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Mancha-parda da soja: 5 sinais para identificar a doença

A doença causada pelo fungo Septoria glycines começa de forma discreta


Foto: Arquivo

Numa lavoura de soja em pleno enchimento de grãos, a mancha-parda raramente chama atenção. As manchas castanhas nas folhas inferiores já estavam lá há semanas, discretas, confundidas com senescência natural ou simplesmente ignoradas na correria do monitoramento. Só quando o amarelecimento sobe para o terço médio e as folhas começam a cair antes do tempo o problema ganha nome — e a essa altura, parte do potencial produtivo já foi embora.

Esse roteiro se repete em áreas de Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e em praticamente todas as regiões sojícolas do Brasil onde há sucessão frequente sojamilho safrinha ou sojaalgodão. O fungo Septoria glycines sobrevive nos restos culturais da safra anterior, aguarda as primeiras chuvas e o fechamento das linhas para reiniciar o ciclo — e o faz com eficiência, safra após safra.

A mancha-parda não mata a lavoura sozinha. Ela abre caminho para que outros estresses finalizem o serviço. Isolada, a doença raramente provoca colapsos de produtividade. O perigo real está na combinação: mancha-parda avançada somada a déficit hídrico, compactação de solo, baixa fertilidade ou outras doenças de final de ciclo — como Cercospora e Colletotrichum — pode resultar em desfolha precoce nos estádios R5 e R6, os mais críticos para o enchimento dos grãos. É nesse cenário que as perdas econômicas deixam de ser teóricas.

Como afeta a produtividade?

A principal consequência da mancha-parda não é visível no campo durante as fases iniciais — ela se materializa na balança na colheita. A perda de área foliar funcional reduz a capacidade fotossintética da planta justamente quando ela mais precisa: no período de enchimento de grãos. O resultado prático é maturação antecipada e irregular, maior proporção de grãos pequenos e, em situações de estresse combinado, ocorrência de grãos chochos.

O ciclo do fungo é relativamente curto sob condições favoráveis, o que permite várias reinfecções dentro da mesma safra. Em lavouras com pouca rotação de culturas, alta presença de palhada de soja infectada e uso contínuo das mesmas misturas de fungicidas, a pressão de inóculo aumenta de safra para safra — criando um ciclo que se agrava com o tempo.

Ponto de atenção

Em sistemas de plantio direto, a palhada de soja é o principal reservatório do Septoria glycines entre safras. Planejar a rotação de culturas não é apenas uma prática agronômica — é a principal ferramenta para quebrar esse ciclo.

Quando e como monitorar

O monitoramento eficaz começa mais cedo do que a maioria dos produtores pratica. A partir do estádio V4–V6, o técnico deve inspecionar sistematicamente o terço inferior das plantas em pelo menos 5 a 10 pontos distribuídos em zigue-zague pelo talhão, avaliando de 10 a 20 plantas por ponto. As inspeções devem ser quinzenais nos estádios vegetativos iniciais e passar a semanais a partir do florescimento (R1–R2), mantendo essa frequência até R6.

O registro de incidência — percentual de plantas com lesões — e de severidade — área foliar afetada — por talhão e cultivar constrói um histórico que vale ouro nas safras seguintes. Sem esse dado, cada safra começa do zero.

A decisão sobre intervenção química deve sempre ser tomada com base nesse monitoramento, considerando o ritmo de evolução dos sintomas, o estádio da cultura e as condições climáticas previstas — e sempre sob orientação de engenheiro agrônomo, seguindo rótulo e bula dos produtos.

 

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