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Edição genética amplia aroma natural do tomate

No tomate, os pesquisadores identificaram dois genes relacionados a esse processo


No tomate, os pesquisadores identificaram dois genes relacionados a esse processo No tomate, os pesquisadores identificaram dois genes relacionados a esse processo - Foto: Pixabay

Avanços recentes em biotecnologia vegetal estão ampliando as possibilidades de melhoria sensorial em culturas agrícolas amplamente consumidas. Pesquisas voltadas à recuperação de aromas e sabores perdidos durante o processo de domesticação indicam que a edição genética de precisão pode resgatar características valorizadas pelos consumidores sem comprometer produtividade ou qualidade agronômica.

Nesse contexto, um grupo internacional de pesquisadores da China e da Austrália desenvolveu tomates com aroma semelhante ao de pipoca utilizando a tecnologia de edição genética CRISPR/Cas9. O estudo partiu da constatação de que o aroma natural do tomate foi reduzido ao longo do processo de seleção de variedades comerciais, que priorizou rendimento, resistência a doenças e uniformidade.

Os cientistas concentraram a pesquisa no composto volátil 2-acetil-1-pirrolina, responsável por um aroma tostado característico presente em alimentos como o arroz aromático. A síntese desse composto está associada ao gene betaína aldeído desidrogenase 2, cuja inativação em algumas plantas permite o acúmulo de substâncias que acabam convertidas em compostos aromáticos.

No tomate, os pesquisadores identificaram dois genes relacionados a esse processo, chamados SlBADH1 e SlBADH2. Com o uso da ferramenta CRISPR/Cas9, foram realizadas edições genéticas na variedade Alisa Craig, gerando diferentes linhas mutantes com interrupções nesses genes.

As análises indicaram aumento expressivo na produção do composto aromático. Plantas com mutação no gene SlBADH2 apresentaram níveis mais elevados de 2-acetil-1-pirrolina, enquanto mutantes com alterações simultâneas em SlBADH1 e SlBADH2 registraram concentrações mais de quatro vezes superiores às das plantas originais.

Segundo os pesquisadores, as modificações não afetaram características agronômicas importantes. Indicadores como tempo de floração, altura das plantas, peso dos frutos e parâmetros bioquímicos ligados a açúcares, ácidos orgânicos e vitamina C permaneceram semelhantes aos observados nas plantas não editadas.
 

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