OS FUNDOS SOBERANOS DOMINAM A ECONOMIA
Enquanto o Brasil discute a criação de um Fundo Soberano (fundo criado por países emergentes com sobra de recursos e superávits estruturais), agora alimentado pelas novas reservas petrolíferas descobertas, os fundos existentes no mundo estariam reequilibrando as relações econômicas Norte-Sul. Os Fundos Soberanos hoje financiam a economia mundial, sendo um apoio importante para os países desenvolvidos saírem da crise, iniciada com o estouro da bolha imobiliária nos EUA. Os mesmos estariam sendo considerados como atores centrais da segunda onda de recapitalização do setor bancário nos EUA e na Europa. Os principais Fundos Soberanos estão situados no Oriente Médio, na Ásia, Noruega e Austrália. Apenas o Fundo Abu Dhabi Investment Authority possui um patrimônio de US$ 875 bilhões (quase o PIB de todo o Brasil). Já o Fundo Singapour Temasek é detentor de 15% do banco Merrill Lynch. Ou seja, o conjunto desses Fundos espalhados pelo mundo, atuais gigantes das finanças mundiais, poderão multiplicar por cinco seu poderio financeiro, passando de US$ 3 trilhões para US$ 15 trilhões no espaço dos próximos cinco anos, na medida em que se interessam por outros setores da economia nesse momento. O Fundo do Catar, por exemplo, propôs à prefeitura de Milão (Itália) financiar os grandes projetos de infra-estrutura a serem utilizados na Exposição Universal de 2015. Tal movimento significa que esses fundos estão confirmando o status de investidores de longo prazo e não apenas especuladores. A ponto de analistas europeus considerarem que os Fundos Soberanos constituem, hoje, uma das principais fontes de liquidez, sendo que cada vez mais a demanda por investimentos no Norte irá encontrar oferta de recursos no Sul.
OS FUNDOS SOBERANOS DOMINAM A ECONOMIA (II)
Esta nova realidade exige uma profunda reflexão sobre a propriedade do capital no mundo e como ele vem sendo utilizado. Afinal, segundo o grupo britânico Dealogic, o desenvolvimento dos Fundos Soberanos é espetacular nos últimos 15 anos. As aquisições dos mesmos passam de US$ 60 milhões em 1995 a US$ 429 milhões em 2000, US$ 5,1 bilhões em 2004, US$ 18,5 bilhões em 2006, atingindo US$ 54,1 bilhões em 2007. Na primeira metade de 2008 as mesmas já somavam US$ 49,2 bilhões, chegando ao número de 43 empreendimentos novos. Por sua vez, o banco estadunidense State Street estima que os Fundos Soberanos poderão, em conjunto, daqui a cinco anos, possuir 5,5% do capital das 8.000 maiores empresas mundiais cotadas em Bolsa. Dá para imaginar o grau de volatilidade, que já é enorme, na cotação das ações de tais empresas. No Brasil, a idéia do Fundo Soberano é de financiar investimentos internos em infra-estrutura, educação, saúde etc. Todavia, se o Estado continuar desorganizado financeiramente, gastando sempre mais do que arrecada, o Fundo pode acabar servindo para sustentar a máquina estatal, perpetuando a ineficiência da mesma.

