A RECESSÃO
Tecnicamente, recessão significa uma conjuntura de declínio da atividade econômica de um país, caracterizada por queda da produção, aumento do desemprego, diminuição dos lucros e aumento das falências e concordatas. Se tal situação se prolonga no tempo, a economia entra em depressão, caracterizando um estágio de crise dos mais agudos possíveis.
Atualmente, se considera que um país esteja em recessão quando sua economia registra um PIB negativo por dois trimestres consecutivos. Nesse contexto, após as principais economias do mundo e outras tantas emergentes e subdesenvolvidas terem chegado à recessão, ainda no final de 2008, teria chegado a vez do Brasil.
O anúncio de um crescimento negativo de 3,6% no PIB do último trimestre do ano passado e a perspectiva de um resultado ainda pior, pelo aprofundamento da crise, no primeiro trimestre deste ano, colocariam nosso país tecnicamente em recessão. A questão agora é dimensionar a duração do processo recessivo.
Os esforços oficiais em gerar liquidez no mercado, via dinheiro público, parece que apenas evitaram um tombo pior, porém, não têm sido suficientes para elevar o PIB. Por outro lado, diante do agravamento da crise mundial, a liquidez privada deverá demorar mais do que o previsto para retornar ao mercado nacional.
Exemplo disso é a forte queda da Bovespa e de outras bolsas mundiais nas últimas semanas. Assim, a tendência é de que o mundo saia da recessão apenas na virada do ano, ou seja, no início de 2010.
Já o Brasil, por ter melhor se organizado economicamente nos últimos 15 anos, tem possibilidade de sair da recessão mais cedo. Espera-se que no segundo semestre isso seja possível. Todavia, nosso crescimento econômico em 2009 tende a ser pífio, ou seja, pelo quadro atual nosso PIB anual ficaria entre 0,5% e 1%, contra 5,1% registrado em 2008. Em outras palavras, em termos econômicos, 2009 já estaria perdido antes mesmo de terminarmos o terceiro mês do ano.
A RECESSÃO (II)
A confirmação de que mundialmente a crise será longa, adentrando 2010, nos chega agora não mais pelos resultados negativos dos balanços das principais empresas, e particularmente de alguns bancos internacionais, mas sim pelo PIB dos diferentes países.
Se o Brasil ficou assustado com um PIB negativo de 3,6% no último trimestre do ano passado, o que dizer dos japoneses que registraram, no mesmo período, uma queda de 12,1% em seu PIB. Além disso, EUA, União Européia, zona da OCDE e outros países já declaram queda substancial na geração de riqueza nos últimos meses.
A tal ponto que as últimas previsões dão conta de que a economia mundial, como um todo, irá recuar 2% em 2009.
BALANÇA COMERCIAL
Os resultados da balança comercial brasileira, até o final da primeira semana de março, confirmam as dificuldades econômicas.
O saldo da primeira semana de março ficou em US$ 284 milhões, acumulando no ano um número positivo de US$ 1,527 bilhão. Esse resultado é 5,3% abaixo do registrado no mesmo período do ano passado. Ou seja, estamos ainda mantendo um saldo comercial positivo, porém, em declínio. A tendência, na melhor das hipóteses, é terminar o ano com um saldo de US$ 14 bilhões, isto é, cerca de US$ 10 bilhões a menos do que o resultado final de 2008.
A queda nos preços mundiais das principais commodities negociadas pelo Brasil e a redução das compras, devido à crise, por parte de nossos parceiros comerciais, explicam em grande parte o resultado.
A situação só não será pior porque temos uma forte desvalorização do real neste ano, fato que auxilia na exportação e freia parcialmente as importações.
MILHO A PREÇO MÍNIMO
Infelizmente para os produtores de milho no Brasil a tendência de queda nos preços está se confirmando. A entrada da nova safra de verão, associada a um estoque de passagem ao redor de 5 milhões de toneladas (o maior dos últimos 10 anos), traz o preço de balcão paulatinamente para os níveis mínimos oficiais (R$ 16,50/saco).
E a tendência será de um mercado difícil, pelo menos até outubro, quando inicia a entressafra no sul do país. Isso porque, mesmo com uma redução de 10% na área a ser semeada com a safrinha nacional, a produção final do Brasil pode chegar a 51,7 milhões neste ano.
Volume menor do que o do ano anterior, porém, ainda muito importante. Diante de um consumo interno em recuo, pela redução nas vendas externas de carnes, o país precisará exportar entre 7 e 8 milhões de toneladas de milho “in natura” para aliviar os estoques e recuperar os preços do cereal.
E isso que no Rio Grande do Sul tivemos uma quebra de safra superior a 20%! A situação, em termos de resultado final, só não é pior porque muitos produtores optaram pelo milho transgênico, fato que permite maior produtividade final com menos custo.
Por outro lado, os consumidores do cereal, particularmente os criadores de aves e suínos, acabam tirando vantagem da situação, num momento em que enfrentam uma importante crise de preços em seus produtos, pois o principal componente dos custos de ração se torna sensivelmente mais barato em comparação ao ano passado.