G 20
No próximo dia 2 de abril, em Londres, o mundo assistirá a uma nova reunião do G 20 em busca de soluções para a crise econômico-financeira mundial. Sem um acerto cooperativo entre as principais nações do mundo, no sentido de recuperar o sistema financeiro internacional, a começar pelo dos EUA, a crise não irá terminar.
Assim, a ideia será, além de criar um sistema de regulação do capital financeiro, gerar um compromisso multilateral que propicie maior liquidez mundial, recuperando o sistema bancário. Devido ao tamanho da crise e sua duração, já não é mais suficiente uma reunião apenas do G 7, que reúne as principais economias do Planeta.
Trata-se agora de incorporar ao debate nações emergentes, tais como o Brasil, já que as mesmas assumem importância razoável por estarem um pouco à margem de uma crise cujo epicentro está nas nações desenvolvidas. Resta saber se o G20 conseguirá avançar no encaminhamento de soluções concretas. Em termos estruturais, espera-se que a reunião lance as bases para uma profunda reforma do sistema financeiro mundial.
O Brasil defende que será preciso uma nova fiscalização de operações financeiras internacionais; reforçar e reformar o FMI, de maneira a que o Fundo tenha mais recursos para intervir na economia mundial; e que o protecionismo comercial seja reduzido. Para se ter uma ideia do desafio, um dos problemas a enfrentar é o volume de dinheiro mundial depositado em paraísos fiscais, de origem geralmente fraudulenta, e que serve para especular mundo afora.
O mesmo chegaria a US$ 7 trilhões! Isso equivale a cinco vezes o PIB brasileiro ou quase um sexto de toda a riqueza produzida no mundo, em valores de hoje.
MENOS EMPRESAS E MERCADO EXTERNO
Um dos efeitos da crise é o recuo no comércio exterior brasileiro, o qual se espalha pelos diferentes Estados da Federação. O Rio Grande do Sul, por exemplo, viu suas exportações recuarem nos dois primeiros meses de 2009, com janeiro registrando US$ 704,51 milhões e fevereiro US$ 876,19 milhões.
Em fevereiro de 2008, o Estado havia exportado US$ 1,19 bilhão e em dezembro do mesmo ano chegou a US$ 1,58 bilhão. Por sua vez, é na soma das importações e exportações gaúchas (corrente de comércio) que o impacto da crise é mais evidente.
Em fevereiro de 2008 o valor total chegou a US$ 2,19 bilhões. Um ano depois (fevereiro de 2009) o valor total ficou em apenas US$ 1,47 bilhão. Ou seja, a corrente de comércio externo gaúcha recuou 33% no período.
Tal situação vem eliminando empresas do mercado externo. Segundo dados recentes da Associação de Comércio Exterior do Brasil, mais de 2.000 empresas deixaram de atuar nesse comércio em nosso país somente em janeiro de 2009. Cerca de 1.109 empresas brasileiras deixaram de exportar e 1.041 deixaram de importar.
A grande maioria é de pequeno e médio porte, justamente as que, proporcionalmente, mais geram empregos. Para se ter uma ideia do problema, entre janeiro de 2007 e janeiro de 2008 (um ano antes), apenas 16 empresas nacionais deixaram de exportar e 1.935 empresas entraram no mercado importando.
A CONTRADIÇÃO OFICIAL
No contexto de perda de mercado externo, o governo aprofunda os mecanismos imediatos de crédito visando aumentar o consumo interno. No entanto, tais mecanismos têm levado a população a um endividamento muito alto, aumentando a inadimplência, hoje atingindo a 15% de todos os agentes econômicos nacionais.
Esta situação está potencialmente gerando um grande problema logo adiante, que poderá ser pior para a economia brasileira do que a própria crise global em si: a incapacidade geral de compra elimina a reprodução do sistema produtivo.
Entra nesse contexto de risco a decisão de aumentar o limite do empréstimo consignado, de 20% para 30%, junto aos aposentados da Previdência Social. Enquanto isso, e contraditoriamente, o governo continua concentrando renda via aumento da carga de impostos paga pelos brasileiros.
O ano de 2008 fechou com o total de impostos e contribuições pago pelo cidadão brasileiro chegando a 36,56% do PIB, contra 35,54% um ano antes. Volume de dinheiro que acaba se perdendo no ralo do custo do Estado, tipo pagamento de horas-extras para funcionários do Senado.
De fato, o Senado autorizou o pagamento de R$ 6,2 milhões em hora-extra a seus funcionários, pois teriam trabalhado mais em janeiro para definir a pauta de fevereiro. Ocorre que nesse último mês houve apenas uma única sessão.
Uma vergonha nacional, dentre tantas outras que se acumulam em torno dos gestores do Estado brasileiro nesses últimos anos.
SOJA: REPIQUE DE PREÇOS EM CHICAGOAs cotações da soja em Chicago voltaram a subir nesta terceira semana de março, alcançando novamente o patamar de US$ 9,40/bushel para o primeiro mês cotado.
Com isso, nos primeiros 19 dias de março o bushel recuperou praticamente um dólar. A volta de preocupações imediatas com o clima no sul do Brasil e na Argentina, onde a chuva deixou de comparecer a contento em março, e o retorno da especulação, antecipando um relatório de intenção de plantio baixista nos EUA (a ser anunciado em 31/03), estariam na origem do movimento.
Assim, a tendência continua sendo de preços abaixo de US$ 9,00/bushel, particularmente a partir de abril, salvo se o clima nos EUA se encaminhar para uma seca.