O COMÉRCIO INTERNACIONAL EM XEQUE
O novo fracasso na tentativa de concluir a Rodada de Doha, da OMC, cristalizado no final de julho passado, é uma perda global importante. Nenhuma nação vive em isolamento econômico. Sendo assim, quanto mais abertura comercial, melhor para o comércio mundial e para a produção e exportações das diferentes nações. Todavia, entre a abertura comercial total e a prática existe uma distância importante, que jamais será vencida. Mesmo assim, torna-se importante, ao menos, reduzir tal distância. O fato do mundo não conseguir fazê-lo de forma multilateral demonstra os enormes interesses protecionistas existentes em áreas economicamente sensíveis, como o setor primário, ou politicamente importantes, caso dos serviços e da propriedade intelectual. Para o Brasil, que chegou a mudar sua postura, aceitando abrir seu mercado industrial e de serviços em troca de uma nova abertura parcial do setor agrícola do primeiro mundo, o fracasso foi ainda mais retumbante. Por um lado, por sermos considerados de primeiro mundo no agronegócio, continuamos apostando em ganhos elevados com a abertura comercial internacional na área agrícola. Por outro lado, o recente fracasso permite nos fazer pensar em que áreas dos setores industriais e de serviços deveremos realmente abrir parcial ou totalmente o nosso mercado. O fato é que precisamos do comércio internacional mais do que nunca, porém, nossas deficiências internas e nosso relativo despreparo negociador externo têm nos deixado à margem dos melhores resultados. Segundo um relatório do Fórum Econômico Mundial, lançado em meados de junho em Genebra (Suíça), de 118 economias avaliadas, a brasileira ficou em 80º lugar dentre os países mais abertos do mundo. Ou seja, somos extremamente protecionistas!
O COMÉRCIO INTERNACIONAL EM XEQUE (II)
É claro que todo estudo tem seu viés e pode ser criticado. Entretanto, o citado trabalho atinge em cheio as causas pelas quais nosso país é pouco aberto comercialmente: temos barreiras tarifárias e não-tarifárias importantes; nossa administração de fronteiras é repleta de burocracia; a infra-estrutura de transporte e comunicações deixa ainda muito a desejar; e o ambiente de negócios é péssimo, a começar pela falta de segurança, com o custo da violência nos colocando, nesse item, em 110º lugar dentre os países estudados. Soma-se a isso a forte valorização do Real nesses últimos anos, e compreende-se porque nosso superávit comercial, em 2008, deva cair pela metade, comparado ao ano anterior, havendo indicações de que o mesmo volte a ser negativo em 2009, em continuando o atual quadro. Um desastre para os negócios, a produção, a balança de pagamentos, o PIB, enfim, para a geração de empregos. Particularmente porque, com o aumento interno da inflação e o remédio da elevação dos juros, o mercado interno igualmente irá frear seu ímpeto, se somando à perda de espaço no comércio externo.

