Milho: clima e safrinha no foco do mercado
Mercado opera com maior volatilidade
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O mercado brasileiro de milho deve concentrar atenções nas condições climáticas e no avanço do plantio da safrinha, segundo análise divulgada nesta segunda-feira (23) pela Grão Direto. De acordo com o especialista da empresa, “com as previsões indicando a continuidade de chuvas volumosas em partes do Centro-Oeste e Sudeste, existe um risco real de novos atrasos na semeadura”, o que pode deslocar o desenvolvimento das lavouras para períodos mais suscetíveis a secas e geadas no meio do ano. Nesse cenário, o mercado físico pode reagir com maior retenção por parte do produtor, que tende a evitar vendas até ter mais segurança sobre o desempenho da segunda safra, movimento que pode elevar os preços regionais no curto prazo.
A composição dos custos também influenciou as decisões dos agentes ao longo da semana. A alta nos preços dos insumos, especialmente dos fertilizantes nitrogenados, impactados por tensões geopolíticas envolvendo importantes países exportadores, tornou o ambiente mais desafiador. Segundo a análise, esse contexto já afetou a definição de área nos Estados Unidos e serve de alerta aos produtores brasileiros que ainda avaliam decisões de plantio e manejo da safrinha.
A logística nos portos e o transporte rodoviário devem concentrar pressões adicionais. Com o avanço da colheita de soja, o milho passa a disputar caminhões e capacidade nos terminais de embarque. A expectativa é de fretes elevados, possivelmente em nível de pico anual, o que pode pressionar as margens de exportação e gerar ajustes nos preços pagos ao produtor que necessita liberar espaço nos armazéns.
A demanda interna também permanece no radar, especialmente por parte das indústrias de proteína animal e do etanol de milho. Diante da perspectiva de oferta mais restrita nos Estados Unidos e das incertezas climáticas no Brasil, esses segmentos tendem a antecipar compras, contribuindo para a sustentação dos preços no mercado físico. A definição das tarifas de energia pela Agência Nacional de Energia Elétrica pode ainda alterar custos de armazenagem e beneficiamento, com reflexos sobre a competitividade de cooperativas e cerealistas.
Diante desse conjunto de fatores, a análise aponta que o mercado deve operar com viés sustentado e maior sensibilidade a riscos no curto prazo. Possíveis atrasos no plantio da safrinha, custos elevados e demanda doméstica firme reduzem a disponibilidade imediata e estimulam a retenção de oferta. Ao mesmo tempo, a menor perspectiva de área nos Estados Unidos adiciona incerteza ao balanço global, o que pode manter as cotações sensíveis a novos eventos climáticos ou gargalos operacionais.
Em um ambiente de margens comprimidas e riscos logísticos, o especialista recomenda atenção às oscilações e aos custos de produção. “Acompanhe as cotações pela Grão Direto e, ao identificar um valor alinhado à sua margem sustentável, aproveite”, orienta. Segundo a empresa, a utilização da plataforma permite comercialização digital com agilidade e acesso a uma rede de compradores, reduzindo a exposição a variações cambiais e ampliando as alternativas de negociação.