo inteiro, permite prever uma reversão de tendência importante. A mesma já deveria estar ocorrendo. Provavelmente despontará com o novo governo dos EUA, que assume em janeiro de 2008.
O RETORNO DA TENDÊNCIA (II)
A conseqüência da mesma será um forte recuo nos preços internacionais das commodities, com uma reacomodação global que poderá custar caro aos setores produtivos que estão apostando na continuidade das altas atuais. O mundo não tem condições de absorver tamanha elevação de preços sem um motivo concreto na lógica da oferta e demanda dos produtos.
CRÉDITO MAIS DIFÍCIL (I)
Enquanto o retorno da tendência não ocorre, o crédito mundial e nacional tenderá a ser mais difícil, provocando um aperto na liquidez. Mesmo com as políticas públicas de apoio as classes menos favorecidas, o Brasil deverá enfrentar uma situação incômoda nesse sentido nos próximos meses e mesmo ano.
CRÉDITO MAIS DIFÍCIL (II)
Sem falar no grave problema da insolvência de muitas pessoas que, ao se lançarem no endividamento fácil apoiado pelo Estado, agora chegam a preferir o desemprego em busca de recursos para pagar suas contas.
CRÉDITO MAIS DIFÍCIL (III)
Além de crédito, é preciso cultura econômica às pessoas para que o processo se mantenha de forma sustentável. Senão, o sistema quebra e acaba deixando a sociedade estruturalmente pior do que estava quando tudo começou. Corremos esse risco no momento!