SUPERÁVIT COMERCIAL CAI FORTEMENTE
O comércio exterior brasileiro, apesar dos altos preços das commodities mundiais, acabou cedendo ao câmbio em 2008. Ou seja, a sobrevalorização do real, que durou praticamente nove meses do ano, acabou pesando significativamente para o forte recuo do superávit comercial nacional. No último trimestre do ano, apesar da melhora no câmbio, foi a crise financeira mundial que freou nossas vendas externas. Assim, terminamos 2008 com um superávit de US$ 24,73 bilhões o qual representa um recuo de 38,2% sobre 2007. E as primeiras projeções para 2009, em continuando a atual realidade econômico-financeira, é de um novo recuo, agora de 31%, com o superávit se estabelecendo em US$ 14,5 bilhões, devido a queda em 17,6% nas exportações, em relação a 2008 (cf. a Associação de Comércio Exterior do Brasil). Um problema sério que, dentre outras coisas, deverá gerar desemprego e menor PIB caso não se consiga direcionar as vendas faltantes para o mercado interno brasileiro. Neste ano de 2008 as exportações somaram US$ 197,9 bilhões e as importações US$ 173,2 bilhões, correspondendo a um aumento respectivo de 23,2% e 43,6%. Em outras palavras, o crescimento das importações, em valores, foi quase o dobro do registrado pelas exportações. O mês de maior saldo comercial foi maio, com US$ 4,07 bilhões, seguido de julho com US$ 3,32 bilhões. Os três últimos meses do ano, atingidos em cheio pelos efeitos da crise mundial, registraram um superávit total de US$ 5,12 bilhões. Na comparação com 2007, o saldo de dezembro de 2008 ficou 56% menor. E isso que o dólar médio, de um mês para o outro, pulou de R$ 1,786 para R$ 2,393 (+34%). Em outras palavras, a crise mundial está sim atingindo a economia brasileira e avançando pouco a pouco sobre os diferentes setores da economia.
EVOLUÇÃO DO COMÉRCIO EXTERIOR NACIONAL
É inegável, todavia, que as exportações brasileiras avançam historicamente, embora ainda sejamos um país bastante fechado. Nos últimos 58 anos, nossas exportações foram multiplicadas em 141 vezes, passando de US$ 1,4 bilhão para US$ 197,9 bilhões. Já nossas importações cresceram ainda mais, sendo multiplicadas em 192 vezes, ao passarem de US$ 0,9 bilhão para US$ 173,2 bilhões entre 1950 e 2008. Todavia, nosso grau de abertura comercial, que mede quanto o PIB nacional depende do comércio externo, passou de 15,3% em 1950 para 23,6% na projeção para 2008. Lembrando que durante toda a década de 1990 o mesmo variou entre 11% e 15% apenas. Entretanto, nossa participação nas exportações mundiais, que era de 2,37% em 1950, caiu para apenas 1,17%, demonstrando que perdemos espaço no mercado internacional, sendo que entre 1995 e 2003 estivemos abaixo de 1%.

