A ESPECULAÇÃO E A ALTA DOS PREÇOS
Para quem ainda tinha dúvidas quanto ao fato de que tem sido a especulação, particularmente a praticada pelos Fundos, a razão do forte aumento dos preços internacionais das diferentes commodities mundiais, estudo da Link Investimentos acaba de comprovar o fato. Em fevereiro e março desse ano, quando as cotações da soja, por exemplo, ultrapassaram os US$ 15,00/bushel, a posição líquida dos Fundos nesse mercado era de 152.700 contratos. Entre 8 de julho e 8 de agosto, quando os preços da soja em Chicago caíram quase US$ 5,00 por bushel, os contratos futuros de soja e milho perderam 116.000 contratos líquidos. No dia 8 de agosto, quando a soja chegou a US$ 11,80 para setembro, a posição líquida dos Fundos era de apenas 85.400 contratos. No mesmo mês considerado, a perda líquida do milho foi de 85.800 contratos. A queda chega a 132.000 contratos se compararmos com o dia 10/06, quando o mercado estava em alta usando as enchentes nos EUA como motivo. Ou seja, o estudo comprova o que já informávamos há meses: há uma correlação direta entre os preços das commodities e a participação dos Fundos no mercado. Isso significa dizer que o mercado pode muito bem recuar fortemente, inclusive para os níveis históricos anteriores (a média de 36 anos da soja em Chicago é de US$ 6,33 por bushel), nos próximos meses. Basta que os Fundos encontrem outras motivações para especular e venderem suas posições, como ocorre desde meados de julho passado. Esta é uma possibilidade concreta, pois um novo tombo de cinco dólares e a soja já alcança sua média histórica.
O AGRONEGÓCIO SALVA A BALANÇA COMERCIAL
A balança comercial brasileira fechou 12 meses (agosto/07 – julho/08) com um superávit de US$ 30,76 bilhões. Nesse mesmo período, o superávit do agronegócio nacional alcançou 57,3 bilhões, atingindo exportações de US$ 68,1 bilhões ou 24% acima do obtido no ano agosto/06 – julho/07. Somente em julho de 2008, o superávit exportador do agronegócio chegou a US$ 6,8 bilhões. Dessa forma, o resultado final do conjunto de nossas exportações somente foi positivo graças ao setor primário. Obviamente, o mesmo foi puxado pelos altos preços internacionais, porém, tal comportamento tem sido quase uma constante nos últimos anos. Isso amplifica ainda mais o prejuízo que podemos ter nesse setor com o novo fracasso das negociações comerciais junto a OMC.
A CRISE E O DÓLAR
Deve estar surpreendendo a muitos a pequena recuperação do dólar perante o Real nesses últimos dias, quando a moeda dos EUA passou de R$ 1,56 para R$ 1,62 em nosso país. Embora a tendência de longo prazo continue indicando o caminho de R$ 1,50, o movimento desse início de agosto está na lógica da situação econômica. Muitos investidores, especulativos na maioria, estão saindo do país para cobrir rombos em suas contas em outros países, particularmente nos EUA, onde a crise do setor imobiliário continua (acaba de completar um ano) e não há nenhuma indicação de solução imediata. Aliás, tal situação confirma o freio na economia mundial, fato que não permite que a especulação sobre os preços das commodities continue. Isso explica igualmente a queda nas cotações internacionais dessas mercadorias, a começar pelo petróleo que, nessa semana chegou a bater próximo de US$ 110,00/barril. Menos dólares na economia, mais valorizado ele fica. Resta saber se os investimentos externos diretos, somados ao superávit comercial esperado, venham a compensar esta saída de capitais até o final do ano.
O RECUO DA ECONOMIA MUNDIAL
Confirma-se cada vez mais a tendência indicada ainda no final do ano passado. Diante do tamanho da crise dos EUA, com seus enormes reflexos mundiais, o crescimento econômico geral diminui, freando o comércio, a geração de empregos e a liquidez internacional. Segundo o FMI, o PIB mundial ficará em 4,1% em 2008 e 3,9% em 2009, após 5% em 2007. Os países emergentes, onde se inclui o Brasil, terão um crescimento médio de 6,9% nesse ano e 6,7% em 2009, após 8% em 2007. O principal motivo desse comportamento é a freada da economia chinesa que, após 12% no ano passado, projeta um PIB de 9,7% em 2008. Já o Brasil deve crescer nesse ano algo entre 4% e 5%, passando a algo entre 3,5% e 4,5% em 2009, após ter atingido a 5,3% em 2007. A boa notícia disso tudo é que, apesar de a crise se mostrar significativa, a economia mundial tem resistido relativamente bem, eliminando, por enquanto, a possibilidade de recessão.
POR QUE O COMBUSTÍVEL NÃO SUBIU MAIS?
Deve ter causado surpresa o fato de, diante dos elevados preços do petróleo no primeiro semestre desse ano, o diesel e a gasolina, no Brasil, não terem tido um reajuste maior em seus preços. Isso não ocorreu porque o governo segurou os aumentos, permitindo apenas um reajuste desde setembro de 2005. Além do controle da inflação, a base da lógica estaria nos ganhos que a Petrobrás acumulou graças a um mercado mundial em alta, mesmo que isso possa comprometer certos investimentos futuros da estatal. Os números divulgados recentemente confortam a lógica. A Petrobrás viu seu lucro aumentar em 44% no primeiro semestre desse ano, em comparação ao ano anterior. Com o resultado recorde de US$ 15,7 bilhões, o lucro da Petrobrás, no período, foi o que mais cresceu no mundo, superando largamente o ganho de 20% da francesa Total, que ficou em segundo lugar.