Clima muda cenário e milho entra em queda forte
Apesar da pressão, a demanda segue como fator de sustentação
Apesar da pressão, a demanda segue como fator de sustentação - Foto: Divulgação
O mercado internacional de milho encerrou a semana em queda, acumulando o quarto recuo consecutivo nas cotações em Chicago, refletindo um cenário de maior oferta e pressão sobre os preços. Segundo análise semanal da TF Agroeconômica, o movimento foi influenciado principalmente pela melhora das condições climáticas nos Estados Unidos e pelo avanço das expectativas para a nova safra.
A redução das áreas afetadas por seca, que passaram de 44% para 29%, aproximando-se dos níveis registrados no ano anterior, somada à previsão de chuvas no Meio-Oeste norte-americano, reforçou a perspectiva de bom desenvolvimento da safra 2026/27. Esse ambiente elevou a confiança do mercado em uma oferta mais confortável. Ao mesmo tempo, o relatório mensal do USDA não trouxe suporte às cotações, mantendo estáveis os estoques finais dos Estados Unidos e as estimativas de produção na América do Sul. A Argentina, por sua vez, revisou para cima sua produção, projetando uma safra recorde.
Apesar da pressão, a demanda segue como fator de sustentação. As exportações norte-americanas avançaram quase 30% em relação ao ano anterior, e novas vendas confirmadas indicam consumo internacional ainda aquecido. No Brasil, o mercado permanece em compasso de espera pela safrinha, cuja colheita começa na segunda metade de maio, com exportações ainda baixas no curto prazo, mas acima do mesmo período do ano passado.
No campo técnico, o milho em Chicago rompeu uma importante linha de suporte, sinalizando perda de força compradora e maior probabilidade de continuidade do movimento de baixa. No mercado brasileiro, o indicador ESALQ/BM&FBovespa também aponta inflexão após período de alta, indicando início de ajuste típico de entrada de safra.
Com a colheita avançando e a proximidade da safrinha, a expectativa é de preços mais baixos, com possibilidade de acomodação ao redor de R$ 65 por saca ou abaixo, dependendo da pressão de oferta. O cenário combina fundamentos e técnica em direção baixista, levando à recomendação de priorizar vendas em eventuais repiques e adiar compras no curto prazo.