ATENÇÃO AO PREÇO DO TRIGO
O governo brasileiro tenta novamente estimular a triticultura nacional, a partir da crise de oferta existente no mercado mundial e particularmente junto à Argentina. Paralelamente, os produtores rurais do Sul do Brasil estão entusiasmados com os atuais preços do cereal, que giram entre R$ 32,00 e R$ 35,00/saco no balcão. Há uma expectativa de aumento de até 25% na área que está sendo semeada. Nesse contexto, vale um alerta. Dificilmente os atuais preços do trigo se manterão no momento da colheita, caso ela for cheia. Alguns sinais já são evidentes de uma reversão nos preços mundiais e nacionais. Na Bolsa de Chicago, o produto, que chegou a ser cotado em US$ 12,70/bushel no dia 12/03, atingiu a US$ 7,76 em 01/05. Ou seja, em 45 dias recuou 39%. Isso porque a safra mundial está projetada em 645 milhões de toneladas para esse novo ano 2008/09, confirmando um aumento de 35 milhões de toneladas sobre o ano anterior. Nos EUA a produção deverá se recuperar em 14% nesse ano, com a colheita já em andamento. Por sua vez, a Argentina deverá liberar suas exportações durante o ano (haveria ainda 1,9 milhão de toneladas a serem exportadas no vizinho país). Soma-se a isso uma safra cheia no Brasil, estimada hoje em 4,8 milhões de toneladas, contra 3,2 milhões no ano anterior, e o quadro estaria formado para os preços recuarem abaixo do novo preço mínimo estabelecido, que é de R$ 28,80/saco. Aliás, não será surpresa se o mercado trouxer os preços para níveis ao redor de R$ 25,00 em novembro. Portanto, muita atenção aos custos de produção com o trigo, pois estamos diante de um ano de alto risco econômico devido ao exagerado aumento no preço dos insumos.
A INGENUIDADE OFICIAL
Na semana passada o governo, pressionado pelos fortes aumentos nos preços mundiais do petróleo e pela perda de receita por parte da Petrobrás, decidiu aumentar o preço da gasolina e do diesel. No caso do primeiro produto, chegou a afirmar ingenuamente que, graças a redução de um imposto (o CIDE), o aumento na refinaria não seria repassado ao consumidor. É não querer ver que a distribuição de combustíveis no Brasil, apesar de ser liberada, funciona sob regime de oligopólio. Resultado: houve sim repasse em muitos postos de gasolina, com os distribuidores embolsando as vantagens da redução do imposto, aumentando suas margens, em detrimento do governo e do consumidor final. Na verdade, os aumentos de preços acabam obrigando a economia a absorvê-los, sendo que em nosso caso, no imediato, haverá um pouco mais de pressão inflacionária.

