Leite: recuperação mensal não compensa perdas de mais de 20% no ano
No mercado consumidor, os preços dos lácteos também apresentaram variação
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O preço do leite ao produtor registrou recuperação em fevereiro de 2026, mas ainda acumula forte queda em relação ao ano anterior, refletindo um cenário de pressão sobre a renda no campo e desequilíbrios no mercado. Segundo informações divulgadas pelo Centro de Inteligência do Leite da Embrapa, o setor também enfrenta avanço das importações e déficit crescente na balança comercial.
Alta mensal não reverte perdas no campo
Segundo informações divulgadas pelo Centro de Inteligência do Leite da Embrapa, o preço médio nacional pago ao produtor chegou a R$ 2,15 por litro em fevereiro de 2026, com alta de 6,2% frente a janeiro. Apesar da reação, o valor ainda representa uma queda expressiva de 22,7% na comparação com fevereiro de 2025.
O movimento indica uma recuperação pontual, mas insuficiente para recompor a margem dos produtores, especialmente em um contexto de custos ainda elevados.
A relação de troca entre leite e ração também mostrou melhora em relação ao mês anterior, mas segue desfavorável na comparação anual. Em fevereiro, foram necessários 38,2 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de mistura, evidenciando perda de poder de compra no campo.
No mercado consumidor, os preços dos lácteos também apresentaram variação relevante. Em março de 2026, a cesta de produtos subiu 4,3% em relação ao mês anterior. No entanto, no acumulado de 12 meses, houve queda de 3,1%, abaixo da inflação oficial de 4,1%.
Entre os produtos, o leite UHT teve destaque com alta expressiva de 11,7%, enquanto o leite condensado registrou a maior retração, com queda de 0,9%.
Esse comportamento reflete oscilações de oferta e demanda, além da tentativa da indústria de recompor margens ao longo da cadeia.
O comércio exterior segue como um dos principais pontos de atenção. As importações brasileiras de leite e derivados somaram 235 milhões de litros equivalentes em março de 2026, alta de 33% no mês e de 31,4% em 12 meses. O leite em pó lidera esse movimento.
Por outro lado, as exportações cresceram 8,9% na comparação mensal, atingindo 5,6 milhões de litros equivalentes, mas ainda registram queda de 26,6% frente ao mesmo período de 2025.
Como resultado, o saldo da balança comercial de lácteos acumula déficit de US$ 239 milhões em 2026, equivalente a 570 milhões de litros de leite.
No cenário externo, os preços do leite em pó apresentaram comportamento misto na primeira quinzena de abril. O leite em pó integral recuou 2,6%, cotado a US$ 3.687 por tonelada, enquanto o desnatado subiu 1,7%, chegando a US$ 3.381 por tonelada.
Essas oscilações impactam diretamente a competitividade do produto brasileiro e influenciam o ritmo das importações.