O modesto volume de investimentos em marketing é uma das principais causas do baixo valor de comercialização da produção agrícola brasileira tanto no mercado interno, como no externo. O assunto está sendo debatido por mais de 300 profissionais ligados ao agribusiness nacional reunidos em São Paulo, entre 11 e 12 deste mês, no VII Congresso Brasileiro de Marketing Rural, promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural (ABMR). O evento conta com a participação do Ministério da Agricultura e Abastecimento, através do seu Secretário de Produção e Comercialização, Pedro Camargo Neto, do Deputado Federal, Francisco Graziano e do Presidente da Associação Brasileira de Agribusiness, Roberto Rodrigues.
Também presentes a ex-ministra Dorothéa Werneck, diretora da APEX, Robert Wong, diretor da Korn/Ferry.com, os publicitários Alex Periscinoto e Luís Sales, e o vice-presidente do Conselho das Associações dos Cafeicultores do Cerrado – CAFÉ , Aguinaldo José de Lima especialista na formação da marca que participa da palestra “Como diferenciar commodities e criar marcas reconhecidas e valorizadas”.
Para o presidente da ABMR, Nivaldo Carlucci, o mercado de agribusiness está cada vez mais restrito e competitivo, o que exige ações que levem à diferenciação através de serviços e iniciativas visando a construção e consolidação de uma marca. Carlucci observa que mais do que as ferramentas convencionais como logística e preço, o setor necessita aliar-se à tecnologia disponível como o uso de práticas de comunicação e marketing realizando campanhas e incentivo, promoção de vendas e comunicação via internet.
Tese idêntica tem sido defendida por Dorothéa Werneck, diretora da Agência de Promoção e Exportação (APEX), que estará no evento para falar sobre o Projeto Marca Brasil. Para ela, o produtor de qualquer setor que vislumbre ampliar seus negócios precisa desenvolver sua marca para sem competitivo. Exemplo, é o café. Maior produtor mundial da bebida, o Brasil investe apenas US$ 2,5 milhões em marketing enquanto que a Colômbia aplica anualmente US$ 20 milhões.
Por outro lado, ocorre uma ascensão nos investimentos em marketing provenientes dos setores que fornecem para a produção (“antes de porteira”). É o caso dos segmentos de máquinas, implementos e insumos agrícolas – os mais diretamente envolvidos – que destinam à promoção e divulgação cerca de 3% do faturamento global de US$ 10 bilhões contabilizado em 2001. Dados da ABMR mostram que, nesse mesmo ano, a indústria de sementes investiu 5% do faturamento em marketing, seguido das empresas que atuam nas áreas de saúde animal e defensivos (4%), a nutrição animal (1,5%) e fertilizantes (0,5%).
Brasil Agrícola
BRASIL (US$) | AGRONEGÓCIO (US$) | PARTICIPAÇÃO (%)
PIB |595,9 bilhões | 167,8 bilhões |27
EXPORTAÇÃO |58,2 bilhões | 23,95 bilhões |40
IMPORTAÇÂO |55,6 bilhões | 4,9 bilhões |8,5
Mão-de-Obra | - | - |37
<b>ABMR</b>
A Associação Brasileira de Marketing Rural, fundada em 1979, tem como objetivo promover a integração e atualização do profissional de Marketing Rural, enriquecendo a comunicação e o diálogo entre a entidade e o setor, através de eventos, cursos, seminários, debates, premiações, congressos e pesquisa, enfim, trazer ao primeiro plano a discussão e desafios peculiares do marketing ao agribusiness.
A ABMR engloba as principais empresas de insumos agropecuários, da agroindústria, da comercialização e exportação de produtos primários ou industrializados da agropecuária, da área de pesquisa, do setor de serviços.
<b>AGRIBUSINESS EM DADOS</b>
As empresas e insumos agrícolas, máquinas e equipamentos e serviços destinam anualmente ao Marketing Rural, em média, ,3% do seu faturamento global que em 2001 foi de US$ 10 bilhões.
Maior produtor mundial de café, o Brasil investe apenas US$ 2,5 milhões na promoção do produto no exterior, enquanto a vizinha Colômbia aplica anualmente US$ 20 milhões.
A carne, a soja e as frutas brasileiras têm investimentos promocionais 20 vezes menores do que outros países exportadores.
A indústria de sementes investiu 5% do faturamento em marketing, as de saúde animal e defensivos agrícolas 4%, as de máquinas e implementos 2,5%, a de nutrição animal 1,5% e a de fertilizantes só 0,5%.
A soja do Cerrado tem um teor de proteína maior do que o da soja da Argentina e do Sul do Brasil. Nem por isso consegue preço mais alto porque o diferencial não é divulgado.
O PIB do agronegócio nacional foi de US$ 167,8 Bilhões em 2000 (último dado consolidado), representando 27% do PIB brasileiro de US$ 595,9 bilhões no mesmo ano.
A divulgação da carne suína brasileira feita em 2001 transformou a Rússia, que nunca havia comprado do Brasil, em nosso maior importador desse produto.
O agronegócio já contribui com 40% do total das exportações brasileiras, ao mesmo tempo em que importa apenas 8,5% do total adquirido pelo País no Exterior.
Enquanto no Brasil o agronegócio emprega 37% da mão-de-obra nacional, nos Estados Unidos a participação do setor no emprego total é de 17%.