Concurso avalia perdas na colheita de soja em Maringá
Ação valoriza operadores e reduz perdas na colheita de soja em Maringá
Foto: Canva
O trabalho de colheita da soja foi intensificado nesta semana na região de Maringá. Para evitar o prejuízo com perdas no campo, os técnicos do IDR-Paraná estão mobilizando os agricultores com o Concurso de Qualidade na Colheita de Soja. O objetivo é valorizar a atividade dos operadores de colhedoras, bem como reduzir as perdas. Na safra passada, a perda média na região chegou a 1,75 sacas por hectare, enquanto os participantes do concurso perderam 0,43 sacas por hectare. É mais soja colhida e maior lucro para os produtores.
“A metodologia do concurso, no contexto da extensão rural, não tem como objetivo principal eleger um "vencedor" no sentido tradicional. Em vez disso, ela funciona como uma ferramenta pedagógica com o objetivo central de estimular o treinamento, promover a troca de saberes e valorizar a competência dos profissionais envolvidos”, explicou José Sérgio Righetti, do IDR-Paraná de Maringá.
Neste ano cerca de 150 operadores participam do concurso, cujo resultado será conhecido em junho. “Os participantes do concurso serão premiados. É uma forma de reconhecer o esforço deles”, afirmou Righetti. A premiação tem a intenção de promover a profissionalização e a valorização do operador de máquinas agrícolas, figura essencial no processo produtivo do agronegócio.
O Concurso de Qualidade na Colheita da Soja é o resultado de uma parceria do IDR-Paraná com a Cocamar Cooperativa Agroindustrial, COCARI (Cooperativa Agropecuária e Industrial de Mandaguari), Cooperativa Integrada, Sindicato Rural de Maringá, Universidade Estadual de Maringá (UEM), UniCesumar, Uningá, Unifeitep e SICREDI DEXIS. De acordo, com Righetti, a intenção ao fazer os diagnósticos de perdas, além de identificar possíveis gargalos e organizar as equipes técnicas para atuação eficiente, é incentivar a adoção de práticas operacionais que resultam em menor perda de grãos no campo, reforçando a importância de regulagens adequadas e da operação consciente das máquinas.
Os extensionistas do IDR-Paraná já estão medindo as perdas dos operadores inscritos voluntariamente no concurso. Segundo Righetti, neste ano o empenho dos profissionais e a melhoria dos maquinários estão contribuindo para perdas menores. “Por enquanto tem ficado pouca soja no chão. As perdas estão se mantendo no padrão estabelecido pela Embrapa Soja, no máximo uma saca por hectare. Mas tem produtor que está perdendo bem menos, em torno de 12 kg/ha”, informou. Righetti lembrou que no ano passado o campeão do concurso perdeu 14 kg/ha.
Para o extensionista, é fundamental valorizar o trabalho de quem opera as colheitadoras. “Estamos muito orgulhosos em reconhecer o trabalho desses profissionais. A eficiência na colheita começa desde o preparo do solo para a implantação da cultura, porém é fundamental a atenção aos detalhes pelo operador. Quando se colhe melhor, todos ganham: o produtor, o meio ambiente e a produtividade do país”, destacou.
A realização do concurso já rendeu outros frutos. A COCARI, por exemplo, está desenvolvendo uma campanha de redução de perdas entre seus cooperados. Os consultores técnicos da cooperativa estão repassando aos produtores informações como os cuidados na dessecação da lavoura antes da colheita, condições de clima ideais para a operação, umidade dos grãos, regulagem e velocidade da máquina.
HISTÓRIA - O concurso de redução de perdas na região de Maringá tem história. A primeira edição foi realizada na safra 1995/1996. De acordo com Righetti, no início foi apenas um concurso municipal e contou com a participação de 22 operadores. Nos oito anos seguintes, a avaliação foi restrita aos produtores locais. Na safra de 2003/2004, o concurso foi expandido para incluir outros municípios, tornando-se regional. Já na safra de 2018/2019 passou a ser denominado Concurso de Qualidade na Colheita de Soja, destacando a relevância das boas práticas agrícolas implementadas pelos agricultores. Na edição regional, houve um aumento significativo na participação, com 334 máquinas avaliadas. Entre os vencedores desse concurso, a menor perda registrada ficou em 0,06 sacas por hectare, observada na safra de 2004/2005.
A avaliação das perdas durante a colheita e a busca de soluções para o problema tem uma consequência econômica. Na safra 2024/2025, a perda média na região de Maringá chegou a 1,75 sacas por hectare. Em contraste, a média de desperdício dos participantes do concurso ficou em 0,43 sacas por hectare, resultando em uma diferença de 1,32 sacas por hectare. “Se essa diferença for multiplicada pelos 300 mil hectares cultivados na região, isso representaria um adicional de 396 mil sacas de soja no complexo produtivo, gerando um impacto financeiro estimado em R$ 53,46 milhões para a região, com base no preço médio da saca de soja de R$ 135”, informou Righetti. Essa avaliação dá uma ideia da relevância do empenho dos extensionistas para reduzir as perdas durante a colheita da soja.