Os números do PIB indicam que o segundo trimestre foi melhor nas principais regiões do mundo, especialmente no Brasil e na Zona Euro. Em nosso país, o PIB anualizado terminou o primeiro semestre de 2010 apontando para 8,9%, após 1,2% no segundo trimestre do ano. Apesar da economia estar freando, pois o primeiro trimestre registrou 2,7% de crescimento, a tendência geral continua sendo de um PIB nacional forte para 2010 (da ordem de 7%), algo que a estrutura de nossa economia não suporta, infelizmente. Desta forma, pode-se dizer que a decisão do Copom, de não aumentar a Selic, foi um tanto precipitada, já que a inflação continua pressionando, haja vista os números do IGP-M de agosto. Provavelmente medidas mais duras terão que ser tomadas logo após as eleições, já que o Copom parece ter se rendido às questões políticas de curto prazo. Por sua vez, o atual governo espera manter o crescimento, mesmo que mais baixo, sem gerar inflação graças a entrada de recursos externos produtivos. Todavia, além da China, conspira para isso a recuperação, até surpreendente, da economia na chamada Zona Euro da União Europeia, neste segundo trimestre de 2010. Ou seja, enquanto a crise continua forte na Europa do Sul, Alemanha e França, os líderes da União, registraram um crescimento de 2,2% e 0,6% no segundo trimestre deste ano, contra 0,5% e 0,2% no primeiro trimestre, respectivamente. A notícia é tão alvissareira que os alemães já prevêem um crescimento anual de 3%. Tal comportamento vem temperar as dificuldades dos EUA.
Um Segundo Trimestre Melhor, Mas...(II)
O crescimento da economia alemã se deve às exportações, graças à retomada do comércio externo e também à desvalorização do euro a partir das crises que estouraram em parte dos países europeus (PIIGS). Uma retomada que gera críticas importantes dos demais países já que a Alemanha não favorece importações de seus vizinhos europeus, no exato momento em que estes mais precisam. Por outro lado, o Brasil não consegue tirar proveito do mercado externo, pois vem reduzindo substancialmente seu saldo comercial, importando mais do que exporta, em função de um câmbio sobrevalorizado nestes últimos anos. Assim, se é positivo o fato de que parte da economia mundial se recupera, após três anos do início da crise, também são necessários alguns alertas. Em primeiro lugar, apesar do discurso do G20 de construir um novo sistema de regulação do sistema financeiro mundial, apenas medidas pontuais estão sendo realizadas, caso da reforma do sistema nos EUA (por enquanto no papel). Em segundo lugar, os Estados se comprometeram a reformar suas estruturas. Alguns no mundo rico o estão fazendo, caso da Alemanha, Inglaterra, França..., porém, muito lentamente, enquanto os demais países, inclusive o Brasil, nada fazem. Enfim, nesse contexto, a especulação financeira voltou a pleno vapor no mundo. Como se imaginava, o dinheiro público serviu para não deixar morrer a economia. Agora, o mercado assume o comando do processo novamente, porém, sem nenhum mecanismo eficiente de controle sobre a especulação. E isso que os efeitos da atual crise continuam presentes!