Eufemismo é uma palavra de origem grega que quer dizer, segundo o dicionário Aurélio “Ato de suavizar a expressão de uma idéia, substituindo a palavra ou expressão por outra mais agradável, mais polida”. Ou seja, a maneira politicamente correta, ou ainda melhor, o modo falso de dizer alguma coisa sem ofender a quem pode se sentir ofendido por aquilo que se quer dizer.
Outro dia uma jovem, filha de um amigo recente, que deve ter nascido quando eu atingia a idade mínima para ser candidato a senador, disse-me bem ao modo de quem jamais desagrada: “Você não é velho, é jovem há mais tempo”. Ora, ora... Que jeitinho hábil o daquela mocinha! Claro, qualquer um que tenha idade superior à do mais velho de seus pais é, para ela, velho. É assim que as crianças e os jovens delimitam as faixas etárias. Isso quer dizer que, a cada aniversário desse pai ou mãe o conceito de velhice é empurrado para um limite imediatamente além daquele que se tinha antes.
Eufemismo é isso – um modo delicado de dizer uma verdade. Um modo gentil com que alguém se refere aos nossos possíveis defeitos ou problemas, sem nos ofender. Como diria meu concunhado Cláudio: “Não veja nisso um defeito dela, mas antes, uma virtude”. Muito bom, bem diferente daquela do refrigerante, que insinua que depois dos 40 qualquer homem é “tio”, “sukita”, e que por isso, e apenas por isso é considerado um bobo. Ou como dizem: um “Bill”.
Por um lado, principalmente de uns tempos pra cá, é isso que a hipócrita mídia ocidental, a publicidade em geral, vem ensinando aos nossos jovens e adolescentes. E por outro lado, os politicamente corretos, ou os eternos oradores das salas de aulas vem tentando encontrar um substituto para a palavra “velho”: Idoso é muito formal; ancião é pejorativo (insinua alguém em decrepitude, dizem); vetusto é vernacular; provecto, senil, gagá, esclerosado, pé na cova... Putz, aí é bravo!
Criaram então a tal de “terceiridade” para os aposentados ou para os que aos poucos vão deixando de ser “produtivos”. Só que, ao agirem assim, procuram sempre um limite, e esse limite tem variado na razão direta do conceito de cada um, e não raramente vemos referências a uma pessoa na faixa dos cinqüenta, ou mesmo dos quarenta anos, como sendo de “terceiridade”. Ora, gente! Entre os 40 e 60 anos de idade é quando o sujeito encontra o apogeu de sua produtividade, é só aí que o ponto de equilíbrio é atingido, aquele que alia, como dizem os caipiras, a prática com a gramática. A isso, soma-se o fato de que a idade mediana em todo o mundo vem sendo empurrada para números cada vez maiores diante dos avanços da medicina e do próprio comportamento das pessoas, que se mantêm jovens nas atitudes em geral, na linguagem, no modo de vestirem, de divertirem, e mesmo de se relacionarem com pessoas de outras faixas etárias.
Coluna de
Paulo Lot Calixto Lemos

