A crise econômico-financeira mundial traz à tona um debate um tanto antigo, porém, pertinente. A necessidade de se construir um indicador econômico que meça efetivamente a realidade socioeconômica dos países. Sabe-se de longo tempo que o indicador conhecido como Produto Interno Bruto (PIB), que mede a riqueza produzida pelas empresas e habitantes de um país ou região, não é suficiente.
Isso porque o mesmo serve apenas como indicador de geração de riqueza, sendo tão somente uma informação para o estágio de crescimento econômico de uma nação. Todavia, o mesmo não permite medir o estágio de desenvolvimento desta mesma nação. Cientes desse problema, já em 1990 os técnicos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançaram um indicador que visava dar maior visibilidade e informação a respeito justamente do desenvolvimento das nações.
Tal indicador é conhecido como Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) o qual, mais recentemente, receberia a companhia do Índice de Pobreza Humana (IPH), esse muito menos conhecido e usado até hoje. Agora, diante da forte crise que vivemos busca-se um novo indicador que possa, talvez, substituir não só o PIB mas igualmente fundir todos estes indicadores citados num só.
A ideia se desenvolve na França e busca gerar um indicador que leve em conta, além dos aspectos tradicionais dos índices já existentes, igualmente o desenvolvimento sustentável (para isso será preciso melhor definir o que se entende por sustentabilidade econômica) e os aspectos ecológicos. O desafio é enorme mas o mundo científico estaria convencido de que os indicadores atuais não refletem o real cotidiano das pessoas e não fornecem suficientemente informações para a tomada de decisões.
Um novo PIB (?) (II)
Se por um lado já existe um consenso, que não é novo, de que o PIB é inadequado para definir a riqueza e o desenvolvimento de um país, também é certo que não se tem clareza ainda de que metodologia adotar para que o conjunto da população mundial se aproprie e consiga usar o ou os novos indicadores econômicos.
Hoje, por exemplo, somente as atividades de mercado são contabilizadas no cálculo do PIB. Isso exclui, por exemplo, atividades extremamente importantes como o lazer e o trabalho doméstico. Além disso, o PIB tem outro grave problema, há muito detectado igualmente: ele não destaca a divisão de renda existente nos país e no mundo.
Isso porque ele privilegia a média. Assim, na média a renda per capita de uma nação pode ser relativamente elevada, porém, ela esconde a forte concentração de renda existente no país. No Brasil, por exemplo, mais de 75% da renda nacional é detida por 10% da população. Além disso, o cálculo do atual PIB não leva em conta o uso e esgotamento dos recursos naturais e tampouco sua degradação.
Algo que ganha cada vez mais importância no cenário internacional do século XXI. Assim, o novo indicador, para privilegiar a lógica do desenvolvimento sustentável, deve ser harmoniosamente equilibrado em torno de três pilares: a economia, o social e o meio ambiente.
Nesse sentido, a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) avança a ideia de que se deva construir uma bateria de novos indicadores, tipo: um PIB corrigido, que leve em conta as desigualdades; uma renda disponível líquida por habitante; uma renda mediana, que separe a população em duas partes (os 50% que não a atingem e os 50% que a ultrapassam).
Ainda é cedo para se dizer aonde tudo isso irá chegar. Porém, o velho PIB parece realmente estar com os dias contados!