BUNGE EM DIFICULDADES (?)
No final de 2009 circulou a notícia (Jornal Valor Econômico) de que a Bunge, grande transnacional de grãos, estaria processando mais uma reestruturação no Brasil. Os efeitos da crise mundial estariam por trás da decisão. Trata-se da venda de parte de seus armazéns espalhados pelo Brasil, na lógica de sair parcialmente do mercado de alguns grãos ou, pelo menos, modificar sua maneira de agir nesse mercado. A queda nos preços das commodities mundiais, particularmente em 2009, atingiu em cheio a empresa e muitos silos já teriam sido vendidos em busca de caixa. A empresa estaria abandonando seu projeto de estar presente em todas as regiões de fronteira. Apenas no Mato Grosso a Bunge possuía 1,4 milhão de toneladas de capacidade de armazenagem instalada. Um dos motivos da crise particular da Bunge, dentro da crise econômica maior, teria sido deixar de travar (realizar hedge) de um volume importante de soja em bolsa, após comprá-la dos produtores. A queda dos preços do produto pegou a empresa desprotegida. Além disso, parte do caixa da Bunge e de outras tradings acabou sendo consumida pelos ajustes diários na Bolsa, diante da valorização dos grãos em 2007 e 2008. Como conseqüência de tudo isso, dentre outras coisas, a transnacional reduziu os financiamentos diretos aos produtores no Centro-Oeste, ficando apenas com aqueles que entregam grandes volumes e são parceiros antigos.
MAIS CARO O ARROZ COM FEIJÃO
O prato típico do brasileiro, o tradicional arroz com feijão, deverá ficar mais caro nesse início de 2010. Isso se deve à quebra de safra das duas culturas no sul do Brasil, particularmente no Rio Grande do Sul. No caso do arroz, as chuvas e enchentes atrasaram o plantio, impediram algumas áreas de serem semeadas e muitas tantas foram e continuam alagadas. Com isso, já circulam estimativas de que a produção gaúcha, inicialmente prevista para 7,9 milhões de toneladas, sofra uma perda de até 20%, ou seja, 1,58 milhão de toneladas. Houve igualmente problemas no arroz de sequeiro do Centro-Oeste. Assim, os preços ao consumidor, infelizmente, deverão subir pelo menos 10% segundo as cerealistas. Para o produtor gaúcho, o preço ruim, que estava ao redor de R$ 26,00/saco de 50 quilos até dezembro, nessa primeira quinzena de janeiro já bateu em R$ 30,00/saco em muitas localidades, com tendência a ir mais longe. O governo, preocupado com a pressão inflacionária do problema, deverá importar cerca de um milhão de toneladas do produto, particularmente da Argentina e do Uruguai, aproveitando-se do câmbio favorável. Isso poderá, principalmente, segurar os preços junto aos produtores rurais mas não exatamente junto aos consumidores. Quanto ao feijão preto, as chuvas causaram perdas e redução da qualidade em grande parte das lavouras, assim como os baixos preços reduziram a área semeada (no Paraná a projeção é de 30% a menos de área). Assim, não se descarta uma produção final 50% menor do que o esperado inicialmente. Os preços para o produtor do sul do país, que estavam estacionados entre R$ 55,00 e R$ 60,00/saco de 60 quilos, começam a sofrer pressão altista, devendo atingir logo mais o consumidor final. Nesse caso, ainda é cedo para se estabelecer um novo nível de preços, lembrando que em meados de 2008, no auge da euforia financeira pré-crise, o preço pago ao produtor chegou a ultrapassar R$ 150,00/saco.
INVESTIMENTO EXTERNO DIRETO E O CÂMBIO
Os dólares continuaram a entrar no Brasil neste início de 2010, segurando o câmbio ao redor de R$ 1,74 na média desta primeira quinzena de janeiro. O fluxo positivo de dólares no país, somando os resultados da área financeira e comercial, resultou em US$ 28,7 bilhões, sendo o terceiro maior da série oficial, iniciada em 1982. E isso que o investimento externo direto deve ter recuado para US$ 25 bilhões, após US$ 45,1 bilhões recebidos em 2008. Esse recuo se deu em função da crise econômica mundial. A título de comparação, a China foi o país que mais recebeu tais investimentos em 2009, alcançando US$ 90,3 bilhões. Para os padrões brasileiros, em continuando esta tendência de entrada de capitais, produtivos e especulativos, dificilmente o dólar ganhará força, fato que manterá o Real sobrevalorizado em 2010. Salvo se o governo brasileiro, visando melhorar o quadro para os exportadores, aumentar a alíquota de IOF sobre o capital especulativo que entra no país, hoje em 2%.
EXPORTAÇÕES DO BRASIL E OS EMERGENTES
Como sabemos, o Brasil fechou 2009 com exportações totais de US$ 152,99 bilhões, representando uma queda de 22,7% sobre o registrado em 2008. Diante desses números percebemos que nosso comércio externo ainda é muito fraco. Para o tamanho do país, deveríamos exportar muito mais e melhor. Para se ter uma ideia de comparação, a China, um país emergente igualmente membro do Grupo conhecido como BRIC, é bem mais agressiva no mercado externo do que nós brasileiros. O país asiático exportou US$ 1,2 trilhão no ano passado. Isso significa 7,8 vezes mais do que o Brasil. Ou ainda, praticamente o PIB brasileiro desse último ano (em dólares). Aliás, com tais exportações a China acaba de assumir a liderança mundial nas vendas externas, superando a Alemanha.