A DEMANDA MUNDIAL RECUA
O esforço internacional, diante da crise econômica, se concentra agora em controlar seus efeitos visíveis na economia real. Para o FMI, o crescimento médio da economia mundial (PIB) em 2009 ficará abaixo de 2,2%. Agora, é preciso evitar que a recessão se transforme em Grande Depressão, estilo 1929, segundo o economista-chefe do Fundo Monetário. Isso porque a demanda internacional recua dia após dia, como já era esperado.
Nesse sentido, o Fundo revê sua receita e passa a aconselhar que os governos multipliquem suas despesas orçamentárias visando sustentar o crescimento, receita, aliás, rapidamente adotada pelo governo brasileiro nos últimos meses. As pessoas mais avisadas, percebendo o tamanho do problema, passaram a frear seus gastos a partir de outubro. Com isso, sem a demanda privada será preciso que o outro lado sustente a economia, o lado do setor público.
O risco é um aumento nos déficits já existentes, que tornarão a vida ainda mais dura passada a crise. Particularmente em países onde a corrupção e a falta de ética e profissionalismo no meio estatal, em muitos setores, ainda são a tônica. O Brasil que o diga!!!
A DEMANDA MUNDIAL RECUA (II)
Dois tipos de medida vêm sendo indicadas para que o setor público combata a atual crise. A primeira é aumentar os gastos públicos visando restabelecer a confiança e retomar a demanda.
Para tanto, é preciso utilizar as ferramentas monetária e orçamentária, além de consertar o sistema financeiro, causador de todo o problema. Nesse sentido, o FMI sugere que tais instituições reconheçam suas perdas e atualizem seus balanços. As mesmas devem se separar de seus ativos duvidosos, nem que para isso contem com o auxílio do Estado. O FMI acusa que o processo, decidido na reunião do G20 em novembro passado, além de outros encontros internacionais, está sendo posto em prática muito lentamente e atingindo valores pequenos.
Diante disso, os bancos continuam liquidando posições e, no caso do exterior, repatriando quantidades consideráveis de capital que haviam lá aplicado. Dos quatro trilhões de dólares que tais bancos tinham aplicado nos países emergentes, cerca de um trilhão já retornou à origem nos últimos meses, causando forte pressão sobre o câmbio local.
Isso explica porque o dólar se mantém valorizado no Brasil, por exemplo, mesmo com o Banco Central brasileiro intervindo no mercado cambial.
A DEMANDA MUNDIAL RECUA (III)
A quantidade de recursos públicos que precisaria ser utilizada para atacar o problema equivaleria a 2% ou 3% do PIB mundial, hoje calculado em US$ 40 trilhões, ou seja, algo entre US$ 800 bilhões e US$ 1,3 trilhão.
Uma soma que, para muitos, já seria insuficiente tamanho é o problema mundial provocado pela crise. Por outro lado, outro desafio está em como gerenciar devidamente tal soma de dinheiro para que ela produza efeitos positivos e não seja desviada pela corrupção e burocracia que grassa em diversos países. Paralelamente, o FMI aconselha que os melhores resultados são obtidos via aumento das despesas públicas, desde que bem feitas, do que pela redução das receitas, via eliminação de impostos por exemplo. Isso porque, nesse último caso, a tendência é que a medida tenha efeito apenas pontual, de curto prazo, não sendo suficiente.
A redução de impostos ou a transferência de renda tem eficácia se for direcionada às classes mais pobres, pois iriam gastar rapidamente, auxiliando a dinamizar a economia. Ora, isso funciona desde que as mesmas não sejam compelidas a se endividarem em demasia. Caso contrário, logo adiante teremos um problema social e econômico maior ainda, que ficará restrito a países subdesenvolvidos e emergentes desta feita.
Enfim, pelo tamanho da necessidade de capitais para alavancar o mundo, o FMI só pode oferecer conselhos, pois está longe de possuir tais recursos financeiros para injetar na economia mundial.
O DESEMPREGO AUMENTA
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), com sede em Paris, calcula que o mundo perderá pelo menos 25 milhões de empregos até 2010 em função da crise econômico-financeira internacional. A maioria dos principais países está em recessão desde o final de 2008 e assim deverá permanecer pelo menos durante o primeiro semestre de 2009.
Nos EUA, por exemplo, somente em novembro passado 533.000 empregos foram suprimidos, elevando o total dos primeiros 11 meses de 2008 a 1,9 milhão de empregos. A taxa de desemprego atingiu a 6,7% em novembro passado, sendo a mais elevada dos últimos 15 anos, com o país possuindo 10,2 milhões de desempregados. Nesse sentido, os EUA jamais tinham destruído tantos empregos desde 1945, último ano da 2ª Guerra Mundial.
O mercado está esperando uma destruição de empregos nos EUA, a partir de dezembro passado, da ordem de 300.000 a 400.000 por mês. Com o fenômeno atingindo agora o setor de serviços, prova de que a crise se alastra a todos os setores da economia.